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sexta-feira, 18 de abril de 2014

É SEXTA-FEIRA

É Sexta-feira! Sexta-feira santa, Sexta-feira 13 e todas as outras sextas!


A fantástica história da sexta-feira
Escolhemos publicar está série sobre símbolos e significados todas as sextas-feiras. E não poderíamos demorar tanto para falar sobre a magia desde dia da semana envolto em tantos mistérios. Não encontramos nenhum dia da semana que se compare a quantidade de histórias, mitos e lendas que rodeiam uma Sexta-feira. 

Sexta-feira – O sexto dia da semana
Sexta-feira é o sexto da semana, na magia é um dia favorável para magias de amor, beleza, prazer sexual, fertilidade. Encontramos este dia influenciado fortemente pelo planeta Vênus (astrologia), a deusa Vênus (romanos), Afrodite (gregos) ou Friga (nórdicos).
Origem do nome Sexta-feira - Em muitos idiomas os dias da semana são em homenagem aos deuses, Marte, Júpiter, Saturno, Vênus  Mercúrio. Mas por determinação do papa Silvestre II o nome dos dias da semana deveriam ser modificados para eliminar as influências dos deuses pagãos. Portugal, país de forte tradição católica, obedeceu ao Papa e os dias passaram a se chamar segunda-feira, terça-feira.... Números acompanhandos da palavra feira, lugar onde os comerciantes iam para fazer negócios. Domingo e Sábado não apresentam a palavra feira, pois ficaram sendo considerados dias sagrados, o Sábado dia de descanso e o Domingo o dia em homenagem a Deus. O Brasil, país de colonização portuguesa herdou este costume de chamar os dias de segunda-feira, terça-feira... Sexta-feira. 

Sexta-feira - O dia em que Jesus Cristo foi crucificado
O fato de Jesus ter sido crucificado em uma sexta marcou o dia com este sinal ruim, a sexta-feira passou a ser vista por muitos como um dia de azar.

Sexta-feira Santa – Feriado em que todos lembram a morte do Jesus Cristo
Todos os anos, a primeira sexta-feira de lua cheia após o equinócio é sexta-feira santa. Este dia varia entre 22 de março e 25 de abril. A sexta-feira santa também é conhecida como sexta-feira da Paixão ou sexta-feira maior.

Sexta-feira 13
Soma-se o dia de "azar" sexta-feira com o número de "azar" que é 13. Temos assim dois miticismos somados a sexta-feira com o número 13. E quando uma sexta-feira cai em agosto (mês considerado de azar) aí então vira um deus nos acuda! Vale lembrar que isto não é uma unanimidade, muitos consideram este um dia de sorte. 

Na magia este dia pode ser um dia especial. Veja aqui simpatias para sexta-feira 13.

Em outras oportunidades veremos mais sobre o número 13, o número da carta do tarot a Morte, das 13 pessoas que estavam na última ceia. O mês de agosto também merecerá um artigo especial sobre o seu simbolismo, talvez em agosto.

Sexta-feira 13 de Agosto! Só se fala em gato preto, figa, passar de baixo de escada, trevo de 4 folhas, ferradura, alho, água-benta e outras coisas. 

Acontecimentos marcantes de uma sexta-feira 13
Alguns acontecimentos tristes aconteceram em uma sexta-feira 13 e só consagraram este dia como um dia de azar. Em uma sexta-feira 13, em outubro de 1307, a ordem religiosa dos Cavaleiros Templários teria sido dizimada pelo Rei da França Felipe IV.
Na mitologia nórdica, 13 está relacionado com a morte de Balder, que também em uma ceia com 13 pessoas acabou morto por uma drama causada pelo Deus Loki, um espírito do mal e da discórdia.

Sexta-feira - O dia da deusa Vênus e Afrodite
Muito do que é atribuído as forças mágicas da sexta-feira para magias de amor e beleza deve-se a deusa Vênus que é a deusa regente da Sexta-feira.
A deusa Vênus tem como correspondente a deusa grega Afrodite.

Sexta-feira - O dia da deusa Friga
Sexta-feira na cultura nórdica é o dia consagrado a deusa Friga ou Frigga. Esta deusa é do amor, união e fertilidade.
Uma lenda conta que quando o seu povo converteu-se ao cristianismo, conseqüentemente a deusa passou a ser considerada uma entidade maléfica. Ela teria ficado tão furiosa, que se reuniu com um demônio e 11 feiticeiras (13 pessoas portanto) e ficaram lançando maldições sobre as pessoas. 

Sexta-feira de lua cheia
Aqui temos uma grande junção dos poderes da lua com os poderes da sexta-feira. A lua cheia é o período de maior poder mágico, propício para grandes feitiços e é ótima para magias de amor.

Muitos acreditam que é em uma sexta-feira de lua cheia que o lobisomem aparece.

