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sexta-feira, 18 de abril de 2014

NA SENDA DO DISCERNIMENTO COM SHIVA II


Shiva, meu amigo, ainda agora senti uma saudade grande das pradarias astrais e dos céus por onde voei outrora, na condição de espírito livre.
Fui tomado por um certa nostalgia espiritual, e logo lembrei-me de Você, o Senhor dos iogues e de todas as transformações nos planos fenomênicos da existência.
Então coloquei para tocar um Cd contendo o mantra Maha Mrityunjaya (1).
Ouvindo esse maravilhoso mantra, logo surgiu a vontade de escrever algo, e por isso vim para o note-book grafar algumas palavras de improviso.
Que Você me inspire a grafar palavras de luz, e que as mesmas possam viajar até os corações sensíveis à Paz e à Luz, levando aquela atmosfera espiritual que encanta e faz pensar na grandiosidade da vida em todos os planos.

* * *

Shiva, dizem que quando você bate a ponta de seu tridente no chão, surgem os raios que rasgam a escuridão no firmamento. Será por isso que alguns de seus clarões estão espocando dentro do meu chacra frontal agora?
Também dizem que Você é o grande transmutador interdimensional e que através de seu olho espiritual nada escapa à sua percepção cósmica. Será por isso que sinto agora os seus olhos interpenetrando os meus enquanto escrevo sem sequer pensar?
Sim, dizem muitas coisas a seu respeito, mas o que sinto agora é o seu silêncio atravessando os espaços e chegando quietinho aqui em meu coração. O que sinto é um abraço invisível, terno e firme, de Pai para filho, de Mestre para discípulo, de Espírito a espírito...

* * *

Penso em Você... O Amor me toca... as lágrimas rolam naturalmente, enquanto o meu coração se abre ao seu sopro divino. Então, escuto um coro de vozes angelicais entoando uma canção portentosa, que não entendo na mente, mas compreendo no coração e sei que atravessa os diversos planos levando as ondas de compaixão em Seu Nome.
Em algum lugar essa canção está erguendo muitos espíritos caídos nas trevas da ignorância e do apego após a morte. Não sei onde nem como, só sei que muitas consciências extrafísicas estão sendo desprendidas da crosta terrestre por intermédio dessa canção celeste, que não escuto com os ouvidos, mas dentro da consciência (2).
A canção aumenta, e percebo que ela agora varre até mesmo o meu corpo físico. Parece que uma energia branquinha viaja velozmente por dentro do meu corpo. Mergulho nessa sintonia e começo a sentir as emoções dos espíritos que estão sendo levados pela canção aos templos extrafísicos de cura. Mesmo ao longe e sem saber os motivos deles, percebo que estamos ligados na mesma assistência espiritual. Sinto suas emoções e passo junto com eles as dores de um parto consciencial, as mudanças de energias e suas transformações, os seus dramas e contendas, e a necessidade de se esquecer do passado e ascender a outras moradas na Casa do Pai Celestial.
Choro junto com eles, enquanto uma luz alaranjada sobe da base de minha coluna até o meio de minha testa, numa explosão suave de compaixão luminosa. Deixo que essa luz flua para eles com todos os meus melhores votos de melhoria. Não os vejo, e eles não me vêem, mas estamos ligados pela canção celeste que ecoa por entre os planos e corações sensíveis à Paz.

* * *

Shiva Nataraja (3), sua dança muda o padrão das energias e rasga os véus da ilusão (maya) que cegavam a mente e o coração. No seu movimento, os homens da Terra e do Espaço ascendem a climas melhores e encetam novos objetivos em seus rumos evolutivos.
Sabe, eu gostaria de poder passar para as pessoas as ondas de amor dessa canção que não se escuta por aqui. Essa mesma canção que não entendo, mas que o meu coração me diz que sua tradução espiritual seria mais ou menos assim:

“Levantem-se, ó filhos do Espírito Supremo!
É o Senhor Shiva que os convoca.
Venham ter com Ele nas pradarias celestes.
É hora de voltar para a casa de luz.
É hora de esquecer os dramas do passado.
É hora de ascender nesta canção.
Vocês são Shiva! A canção é Shiva!
Nós somos Shiva! Tudo é Shiva!
O Céu e a Terra, os homens e os espíritos, tudo é Shiva!
Tudo é Ele! Tudo é Ele! Tudo é Ele!”

* * *

Shiva, meu amigo, comecei a escrever falando de uma saudade espiritual, e ela se transformou em assistência espiritual, por sua obra e graça. E eu só tenho a lhe agradecer, pois a nostalgia passou, e agora ficou só o amor e essas lágrimas quietinhas que rolam pelas faces, limpando as energias antigas e renovando a expressão espiritual que emerge no brilho dos olhos e no rosto.
Lá fora o sol brilha no meio da tarde. Aqui dentro de casa é o meu rosto que brilha.
E em algum lugar do Astral, também brilham agora os rostos extrafísicos de muitos espíritos elevados pela música de Shiva.
Oxalá, esses escritos possam fazer brilhar os rostos dos leitores sensíveis à Luz da Espiritualidade (4).
Shiva, muito obrigado, querido.

P.S.: A primeira parte desse texto está postada na seção de textos periódicos de nosso site – www.ippb.org.br – É o texto número 407.

- Wagner Borges -
(Sujeito com qualidades e defeitos, 43 anos de “encadernação”, espiritualista consciente, que não segue nenhuma doutrina criada pelos homens da Terra, nem ocidental ou oriental, mas que tem muita sorte de pegar caronas espirituais nas vibrações dos espíritos legais de todas as linhas, para continuar viajando de mente e coração sempre abertos na sintonia sadia da Espiritualidade Maior).

São Paulo, 05 de novembro de 2004.

- Notas:
1. Esse mantra é considerado como evocativo da morte do ego (a alquimia interior, onde morre o homem enferrujado de ego sob o cadinho da iniciação espiritual, e renasce como homem dourado de amor e consciência).

Por ignorância, muitos têm medo deste mantra, pois o chamam de mantra da morte. Porém, como a consciência é imperecível, como poderia ela morrer? No caso, este mantra de Shiva, o destruidor dos egos, evoca a morte da ignorância e do apego humanos, no processo de renovação consciencial e ascensão espiritual. E essa morte é necessária!
Logo, que morra o nosso ego atormentado, e que Shiva venha nos ajudar nesta transmutação consciencial, para renascermos muito melhor, aqui e agora!
2. Lembro-me de que essa é uma semana energeticamente pesada, devido ao dia de finados, que foi há apenas três dias, mas que deixa formas-pensamento densas poluindo a atmosfera psíquica, mantendo muitos espíritos doentes agregados ao plano físico e à aura de seus entes-queridos, que inadvertidamente os atraem com seus apegos e dores mal resolvidas. E pior do que isso, por incrível que pareça, é o fato de vários estudantes espirituais também apresentarem o mesmo tipo de postura apegada, como se não soubessem que no cemitério só ficam os cadáveres, e que os espíritos ascenderam para aquelas muitas moradas do Pai Celestial, nos níveis extrafísicos.
Muitas vezes, ao falar sobre essa incoerência espiritualista na abordagem da morte, mero descarte do veículo de manifestação denso e evento normal na economia da natureza, sou criticado como se estivesse falando alguma besteira ou mesmo sendo radical nessa questão. No entanto, o que é estranho é o fato das pessoas estudarem os temas espirituais e falarem constantemente de vida após a morte, mas na hora em que perdem algum ente querido, elas se esquecem de tudo e evidenciam que seus estudos eram só teóricos, sem embasamento consciencial firme. Há alguns que, nessa hora, choram mais do que muitos materialistas e se revoltam, como se não soubessem da imortalidade da consciência. Outros vão ao cemitério visitar os cadáveres ocos de consciência, mesmo estudando espiritualmente, e ficam danados da vida quando alguém fala algo a respeito, como se eles mesmos não soubessem que o cemitério não é o lar de nenhum espírito, e que a vida continua... mesmo que muitos estudantes espirituais pareçam negar tudo por causa das emoções momentâneas de uma perda.
Sim, a vida continua além da queda do corpo, e a referência da pessoa amada que partiu não é a tumba número tal no cemitério do bairro. De jeito nenhum!
Quem quiser visitar a pessoa amada, que saia do corpo e vá visitá-la no plano astral, lar dos espíritos, sempre vivos.
3. Shiva: Na Cosmogonia hinduísta, o Divino é representado por três aspectos fenomênicos: Brahma - O Criador, Vishnu - O Preservador, e Shiva - O Transformador.
Shiva é o senhor de todas as transmutações na natureza, é o senhor das energias e de todo movimento vital. Em muitas representações simbólicas, Ele é representado como o "Nataraja", O Dançarino Divino que faz o universo vibrar e girar em sua eterna dança cósmica. Por isso algumas imagens O mostram dançando dentro de uma roda (o universo).
- Tridente de Shiva: Dentro do contexto hinduísta, as energias se manifestam no plano fenomênico da existência em três aspectos vibracionais: Rajas (atividade), Tamas (inércia) e Sattva (equilíbrio ou pureza).
O tridente que Shiva carrega, expressa essas três manifestações vitais (cada uma das pontas do tridente é uma das expressões energéticas). Sendo o Senhor das energias, nada mais natural do que Ele "portar nas mãos" o controle de suas manifestações.
Num contexto ainda mais esotérico, as três pontas do tridente também representariam os três nádis (condutos sutis – Ida, Píngala e Sushumna) que correm ao longo da coluna, e que são muito importantes na circulação da energia pelo corpo energético e nos processos de ascensão da Kundalini.
Inclusive, é muito comum vermos imagens de Shiva com diversas cobras najas penduradas pelo seu corpo. Elas representam a sabedoria, da qual Ele está repleto. Também representam a expansão da consciência (consciência cósmica, samadhi) nos processos ascensionais da Kundalini (Shakti).
Aqui por e-mail fica difícil explicar esses mecanismos bioenergéticos tão conhecidos dos iogues de todos os tempos e linhas.
Obs.: Alguns fundamentalistas cristãos associaram o tridente do Shiva e as cobras najas (que são apenas simbolismo iogue) à figura do diabo. E aí nem precisa dizer da confusão que eles fazem com isso, oriunda diretamente da falta de informação (ou, em alguns casos, de má intenção mesmo).
- Mahadeva: Maha: Grande, Vasto, Imenso – Deva: Divindade, Ser Celestial.
Logo, Mahadeva significa "Grande Divindade", "Grande Ser Celestial", "Grande Deus".
- O olho aberto na testa de Shiva representa o "olho espiritual", que tudo vê.
- OM: O Verbo Divino (Shabda ou Pranava), A Vibração do Todo permeando a tudo, o mantra que na tradição hinduísta é associado à vibração divina da palavra criadora do Supremo.
- Om Namah Shivaya: é um dos mantras evocativos de Shiva. É um dos mantras mais populares da Índia.

EXPLICAÇÃO SOBRE O MANTRA “MAHA MRITY UNJAY”

Dentro de cada um de nós existe um espaço de pura felicidade. Nenhum estresse. Nenhuma preocupação. Nenhuma doença. Somente felicidade. E é possível para nós nos conectarmos com esse espaço divino. Com uma técnica secular. O Mantra Maha Mrityunjay.
Um mantra tão poderoso que ao cantá-lo ele cria uma vibração divina no interior de nosso ser. Esta vibração acende um fogo interior que consome toda a nossa negatividade e purifica todo o nosso sistema, deixando-nos calmos, em paz, felizes.
Conforme o poderoso som cósmico deste mantra pulsa através de cada célula, cada molécula de nosso corpo, ele rasga o véu da ignorância que nos faz acreditar que nós somos incompletos. E nos torna conscientes da nossa própria divindade.
É um mantra que é tido como rejuvenescedor. Evoca saúde e riqueza. Uma vida longa. Paz. Prosperidade. Contentamento. Imortalidade. Diz-se que o entoar deste mantra cria um poderoso escudo protetor que afasta todo o mal. E acredita-se que protege aquele que o canta, contra acidentes e infortúnios de todo tipo. Diz-se também que ele tem um poderoso efeito curativo sobre as enfermidades.
É uma oração para o Senhor Shiva, o mais poderoso, o mais inacessível e ao mesmo tempo, o mais “bhola” (inocente) dos Deuses. O Criador. O Destruidor. O Asceta. O objetivo do sadhana (disciplina espiritual).
Conhecido como o Mantra Moksha (Libertação) do Senhor Shiva, o Maha Mrityunjay evoca o Shiva interior e afasta o medo da morte, liberando-nos do ciclo da morte e do renascimento.
Quando cantar: É de grande benefício cantar este mantra com amor e devoção no Brahma Muhurata. Mas você também pode cantá-lo a qualquer momento num ambiente puro, com benéficos resultados.

MAHA MRITYUNJAY

Om Tryambakam Yajamahe

Sugandhim Pusti-vardhanam

Urva-rukam-iva Bandhanat

Mrtyor-Muksiya ma-mrtat

TRADUÇÃO DO MANTRA

SIGNIFICADO:

OM. Nós veneramos o Senhor Shiva (aquele dos três olhos) que é cheio de fragrância e que nutre todos os seres; que Ele possa me libertar da morte, em favor da imortalidade, assim como o pepino maduro é arrancado da sua prisão - da trepadeira.

Este mantra é uma oração ao Senhor Shiva que é invocado como Sankara e Trayambaka. Sankara é Sama (bençãos) e Kara (o doador). Trayambaka é aquele dos três olhos (onde o terceiro olho significa o doador da sabedoria que destrói nossa ignorância e nos liberta do ciclo da morte e do renascimento).

4. Concluindo esses escritos, posto na seqüência um texto extraído do meu livro “Viagem Espiritual III”, devido a sua correlação com estes textos atuais.

DESPERTANDO AS CONSCIÊNCIAS

As pessoas que vivem na Terra sem a noção da própria imortalidade (e dos potenciais espirituais residentes nelas mesmas) são verdadeiros cadáveres ambulantes.
Quando a morte secciona o cordão prânico* e desativa seus invólucros densos, essas pessoas não flutuam para as dimensões espirituais. Pelo contrário, ficam manietadas às vibrações da Mãe Terra. São tomadas, então, de estranha inércia consciencial, verdadeiro "coma espiritual", permanecendo alheias à vida interdimensional.
Porém, o "PAI-ESPÍRITO" as quer de volta ao plano espiritual. Ele diz: "Chega de ego e de inércia! ACORDEM!"
O som tonitroante de Brahman vai direto a seus centros cardíacos, despertando-as para a realidade da consciência solta além da matéria.
Abençoados são aqueles que conhecem um pouco da Espiritualidade, pois já se livraram da doença espiritual da inércia e sabem que a vida é infinita e que apresenta bilhões de possibilidades de crescimento.
ESSES ESTÃO ACORDADOS!

OM TAT SAT! (2)

- Old Star (3) -

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - Texto extraído do livro "Viagem Espiritual III" - Editora Universalista - 1988).

- Notas:

1. Cordão prânico: cordão de prata; é o elo de ligação entre o corpo sutil e o corpo denso.
2. Om Tat Sat (do sânscrito): Tríplice designação de Brahman, O Supremo, O Absoluto, O Grande Arquiteto Do Universo. Como mantra, pode ser usado na concentração e ativação dos chacras.
3. Old Star (do inglês): "Velha estrela". O amparador hindu que me passou este texto, prefere se chamar assim, em inglês mesmo. "Velha estrela" significa alguém que veio das estrelas e que é muito antigo no trabalho espiritual.