Sexta-feira de lua cheia e sua magia. 

Sexta-feira do Diabo - O fato de ser o sexto dia da semana, muitos relacionam a sexta-feira com o número 6, que seria número do diabo. 

Fonte: http://magiadobem.blogspot.com.br/2013/05/e-sexta-feira.html

sábado, 12 de abril de 2014

MÌSTICOS


A maioria das pessoas não sabe ler e interpretar um místico. Eles são facilmente confundidos com os Esotéricos, até, talvez, com alguns praticantes de seitas que usam de magia e sessões Espíritas.


Por definição natural, misticismo é a prática, estudo e aplicação das leis que unem o homem à Natureza e ao Universo.
Desta forma, a Mística se distingue da Religião por referir-se e procurar ter a experiência direta e pessoal com a divindade que cada um tem, com o transcendente, sem a necessidade de intermediários, dogmas ou de uma Teologia.

O Místico é o estudioso que aplica o que conhece, pois tem noção dos efeitos de não agir conforme o seu saber interior. É importante ressaltarmos que saber é a origem e o principio da palavra sabedoria. Muitas pessoas são ávidas de ensinar sem terem a mínima noção do que estão falando. Seguem valores dos outros que, invariavelmente, são manipuladores de mentes.

O sábio só o é porque aplica o seu conhecimento. A sabedoria vem do conhecimento aplicado. Os nossos valores são, essencialmente, como a própria palavra já diz, oriundos de nosso interior e de tudo aquilo que gostamos e apreciamos.
A ciência consegue explicar como o mundo funciona, mas não ajuda o ser humano a encontrar um significado para sua vida.

O conhecimento esotérico é voltado para dentro, o conhecimento das verdades eternas e puras. Não procura entender como as coisas funcionam, mas, praticamente, só porque é que elas existem.
Portanto, a diferença fundamental entre o ser humano místico e o esotérico é que um estuda as causas, o outro se deslumbra e aceita o efeito... Portanto é fundamental saber entender e diferenciar uma definição da outra.

Esotérico significa interior, porém interior sem conhecimento. Muitas pessoas são consideradas conhecedores dos outros campos de energia, mas não conseguem ser sábios, pois apenas são veículos de passagem de energia ou médiuns, como queiram.

Religião é seguir homens. Filosofia de Vida é seguir a si próprio sem medo e sem temor. Obviamente é mais difícil encontrar e escolher uma filosofia de vida que nos agrade, porém, sempre o que é mais fácil é menos recomendável.

Sou o que admito ser.

Serei amanhã o fruto dos pensamentos e decisões que tomo hoje. Jamais posso querer ser uma pessoa de sucesso se renego o meu trabalho. Jamais terei uma empresa profícua se o que penso sobre ela é vendê-la. Jamais terei uma vida feliz se convivo com uma pessoa que não suporto, mas que me dá apenas e tão somente segurança financeira. Jamais terei um dia feliz se a minha vida é pautada por atitudes e momentos supérfluos.
Assim, não adianta reclamar da vida que levo hoje achando que deus me abandonou. A minha vida atual foi construída em minhas atitudes tomadas ontem. Se preciso mudar, tenho EFETIVAMENTE QUE CRIAR NOVOS VALORES E SUCESSIVAMENTE NOVAS ATITUDES.

O que não é meu pertence ao outro. Renegar o sentido de propriedade faz com que a nossa se torne frágil, definhe e tenha fim incerto.

O medo acoberta todas as nossas futuras vitórias. Ensinar medo a um filho é a pior atitude que um pai ou uma mãe podem ter. O filho fica inseguro para agir e isso ele vai carregar pelo resto de sua vida. A probabilidade que a droga seja sua companheira é enorme.






quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

OS SETE PRINCÍPIOS DA MÍSTICA




"Ofereço-vos o modo mais simples de dizer as coisas secretas. Entretanto, só os que realmente as podem ter é que as entenderão."

OS SETE PRINCÍPIOS DA MÍSTICA

Enumeremos a seguir o que consideramos as Sete Chaves do Além. Usamos vossos termos, embora em sânscrito possuam outro valor, para poder ser melhor entendido. São três grupos de princípios, a saber:
1º. Grupo - Vigilância, Intenção e Sentimento;
2º. Grupo – Auto-conhecimento, Intuição e Integração universal;
3º. Grupo - A Verdade.
Este último grupo resume, na Sétima Chave, todas as demais.