CANÇÃO DA LIBERTAÇÃO
(O Chamado de Shiva, O Supremo Transmutador*)

Lá vem Ele, o Senhor das Transformações...
Lá vem Ele... Shiva!
O Senhor dos iogues...
O Senhor das energias...

Quando Ele balança sua cabeça, para ver em todas as direções, Dos seus cabelos molhados se desprendem milhares de gotinhas luminosas, Que entram pela terra, principalmente no solo dos cemitérios, E no espaço dos crematórios...

E suas gotinhas vão limpando a terra,
Lavando os elementos subterrâneos...
E soltando os espíritos cativos, presos à Terra.

Ele é o rompedor das ligações vitais,
O Supremo transmutador...

Ele anda pelos cemitérios sepultando as vaidades humanas E libertando os espíritos...

Ele é a chama que consome os cadáveres na cremação, E desprende os espíritos, de volta para casa, no Eterno...

Lá vai Ele, O Supremo Destruidor da ignorância...
Lá vai Ele...

Os seus olhos são semelhantes a dois sóis, Mas, é o terceiro olho que brilha mais.
É o terceiro olho, o portal para outras realidades...

A Canção de Shiva é a canção da liberdade e da imortalidade!

Lá vai Ele, soltando os espíritos...
Lá vai Ele, despertando-os para outras realidades, Além da carne, na luz da imortalidade.

Lá vai Ele, Om Namah Shivaya!
Lá vai Ele...

P.S.: Essa canção me foi passada espiritualmente por um dos amparadores extrafísicos do grupo dos Iniciados, durante um trabalho de ativação de chacras e de irradiação de energias, realizado com os 140 participantes do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB.
Agradeço a minha amiga Elza, por ter gravado o momento e depois ter disponibilizado o seu tempo para transcrevê-la.

- Wagner Borges –
São Paulo, 29 de junho de 2005.

- Nota:
* Para melhor compreensão do leitor sobre Shiva e o mantra Om Namah Shivaya, deixo na seqüência um texto esclarecedor (já postado pelo site há alguns anos):

SHIVA, O TRANSMUTADOR INTERDIMENSIONAL

Dizem que o Sr. Shiva* é o senhor dos crematórios (e dos cemitérios).
Mas não é que Ele goste de cadáveres. É somente porque Ele é o TRANSFORMADOR DAS CONSCIÊNCIAS, o rompedor de cordões de prata, o transmutador interdimensional que leva as almas de volta para a casa espiritual.
E tem mais: Ele também é conhecido como o destruidor (dos egos). É por Sua ação (carma) que a arrogância dos homens é detonada. E é também por Seu amor, que a vida é renovada e os homens têm novas oportunidades de crescimento.
Ele anda por entre os restos mortais dos homens, mas porta a VIDA!
Ele rompe os cordões de prata, mas está cheio de compaixão.
Ele leva as almas para o plano espiritual, mas está sorrindo por entre as dimensões.
Ele é o Sr. Shiva, senhor da vida e da morte dos homens, e não é possível defini lo pelos limitados parâmetros humanos.
Só se sabe que Ele anda pelos crematórios e cemitérios "queimando e enterrando" as vaidades humanas e desprendendo as almas com Sua energia purificada.
Ele é o destruidor (de corpos) e purificador das almas.
Em suma, Ele é movimento interdimensional de todos os seres.

OM NAMAH SHIVAYA!

- Wagner Borges -

- Nota:
* Shiva (do sânscrito): no Hinduísmo, O Divino é representado em três aspectos fenomênicos em sua manifestação vital: Brahma (O Criador), Vishnu (O Preservador) e Shiva (O Transformador).
Normalmente Ele é traduzido como o Destruidor Divino, pois é por sua ação que ocorre a transformação dos elementos, energias e consciências. Aquilo que é criado e preservado, um dia morrerá, para poder renascer e seguir o fluxo evolutivo. No entanto, nada no universo morre realmente, só há mudança de plano e padrão vibracional. A energia não nasce e nem morre, só é transformada.
Shiva é o representante divino dessa transformação inexorável de todas as coisas. Ele também é conhecido como "NATARAJA", o Divino Dançarino. Ele dança na luz e faz a roda da existência mover-se no infinito. Por isso, Ele sempre é associado a eventos de transmutação interdimensional e consciencial.
O mantra dessa ação transformadora de Shiva é "OM NAMAH SHIVAYA".

NAS LUZES DE SHIVA,O MAHADEVA


Lá das plagas celestes do Oriente, ecoa um chamado sutil. O senhor das energias convoca os homens e os espíritos para a realização do Darma.
Flui um perfume espiritual pelo ar... é sândalo!
Então, uma luz branquinha desce do céu e entra pelo topo da cabeça, ativando o lótus das mil pétalas. Em seguida, ela se espraia para baixo, por todos os chacras, varrendo o interior do corpo e despertando as energias. Por sua ação, instala-se um estado vibracional, pois é hora de dançar na luz!
Ao mesmo tempo, surge um olho aberto no centro do frontal. E, no coração surge um canto sutil:
“OM NAMAH SHIVAYA... OM NAMAH SHIVAYA... OM NAMAH SHIVAYA…”
Na esteira de suas vibrações, miríades de seres espirituais se tornam seus avatares e passam também a propagar a luz sutil. E, onde ela chega, tudo se transforma.
Sim, por onde a onda luminosa de Shiva passa, as correntes do ódio e do apego se rompem. Sob sua ação, o passado se esvai... E o que fica é a liberdade de seguir em frente, surfando nas ondas da evolução, para crescer...
Em todos os planos é assim: quando a luz de Shiva chega, tudo muda! As correntes se partem e as consciências se libertam.
Quando a luz branquinha dissolve as nuvens cinzentas de Maya, que ser poderá dizer que é deserdado do Supremo Amor?
Quando ecoa o canto sutil do Mahadeva, cessa a surdez dos egos renitentes. O seu ghanda purifica o cheiro de carniça dos apegos! E o seu mantra ecoa pelos céus dos corações:
“OM NAMAH SHIVAYA... OM NAMAH SHIVAYA... OM NAMAH SHIVAYA…”
Em todos os planos é assim: quando Shiva chama para o Darma, o próprio universo treme e entra em estado vibracional cósmico. Estrelas gozam com ele o samadhi, e os homens e espíritos sintonizados espiritualmente viajam junto, nas ondas da bem-aventurança.
Sob sua ação portentosa, tudo vibra, tudo muda... E o sândalo flui, purificando os homens, os espíritos e as estrelas.
Lá das plagas do Oriente espiritual, vem o seu chamado. A luz branquinha, o perfume sutil, a canção, as transformações, o Darma e os corações... tudo dentro de sua onda luminosa, tudo vibrando, para frente, para o crescimento, pois nada fica estagnado sob a luz do Mahadeva.
Por isso, os rishis cantavam sua glória: “HARA HARA MAHADEVA!”
Encantados, eles atendiam ao chamado sutil de Shiva e viam as correntes dos apegos se partindo e libertando as consciências para o progresso. Mesmo dotados de alta sabedoria e de profunda maturidade espiritual, eles reverenciavam o senhor de todas as transmutações, o divino alquimista.
Eles também pegavam carona espiritual na esteira das vibrações miríficas do Senhor das luzes. Então, eles entravam em samadhi e compartilhavam, com todos os seres do universo, a bem-aventurança que viviam.
Em silêncio, eles viam as correntes se partindo... Eles viam as ondas luminosas varrendo os cemitérios e crematórios e desprendendo os espíritos apegados a seus despojos carnais. Viam, também, as camadas do tecido vivo do universo se desdobrando em vida e energizando as estrelas e os seres.
Encantados, em silêncio, eles passaram a ver o poder da luz em tudo. Com o tempo, ensinaram aos estudantes espirituais como escutar o chamado sutil Dele.
E hoje, também é assim: quando ecoa o chamado de Shiva, os homens de boa vontade o escutam e se unem aos rishis, em espírito e coração, prontos para o Darma.
Em silêncio, eles curvam a cabeça ao Supremo e se recolhem na prece elevada, que nada pede, apenas abre o coração para o bem de todos os seres. Da mesma maneira que os rishis, eles também se encantam e trabalham para romper as correntes da ilusão.
E em todos os planos é assim: quando Ele chama, é hora de partir os grilhões e seguir na luz do eterno...
OM NAMAH SHIVAYA!


- Wagner Borges -
São Paulo, 15 de março de 2006.

- Notas do sânscrito:
* Darma (do sânscrito “Dharma”): dever, missão, programação existencial, mérito, benção, ação virtuosa, meta elevada, conduta sadia, atitude correta, motivação para o que for positivo e de acordo com o bem comum.
* Avatares - emissários celestes; enviados divinos.
* Rishis – Sábios espirituais; mestres espirituais; mentores dos Upanishads.
* Samadhi - expansão da consciência, consciência cósmica.
* Chacras – são os centros de força situados no corpo energético e que tem como função principal a absorção de energia (prana, chi) do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
* Lótus das Mil Pétalas – metáfora iogue para o chacra coronário, que é o centro de força situado no topo da cabeça, por onde entram as energias celestes. É o chacra responsável pela expansão da consciência e pela captação das idéias elevadas. É também chamado de chacra da coroa. Em sânscrito o seu nome é “sahashara”, o lótus das mil pétalas. Está ligado à glândula pineal.
Obs.: a pineal: é a glândula mais alta do sistema endócrino, situada bem no centro da cabeça, logo abaixo dos dois hemisférios cerebrais. Essa glândula está ligada ao chacra coronário, que, por sua vez, se abre no topo da cabeça, mas tem a sua raiz energética situada dentro dela. Devido a essa ligação sutil, a pineal (também chamada de “epífise”) é o ponto de ligação das energias superiores no corpo denso e, por extensão, tem muita importância nos fenômenos anímico-mediúnicos, incluindo nisso as projeções da consciência para fora do corpo físico.
* Chacra Frontal - é o centro de força situado na área da glabela, no espaço espiritual interno da testa. Está ligado à glândula hipófise (pituitária) e tem relação direta com os diversos fenômenos de clarividência, intuição e percepções parapsíquicas. É o chacra da aprendizagem e do conhecimento.

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sábado, 8 de fevereiro de 2014

SHIVA- EMBALANDO AS CONSCIÊNCIAS NA LUZ


(Quando a Luz Parte as Correntes Espirituais)

Dentro de um quarto escuro, num asilo, está um ancião em seus últimos momentos de vida. Chegou o fim de seu tempo na Terra. Sozinho, sem poder gritar, sentindo uma dor lancinante no peito e já lhe faltando a respiração, ele teme o desconhecido. No entanto, um poderoso clarão atravessa o teto e ilumina o recinto.

O ancião vê o brilho intenso, mas não com os olhos da carne.
Do centro dessa Luz, emerge um homem, acompanhado por um tigre enorme.
O ancião não vê o homem, apenas percebe uma Luz que se move.
E este Ser, suavemente, encosta a mão direita na testa do ancião, que cai em sono profundo.
Delicadamente, este Ser de Luz rompe os liames energéticos** que ligam o espírito à carne, e solta o ancião de volta para casa… Um portal luminoso se abre por cima do seu corpo, e ele simplesmente passa para outro plano, em sono profundo, embalado por essa presença silenciosa. E o ancião some no meio da Luz, viajando para o Céu…
Num átimo de segundo, mais rápido que o pensamento, o Ser de Luz se ve numa maternidade e, ali, coloca sua destra no ventre dilatado de uma mulher, no momento do parto difícil, e, no instante em que ele a toca, a criança se solta e nasce. Ninguém o ve.
E Ele segue, teleportando-se espiritualmente para vários lugares… E, em cada lugar, ao tocar alguém, tudo muda e ninguém ve. No máximo, se percebe uma Luz fugaz.
Ele viaja pelo mundo, em silêncio, tocando os homens e os espíritos. Passa pelos cemitérios e crematórios, rompe as cadeias do apego e liberta muitas consciências, de volta para casa… Passa por onde a tristeza deixou marcas e, simplesmente, lava as manchas dos corações.
E, por onde Ele segue, os espíritos trevosos se acautelam e se afastam, porque Ele é um turbilhão de luz. E o seu tigre ruge fortemente, no meio da escuridão, e todos eles fogem.
E esse Poder Celeste, que, em forma humana, se dissolve no meio da Luz, vai criando ondulações, e elas vão desdobrando camadas e camadas dimensionais do universo. E Ele vai interpenetrando a tudo e a todos… E tudo isso acontece dentro do Seu coração Universal, que interpenetra a todos os corações.
Esse Poder, que se apresenta como um olhar silencioso e amoroso, é transformação plena. E que coisa maior é essa que transforma o ser humano, senão o Amor? E Ele é apenas conhecido como o Senhor das Energias, mas também é o Amor que transforma.
E esse Poder, que se desdobra em todos os lugares, com várias expressões, também está aqui. E é Ele que inspira os estudantes espirituais do momento, abençoando-os em suas jornadas. É esse Poder que inspira a dizer que abençoados são aqueles que trilham a jornada de Luz, mesmo num planeta denso, mesmo em meio às pressões trevosas.
Carregar a Luz no coração é ser abençoado. O mundo não ve, mas esse Poder Celeste sabe, pois Ele mora dentro do coração de cada um. É o Poder de transformação radicado no Amor, que dissolve o ego, a arrogância, a ignorância, e inspira o homem a avançar, a evoluir, a se expandir, e a largar apegos, dramas e coisas pequenas e medíocres para trás.
É o Poder que nos trouxe à vida e que, no momento certo, nos levará de volta. E, também, aos nossos familiares e entes queridos; amigos e irmãos e, até mesmo os inimigos, pois Ele é o mesmo para todos.
O mundo não o ve e não sabe, mas existe um Poder de transformação entre os homens.
Ele vem deslizando pelo ar com um tigre ao seu lado… E solta o velhinho na luz, faz a criança nascer, afasta os seres trevosos, solta os espíritos apegados aos corpos, ilumina os corações, transforma as dores em amores, inspira a crescer, e dá força à jornada de cada um… E ninguém ve.
Ele, o Senhor Shiva***.
* * *
P.S.:
Fiquem bem quietinhos, mais um pouco, e apenas escutem essa canção****, como se vocês estivessem em casa escutando música. Pensem em Shiva!
Aproveitem essa atmosfera especial e sintonizem a consciência nisso, para algo melhor, para gerar um processo criativo, para nós todos, seja lá como for. Para pessoas que também queremos ajudar, sejam elas quem forem. Para aquelas coisas mal resolvidas simplesmente se dissolverem. Para que as tristezas possam ser diluídas…
Que tudo possa ser ultrapassado como forma de experiência e de engrandecimento. Que nós possamos passar por tudo, como Shiva faz, passando na Luz, movimentando-nos para frente, sempre de forma positiva; seguindo em frente, sem parar, até alcançarmos a meta, um dia… Sem olhar para trás, sem olhar para os lados, sempre para frente…
O que foi, já aconteceu mesmo, não dá para mudar. O que importa é o que vem pela frente, é o presente gerando o futuro…
Pessoas que amamos foram embora, seja pela ação da morte, seja pelas circunstâncias da vida. Mas, pessoas que vamos amar também estão chegando…
Enquanto o ancião vai embora, a criança chega, e haverá o momento em que nós também iremos embora. E, quando formos, alguém virá em nosso lugar, pois outra criança estará nascendo. E a vida seguirá, como sempre…

- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.

- Notas:
* Esses escritos são a transcrição de uma reunião com o Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB. Enquanto eu conduzia um trabalho de visualização criativa e irradiação de energias com a turma (120 pessoas), ao mesmo tempo observava, pelas vias da clarividência, a ação silenciosa de uma consciência extrafísica ligada às vibrações de Shiva. Então, para registrar o momento, fui narrando para a turma o que estava rolando por entre os planos.
Por sorte, alguém estava gravando. E agora estou disponibilizando esses escritos em aberto, pois poderão ser úteis para a reflexão de outros estudantes e grupos espirituais. E, como não poderia deixar de ser, agradeço ao Grande Arquiteto Do Universo por mais essa chance de vislumbrar um pedacinho daquilo que rola no Invisível. Ver a assistência espiritual silenciosa operando entre os homens é uma coisa emocionante. E, mesmo com anos de experiência nesses estudos e práticas, ainda fico igual criança, admirado.
O tempo passa e eu me sinto cada vez mais neófito da Vida… E, pela graça de Shiva, possa ir junto com esses escritos um abraço sutil, para todos os leitores, com Paz e Luz.
** Liames energéticos – feixes de energia que interligam o corpo espiritual ao corpo físico; cordão astral; cordão fluídico; fio de prata; cordão de prata (Bíblia; Eclesiastes, cap. 12 – versículo 6). 

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

SHIVA O DANÇARINO


Em uma floresta no sul da Índia habitava uma grande população de sábios hereges. Então Shiva resolveu passar por lá, afim de contrariá-los, e com ele foi Vishnu, disfarçado como uma linda mulher. O que aconteceu primeiro foi uma imensa confusão; os sábios começaram a brigar entre si. Mas logo se uniram para destruir Shiva, através de encantamentos... Humpf, mal sabiam o que estavam fazendo. Então fizeram um fogo sacrificial, e dele criaram um tigre ferocíssimo, que partiu para cima do Iogue. Mas sorrindo gentilmente, Shiva o dominou e, com a unha de seu dedo mindinho, arrancou sua pele e a amarrou na cintura, como se fosse um pedaço de seda. Com aquela cara-de-tacho, os sábios renovaram suas oferendas e produziram uma serpente monstruosa. Shiva olhou para aquilo e, com a maior tranqüilidade do mundo, dominou-a, colocando-a em seu pescoço como se vestisse uma guirlanda. Então ele começou a dançar. Numa última e desesperada tentativa, os sábios enviaram sobre ele um último monstro, na forma de um anão maligno. O deus pressionou-o sob a ponta de seu pé, e quebrou as costas da criatura, que se retorceu no solo. E então, com seu último inimigo prostrado, Shiva parou de dançar.
Essa é a representação de Shiva como Nataraja, o rei dos dançarinos. Mas para entender o conceito do Nataraja, é preciso compreender a dança em si. Assim como a Ioga, a dança nos leva ao transe, ao êxtase, à vivência do divino, à compreensão da própria natureza e à ligação com a essência divina. Por isso, na Índia, a dança conviveu lado a lado com as severas práticas ascéticas e meditação (jejuns, exercícios respiratórios, introversão absoluta). O que explica o fato de Shiva, que é o Grande Iogue dos deuses, ser também o senhor da dança.

A dança é um ato criador. A dança de guerra converte os homens em guerreiros, despertando suas virtudes bélicas. A dança da caçada antecipa o êxito da caça, transformando os participantes em infalíveis caçadores. Para despertar os poderes da fecundidade, os dançarinos imitam os deuses da vegetação, da sexualidade e da chuva. Dessa forma, ela tem uma função cosmogônica, ou seja, desperta as energias que estão adormecidas dentro de nós para que dêem forma ao universo. Shiva é o Dançarino cósmico, incorpora em si mesmo a energia eterna que torna manifesta. As forças que reúne e projeta são os poderes da evolução, preservação e dissolução do universo. A natureza e todas as criaturas são o efeito dessa dança eterna.

A iconografia da imagem do Nataraja é repleta de significados. Sua mão direita superior leva um pequeno tambor, tipo uma ampulheta, que serve para a marcação do ritmo de sua dança. Ele é o som, veículo da fala e portador da revelação, tradição, encantamento, magia e verdade divina. Na Índia, o som é associado ao éter, o primeiro dos cinco elementos. Dele emanaram ar, fogo, água e terra. Por isso, som e éter significam o verdadeiro momento da criação. Há também uma lenda que diz que quando Shiva concedeu a sabedoria ao ignorante Panini (hoje reconhecido como um grande conhecedor da gramática sânscrita), o som do tambor encapsulava a totalidade da gramática sânscrita. Tanto que o primeiro verso da gramática de Panini é chamado de Shiva Sutra. O tambor-ampulheta também representa os princípios vitais do masculino e do feminino. Dois triângulos penetram a si mesmos para formar um hexágono e, quando se partem, o universo também se dissolve.

No lado oposto, a mão esquerda superior (cujos dedos formam uma meia-lua), mostra na palma uma língua de fogo. Nós sabemos que o fogo é o elemento da destruição do mundo. De acordo com a mitologia hindu, no término do Kali yuga (era na qual vivemos), o fogo aniquilará o corpo da criação, sendo ele próprio apagado pelo oceano do vazio. Dessa maneira as mãos se equilibram, som/fogo, criação/destruição, dando o balanço da dança.

A segunda mão direita faz o gesto abhaya-mudra - “não temas”, que confere proteção e paz. O dançarino é como um pai que nos embala.

A outra mão esquerda aponta para baixo, para o pé esquerdo erguido. Este é o pé que significa a liberação, onde encontramos refúgio e salvação. Para que alcancemos a união com o Absoluto, ele precisa ser venerado. O que mais me impressiona, e que eu particularmente acho interessantíssimo é que a mão que aponta para o pé tem uma pose que imita a tromba de um elefante. Esse gesto é conhecido como gaja-hasta-mudra, e nos lembra o filho de Shiva, Ganesha, o “Removedor de Obstáculos”.

O deus dança sobre o corpo prostrado do anão-demônio, de nome Apasmara Purusa. Purusa significa Homem e apasmara quer dizer Esquecimento ou Imprudência, por isso o anão simboliza a cegueira da vida, a ignorância humana. Toda a energia criativa só é possível quando o peso da inércia é superado e reprimido. O Dançarino nos fala para deixar de lado a complacência e reunirmos nossos atos.

O palco onde o deus dança é um anel de fogo e luz (prabha-mandala) que o circunda. Ele significa os processos vitais do universo e de suas criaturas. É também a energia da sabedoria, a luz transcendental do conhecimento da verdade, cuja dança emana da personificação do todo. A imagem repousa num pedestal de lótus, que aloca o universo no coração e consciência de cada um de nós. É provável que a origem do anel flamejante se refira ao aspecto destrutivo de Shiva-Rudra; mas a destruição, em Shiva, é idêntica à liberação.

O dançarino personifica e manifesta a energia eterna em suas cinco atividades (pañca-kriya). A primeira é a Criação (sristi), o derramar ou expandir. Depois a Preservação (sthiti), a duração. Em terceiro vem a Destruição (samhara), o retorno ou reabsorção, seguido por Encobrimento (tiro-bhava), o velar do verdadeiro ser por trás das vestes e máscaras das aparências, da indiferença, da manifestação de Maya. Por último a graça (anugraha) - a aceitação do devoto, o reconhecimento do iogue, a concessão da paz através de uma manifestação reveladora. Essa revelação é não apenas simultânea, como também seqüencial. Todas as cinco atividades são manifestadas em seqüência, simultaneamente à pulsação de cada momento, através das transformações temporais.

O movimento incessante e ondulante dos membros de Shiva Nataraja faz um contraste com a estabilidade da cabeça e a imobilidade do semblante de máscara. Shiva é Kala, “O Negro”, “O Tempo”; mas é também Maha Kala, “O Grande Tempo”, “A Eternidade”. Seus gestos precipitam a ilusão cósmica, seus braços e pernas velozes, o ondular do torso produzem a contínua criação-destruição do universo, a morte contrabalançando de modo preciso o nascimento, a aniquilação como fim de cada criação. A coreografia é o redemoinho do tempo. O ritmo cíclico é marcado pelas batidas dos pés do Mestre. Mas a face mantém-se calma e soberana. Há uma tensão entre a dança e a serenidade de seu semblante: é a tensão entre a eternidade e o tempo. Nós temos a tendência de nos apegarmos à dualidade, com ansiedade e prazer. Mas a dualidade na verdade não existe. A ignorância, a paixão, o egoísmo, desintegram a experiência da essência suprema, na ilusão de um mundo de existências individuais. Este mundo, entretanto, EXISTE, apesar de toda sua fluidez, e jamais terá fim.

O cabelo do Shiva é um capítulo à parte. Eles são longos e revoltos, metade soltos e a outra parte encontra-se presa, como se fosse uma pirâmide. Uma energia vital sobrenatural, correspondente ao poder da magia, reside nesses cabelos enredados que a tesoura jamais tocou. Eles se expandem, formando duas asas à esquerda e direita, uma aura em suas ondas mágicas, a exuberância da vida sensorial.

Sabemos que grande parte do charme feminino está na fragrância, no brilho de uma linda cabeleira. É o apelo sensual do Eterno Feminino, poder criador. Por isso, quem quer renunciar às forças geradoras do reino animal, indo contra os princípios procriadores da vida, do sexo, da terra e da natureza, para ingressar na via espiritual do ascetismo absoluto deve raspar os cabelos. Isso é uma representação de um ancião, cujos cabelos já caíram, e que já não é mais parte da cadeia de geração.

Já o Shiva é duas coisas opostas: o asceta arquetípico e o dançarino arquetípico. Por um lado ele é a serenidade total, a calma absorvida em si, absorto no vazio do Absoluto, onde todas as distinções se fundem e dissolvem, todas as tensões estão em repouso. Mas por outro lado ele é a atividade total, a energia da vida, frenética e lúdica.

O dançarino representa não apenas um evento qualquer de uma deidade local, mas uma visão universal onde as forças da natureza e as aspirações e limitações do homem confrontam-se e são unidas. Se alguém tivesse que escolher um único ícone para representar o extraordinariamente rico e complexo patrimônio cultural da Inda, o Shiva Nataraja poderia ser o candidato mais indicado.


http://aguapotavel.blogspot.com/

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

HARA HARA GURUDEVA, PARABRAHMA PARAMESHWARA

 HARA HARA GURUDEVA,
PARABRAHMA PARAMESHWARA

O SIGNIFICADO:

Um mantra para atingir a purificação e descobrir a Unidade de Deus em todas as coisas.

HARA - Chakra da Alma – Ômega – Quem Recebe
GURU – Dissipador das Trevas
DEVA – Divino
PARABRAHMA – A Totalidade de Brahma, a 1ª manifestação de Brahman ou Ishwara
Parameshvara – O Senhor do Universo – o Deus Supremo

Literalmente – Recebemos, recebemos, o divino dissipador das trevas (Shiva) aquele que é a totalidade de Brahma, a totalidade do Senhor do Universo.

Hara Hara Mahadeva!!!

PASHUPATI - O SENHOR DOS ANIMAIS



“Shiva olhou os deuses e lhes disse: Sou o senhor dos animais...Os corajosos titãs, os asuras, só poderão ser destruídos se todos os deuses e outros seres assumirem sua natureza de animal. Os deuses hesitavam em reconhecer seu aspecto animal. Shiva lhes disse: Não é uma perda reconhecer seu animal ( a espécie que corresponde no reino animal ao princípio que cada deus encarna no plano universal). Apenas aqueles que praticam os ritos dos irmãos dos animais, Pashupatas, podem ultrapassar sua animalidade. Assim, todos os deuses e titãs reconheceram que eram o rebanho do Senhor e que ele é conhecido pelo nome de Pashupati, o senhor dos animais.” (Shiva Purana, Rudra Samhita, V, cap.9, 12-21).

sexta-feira, 4 de março de 2011

UM POUCO MAIS SOBRE LORDE SHIVA...


Shiva é considerado um Deus da fertilidade. Assim, a união de Shiva com sua shakti Parvati, é representada pelo Linga (o falo) junto com a Yoni (o útero), o que representa a abolição da dualidade.
Ele nos traz o ensinamento sobre o controle dos nossos impulsos espirituais, mentais, emocionais e físicos. Shiva é representado frequentemente como tendo cinco faces, o que lhe confere a consciência dentro dos quatro planos da matéria e do plano do éter superior.
Com quatro braços, representando sua tremenda capacidade de atuar nos quatro planos da matéria e transformar o mundo.

Seu terceiro olho (no centro da testa) está no formato oval e na posição vertical. Três olhos conhecidos como o olho do presente, do passado e do futuro. Eles mostram a Sua capacidade de tudo ver, “o Poder do Olho de Deus que tudo vê”, tanto no céu como na Terra.
Shiva sempre aparece coberto por uma pele de tigre ou com uma pele de elefante  com a face branca como a neve e cabelos opacos. Ele se parece como um yogi. A pele do tigre simboliza o domínio sobre a própria inquietação e dispersão; a pele do elefante simboliza o domínio sobre seu orgulho e agressividade.
Ele é amigo dos yogis e é quem os ajuda a atingir suas metas de realização em Deus. São yogis, todos aqueles que colocam sobre seus ombros os trabalhos de Jesus que é luz e que é leve e fácil.

O TRISHULA
Suas armas são o tridente, "Trishula" cujas três pontas simbolizam as propriedades do Deus como criador, conservador e destruidor. Uma espada, um arco e um bastão que terminam em um crânio, atributo característico dos ascetas e yogis, demonstrando o poder, o equilíbrio e o conhecimento.
Trishula representa a chama trina da trindade divina; o poder, o amor e a sabedoria de Brahman, as plumas da chama sagrada que podem destruir a ignorância dos humanos.
Trishula representa também o instrumento para punir aqueles que fazem o mal contra as crianças de Deus.


O DAMARU
Este tambor em forma de ampulheta representa o som da criação do universo. O universo nasce do som da criação, o AUM. 
É com o som do Damaru que Shiva marca o ritmo do universo e o compasso de sua dança. Este modelo de tambor emite som dos dois lados, um representando Alfa e o outro Omega. 

A SERPENTE NAJA
A Serpente Naja e muito retratada ao redor do pescoço e da cintura do Senhor Shiva. Ela é a mais mortal das serpentes, isto simboliza que Shiva dominou a morte e tornou-se imortal.
Na Yoga, a serpente representa a energia do fogo Kundaliní subindo pela coluna e ativando os chakras, produzindo a iluminação (samadhi), um estado de consciência expandida.
Repare as fotos do Senhor Vishnu, como as 7 Najas que encobrem sua cabeça, representando os 7 principais raios, isto mostra a sua grandiosa iluminação Cristica.
Shiva é uma das três divindades grandiosas de nosso sistema solar, ele é a divindade destruidora, a evolução e o progresso personificado, sendo ao mesmo tempo o regenerador;

Shiva é aquele que destrói as coisas sob uma forma imperfeita, mas as traz à vida sob uma outra forma mais perfeita.


SHIVA - RUDRA
O Shiva de Fogo encarregado da devastação Universal. A corporificação das onze encarnações do Senhor Shiva.

"No Rig Veda o nome de Shiva é conhecido como Rudra, que é uma palavra usada para Agni, o Deus do fogo. . ."; "Nos Vedas ele é o Ego divino aspirando retornar ao seu estado puro de deidade, e ao mesmo tempo esse ego divino está preso em forma terrena, cujas paixões ferozes fazem dele o 'feroz,' e 'terrível".
Shiva freqüentemente é dito como a divindade que patrocina os esotéricos, ocultistas, e ascéticos; Ele é chamado de Mahayogin (o grande ascético), de quem o conhecimento espiritual mais alto pode ser adquirido, ele é o caminho para a união com o grande espírito do universo, onde se pode conquistar o mais alto contato espiritual.
Shiva atua como o impressionante destruidor das paixões humanas e sentidos físicos, que estão no caminho do desenvolvimento das percepções espirituais mais altas e o crescimento do homem eterno interior.
Shiva Rudra é o Destruidor, assim como Vishnu é o conservador; mas ambos estão atuando para a regeneração do espiritual assim como da natureza física.
Fique de pé e abra os braços. Vishnu está em seu braço e mão do lado direito e Shiva no braço e mão esquerda. Eles se encontram no centro de seu peito no chakra do coração. Brahma está no topo de sua cabeça e Shakti está na base de sua espinha.
Vá agora mesmo a frente de seu altar e entregue seu coração ao Filho e ao Espírito Santo de Deus. Entregue sua cabeça ao Pai e suas pernas para a Mãe divina. Não saia de casa sem fazer isso. Entregue seu corpo e sua alma  à Deus e faça a vontade D'Ele.
Shiva Rudra é um nome que aparece muito escondido nos Vedas; uma referencia a Rudra como sendo o maior dos Kumaras, considerado pelos ocultistas como seu patrono especial.
A função de Shiva-Rudra é destruir em ordem de regenerar a entidade permanente em um plano mais elevado; suas funções são essencialmente as da ação, assim como as funções do Vishnu são essencialmente as de continuação e preservação.
Para tornar-se uma planta, a semente precisa morrer. Para viver como um ser ciente de sua eternidade, as paixões e sentidos do adepto, devem morrer antes que o seu corpo o faça. “Viver é morrer e morrer é viver,”
  Invoque Shiva em sua vida. Ele é o Criador e o Salvador do homem espiritual. Eliminando e destruindo as paixões do mundo material e físico, chamando à vida, as percepções do homem espiritual.
Shiva é freqüentemente chamado Maha-kala (o grande tempo), o poder reprodutivo que está perpetuamente restaurando o que foi dissolvido. Também chamado de Mahadeva (o grande Deus restaurador da vida).
Shiva é conhecido por mais de 1000 nomes e títulos diferentes. Ele é o grande  Deus da regeneração e da justiça.
SHIVA ! SHIVA ! SHIVA ! o amável, afetuoso, auspicioso.
Shiva é o Espírito Santo que consome os focos de ignorância e anti-amor, Shiva é o destruidor da maldade, do ódio, das doenças e dos demônios.
Ele espera que você purifique seu ser, seguindo o exemplo da Mãe do Mundo para só então, lhe servir o alimento da vida eterna.
Shiva atua com o raio rubi, o raio do amor intenso, amor consumidor do anti-amor.
Sempre que chamar por Shiva prepare-se para a purificação pelo Santo fogo do amor.
Shiva é  Shambu, o benigno, Shankara o beneficente, Pashupati, o Senhor do castelo.  O Senhor do castelo significa que as almas devem obedecer aos seus ensinamentos, para terem o controle sobre seus corpos e suas vidas.
Shiva é associado com a morte porque acima de tudo ele é o destruidor do ego humano e da mente carnal. Entregue-se a Shiva !
Shiva é a morte das mortes, mas também é o doador da imortalidade para seus devotos.
Shiva nos dá a força necessária para vencer a serpente do eu inferior para que possamos atingir a iluminação.
No topo da cabeça de Shiva se vê um jorro d’água. Ele representa o rio Ganges que nasce dos cabelos de Shiva. Uma antiga lenda conta que o Ganges era um rio muito violento e se descesse à Terra,  a destruiria com a força do impacto. Assim,  Shiva permitiu que o rio caísse primeiro sobre sua cabeça, amortecendo o impacto e depois, mais calmo, corresse pela Terra.
Esta estória, simboliza a proteção que Shiva nos dá como o distribuidor dos sete rios santos, isto é, aquele quem distribuí a luz em nosso chakras, potencializando os chakras secretos, nos ajudando a controlar e a equilibrar a luz em nossos chakras, para atuar na matéria a vontade de nosso Pai, servindo à toda a vida.
Mas isto só ocorre se participarmos com ele, chamando-o para o nosso coração.
Invoque o poder do Espírito Santo em seu coração e veja Shiva atuar em sua vida.
O Senhor Shiva vive na montanha sagrada Kailasa no Tibet. Ele é visto lá em sua solitária figura de asceta e também com sua Shakti, Parwati.
Shiva nos ajuda na abertura do terceiro olho, isto representa a visão do conhecimento da realidade divina, o que destrói a ignorância.
Ele é o Senhor da dança, sua dança destrói tudo que aprisiona a alma. Ele dança sobre os demônios que personificam a ignorância e a ilusão. Sua dança representa a verdade cósmica em ação. 

SHIVA NATARAJA - O REI DA DANÇA
Shiva é conhecido em sua principal estátua como “Shiva Nataraja”, o rei dos dançarinos, o rei da dança. Sua dança é uma manifestação física do ritmo cósmico. Shiva Nataraja personifica o movimento do universo. Ele atua no cosmo como se fosse seu teatro, Ele se coloca como ator e publico ao mesmo tempo.
A estátua apresenta Shiva com quatro braços, dançando dentro de um circulo de fogo e pisando sobre um demônio. Esta dança chama-se Tandava. O primeiro braço, com a palma à frente, Ele nos diz: "Não temam a mensagem da transformação que vos trago, pois eu represento a solução dos problemas".
O segundo braço segura um pequeno tambor (damaru) que marca o ritmo da dança, e que significa: "Todo o universo segue um ritmo e a uma ordem cíclica. O tambor representa o som da criação.”
Com o terceiro braço Shiva segura línguas de fogo "É chegada a hora da destruição, completando assim o ciclo da criação”. “No passado, o mundo acabou-se pelas águas de um dilúvio, agora a destruição virá pelo poder do fogo".
As línguas de fogo ao redor do circulo significam: "As bordas da Terra serão queimadas pelo fogo".  Um pé está sobre uma figura animalesca, que representa a natureza inferior e animal do homem, o eu inferior do ego humano.
O quarto braço apresenta o caminho da salvação apontando para o pé levantado, querendo dizer: "O ser humano deve negar as suas más inclinações, as más paixões, os instintos bestiais, oriundos da sua natureza animal inferior e seguir sua natureza superior e espiritual: Os humanos devem abster-se do ódio, dos vícios, dos excessos e buscar atingir o autocontrole”.
Seu pé esquerdo que está levantado do chão e apontando para cima, mostra-nos o caminho da vitória e da salvação. Shiva dança nos campos de batalha, cemitérios e em todos os lugares associados com a morte. Ele retira a luz energia que restam nos campos sangrentos.
Shiva é o grande guru que vem para nos salvar da ignorância, do esquecimento e do ego humano. Ele representa a verdade cósmica e seu amor liberta-nos de tudo que nos separa da unidade com Brahman.
Diga SHIVA OM - SHIVA OM - SHIVA OM.
SHIVA é o poder e OM é a materialização deste poder na terra.
Repita este mantra várias vezes por dia, e principalmente quando estiver perante problemas como desordem, brigas, animais ferozes, ladrões e etc. ou mesmo quando quiser libertar-se de um vício como o do uso de drogas ou perversões de qualquer natureza.
Grite por SHIVA e alegre-se ao ver o seu poder de ordem em ação. É importante que você crie um momentum de poder com Shiva entoando seus mantras e comandos de Luz todos os dias, só assim nas horas de perigo Shiva poderá atendê-lo de imediato.
Shiva deve ser visualizado também quando fazemos o mantra OM NAMAH SHIVAYA, que significa eu me curvo diante de ti Senhor Shiva. Ao entoar este e outros mantras de Shiva visualize-o em torno de você.
Enquanto entoa o mantra curve-se diante de Shiva. Visualize o fogo rubi em torno de Shiva e ao seu redor consumindo toda a imperfeição do seu ser.
Espere pela união com Shiva através de sua devoção, invocações, mantras e visualização. Finalmente veja Shiva sobre você e você dentro dele. Visualize este fogo entrando pelo seu estomago através de seu chakra do Plexo Solar. Como terceira pessoa da trindade hindu, ele destrói o universo ao final de cada era para que este possa ser criado novamente.
Ele vem com o fogo consumidor do amor divino que destrói o ódio, a maldade, os demônios e o ego humano, varrendo a terra do mal, não significando necessariamente a destruição do mundo físico pelo fogo físico, mas sim, a destruição do mal e das trevas pelo fogo sagrado.
Agradecemos a Deus Pai, Filho e Espírito Santo a oportunidade de levarmos todos estes conhecimentos a tantos filhos da luz. Deus salve a nossa Mãe Terrenal !
Om Brahma, Om Vishnu, Om Shakti, Om Shiva !
Paulo Rodrigues Simões  


http://www.grandefraternidadebranca.com.br/shiva.htm

A NOITE DE SHIVA - MAHASHIVARATRI


 Maha Shivratri, a noite de adoração a Shiva, acontece na 14a. noite da lua nova durante a quinzena escura do mês Phalguna, que nesse ano cai no dia 6 de março no calendário ocidental. Nessa noite os hindus rezam para o senhor da destruição. Shivaratri (ratri significa ‘noite’ em sânscrito) é a noite em que Shiva fez pela primeira vez a Tandava Nritya ou a dança da criação, preservação e destruição primordial. O festival acontece somente nessa noite.
De acordo com os Puranas, durante o mitológico ‘batimento’ do oceano, chamado Samudra Manthan, um pote de veneno emergiu do oceano. Os deuses e demônios ficaram aterrorizados, pois o veneno poderia destruir todo o mundo. Quando eles foram pedir ajuda à Shiva, ele, para proteger o mundo, bebeu o veneno fatal mas o manteve na sua garganta ao invés de engolir. Por isso há uma mancha azul em seu pescoço, e desde então ele passou a ser conhecido como Nilkantha, o da garganta azul. Shivaratri celebra esse momento de quando Shiva salvou o mundo.
Há também uma outra história que conta que foi nessa noite que Shiva se manifestou pela primeira vez como lingam, para tentar acabar com uma discussão entre Brahma e Vishnu sobre quem era o deus superior. Então, na forma de uma grande coluna de fogo, Shiva se mostrou superior a ambos.
Esse festival é considerado muito auspicioso, especialmente para as mulheres. Acredita-se que foi nesse dia que Shiva se casou com Parvati. Por isso, as mulheres casadas rezam para o bem estar de seus maridos e filhos, e as solteiras rezam para conseguir um marido ideal, como Shiva, que é o esposo de Kali, Parvati e Durga. Mas geralmente acredita-se que qualquer pessoa que chame o nome de Shiva durante o Shivaratri com pura devoção é libertada de seus pecados. Essa pessoa alcança a moradia de Shiva e é liberta do ciclo de nascimento de morte (Moksha, salvação).
No dia de Shivaratri, uma plataforma com três níveis é construída ao redor de uma fogueira. O andar mais alto representa swargaloka (paraíso), o do meio é antarikshaloka (espaço) e o de baixo é bhuloka (terra). Onze urnas ou kalash, são mantidas no swargaloka, simbolizando as onze manifestações de Shiva Rudra. Elas são decoradas com bilva (folhas de macieira) e folhas de manga sobre um coco representando a cabeça de Shiva.


O símbolo fálico que representa Shiva é chamado de lingam. Ele é geralmente feito de granito, pedra sabão, quartzo, mármore ou metal, e tem uma yoni ou vagina como sua base, representando a união dos órgãos sexuais masculinos e femininos. O devotos circulam ao redor do lingam e o adoram a noite toda. Ele é banhado a cada três horas com as cinco oferendas sagradas da vaca, chamadas de panchagavya – leite, coalhada, urina, manteiga e estrume. Depois as cinco comdas da imortalidade – leite, manteiga clarificada, coalhada, mel e açúcar são colocadas na frente do lingam. Dhatura e jati, apesar de serem frutas venenosas, são consideradas sagradas para Shiva e também são oferecidas a ele.
Durante o dia os devotos mantêm um jejum severo, entoam o mantra Panchakshara sagrado “OM NAMAH SHIVAYA”, fazem oferendas de flores e incenso ao Senhor enquanto os sinos dos templos ressoam. Eles mantêm longas vigílias durante a noite, mantendo-se acordados para ouvir histórias, hinos e canções. O jejum é quebrado somente na manhã seguinte, depois de uma longa noite de adorações.
Algumas orações são:

 Oração para Shiva - I
Om Sarva Mangal Manglaye Shivay Sarvaarth Sadhike
Sharanye Trayambake Gauri Narayaani Namostu Te
Oh divino casal Shiva Parvati !
O ! Vós, os protetores desse universo,
Juntamente com Brahma e Vishnu
Nós oramos para Vós por nosso bem estar, prosperidade e iluminação de nossas almas.

Oração para Shiva - II
Esse mantra é uma oração para Shiva que é chamado de Sankara e Trayambaka. Sankara significa aquele que dá bençãos: (sana = bençãos, Kara = o Doador). Trayambaka é aquele com três olhos, onde o terceiro olho significa o doador de conhecimento, que destrói a ignorância e nos liberta do ciclo de morte e renascimento..

Om Namastestu Bhagavan
Visvesaraya Mahadevaya
Trayambakaya Tripurantakaya
Trikagni - Kalaya
Kalagni - Rudraya Nil - Kanthaya Mrityunjaya
Sarvesvaraya Sadadhivaya
Sriman Mahadevaya Namah.
Om. Eu me curvo a Shiva, que é o criador e protetor do universo, que é o maior entre os deuses, que possui três olhos, que é o aniquilador de todos os três mundos, cuja garganta é azul, que é o conquistador da morte, que é o Senhor de tudo, que possui todas as marcas de grandeza. A Ele me prostro.

Oração para Shiva - III
Naagendra haaraaya thriloochanaaya bhasmaangadhaaraaya maheshwaraaya
Nityaaya shudhdhaaya digambaraaya tasmai nakaaraaya namahshivaaya
Saudações a Shiva que veste uma serpente como guirlanda, que possui três olhos, cujo corpo nu está coberto de cinzas, que é para sempre puro e a própria incorporação do sacrifício.

Shiva Dhun
Shivo Bhokta, Shiva Bhojya
Shivo Karta, Shivah Karma
Shivah Karanatmakah
Shiva é aquele que experimenta e o maior objeto de experiência. Shiva é o objetivo do Sadhana. Não há nada sem Shiva. Não há nada além de Shiva. O que existe é Shiva. Não há nada que não seja Shiva. Não há lugar que não seja Shiva. Não há tempo que não seja Shiva. Conhecer isso é conhecer Shiva.

Saiba mais em: http://www.mahashivratri.org/

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