1 – VIGILÂNCIA_COMPREENSÃO, ATENÇÃO
Já vos informei que estamos expondo os princípios secretos mais profundos que o homem pode atingir em sua presente vida. Eles dão resposta a vossas mais profundas dúvidas. Eles resolvem o conflito do mundo, o vosso conflito interior. Prestar atenção, eis o primeiro segredo. Se soubésseis compreender, talvez pudésseis ter aproveitado os últimos seis mil anos de experiência com sessenta mil guerras externas e já saberíeis como evitá-las. Atenção é o elemento essencial para compreender. Vigilância é o melhor termo que nos convém. Porém , se estiverdes atentos ao conflito que vai pelo mundo, a fome, a guerra, a doença, a competição, tudo formas e consequências de conflitos, vereis que se trata apenas da exteriorização de vosso próprio conflito interior. Tudo se resume no egoísmo. Egoísmo individual, vosso e meu, eis a base do conflito. A esse egoísmo dais muitos nomes: luta pela vida, competição, religião, ideologia, nacionalidade, etc.

Perguntareis: ‘Então quereis provar que eu sou responsável pela miséria, guerra, fome e conflitos do mundo?’’
Eu vos respondo: exactamente isso é o que vos digo e só encontrareis vossa verdadeira paz quando atingirdes essa paz dentro de vós.
Simplifica-se a Chave da Atenção, portanto, ao mundo exclusivo da vossa realidade interior.

Mas, como podeis vigiar, como podeis compreender todos os vossos conflitos interiores?
Pensais em enfadonhos exercícios, em concentrações profundas, em meditações prolongadas... Pensais em esforço. Eis vosso engano. Compreender, estar atento, não se obtém com esforço. É no preciso instante em que deixais de fazer esforço que começais a compreender.

Observai vossas acções e vossos pensamentos (egoísmos, ambições, desejos, medos, etc.) sem procurar julgá-los, sem condenar, sem criticar, sem aprovar. Tomai apenas consciência do que está acontecendo. Sois egoísta? Agistes com ambição? Sentis medo? Por favor, não procureis transformar vossos actos e pensamentos no oposto, pois continuareis em conflito, em outra posição, talvez maior ainda.
A compreensão se obtém sem julgar, sem condenar, sem aprovar. É vigilância passiva e sem qualquer esforço.
Esta a primeira chave, o primeiro grande segredo – Saber Vigiar, saber Estar Atento, Saber Compreender. Isto é estar desperto.
Ao usá-la, o compartimento de vossos conflitos e, portanto, os do mundo todo, fica aberto e acessível a vossa observação.
Adiante vereis o grande valor desta chave para a transmutação, libertação e revolução interior.

2 - VONTADE, INTENÇÃO
Dissemos que a Intenção era o segundo princípio que vos exporíamos. A Palavra que devemos usar é ‘’vontade’’. Tendes a primeira chave e sabeis estar atento, sabeis vigiar. Só vigiar não basta. Deveis ter a intenção de vigiar. Quando dizemos vontade, pensamos imediatamente em desejos, ambições, esforço para obter alguma coisa, razões e raciocínios para agir.
Porém, não será disso que vos falarei.
Vós estais procurando abrir as portas do secreto, do oculto, do além, da mística e já compreendestes que esse conhecimento está dentro de vós. Por que não o atingistes ainda? Eis que vos faço presente de uma das chaves que vos faltou – a Intenção. Esta intenção, esta vontade de abrir as portas do secreto, também não exige esforço. É uma intenção passiva e que se traduz pela exclusão. Se quereis, se tendes a intenção de compreender o oculto, deveis excluir tudo o mais. Deveis libertar vossa atenção de todos os conflitos, para que fique somente a intenção, o abandono ao Absoluto..

Achais difícil? Não o será, se, com um pouco de paciência, prosseguis comigo e recebeis as demais chaves. Cada uma isolada leva a becos sem saída. Vede à frente que a intenção é global. Vós quereis abrir todas as chaves. Essa a verdadeira intenção.
Cada chave vai adquirir nova profundidade quando conhecerdes a seguinte, após ter esclarecido ou confirmado a anterior. Nenhuma é menos importante que as demais. Todas funcionam sem esforço e todas são do vosso interior. Só vós as podeis usar.
Até este ponto, já sabeis que o começo da descoberta do oculto que está dentro de vós, começa com a Vigilância, mas trata-se de uma Vigilância com a Intenção global de alcançar a verdade que se esconde dentro de vós. É uma Intenção especialíssima, portanto.

3 – SENTIMENTO
Vós já prestais atenção aos conflitos, às guerras, à vossa confusão interior e tendes a intenção de resolver definitivamente tais conflitos e confusões. Por esse motivo, mesmo que nada vos dissesse, já percebeis que esse estado de coisas não se deve a raciocínios e pensamentos que existem em demasia. Já estais de posse do segredo que todos conhecem: o que há de errado fica no mundo dos sentidos. O que falta é amor, no sentido de sentimento de que fazemos parte de uma mesma energia universal, estamos integrados, e irmanados e não isolados. Ainda mais, no sentido de fazer o bem sem esperar recompensa, no sentido de superação do egoísmo.
Isto é o evidente, o óbvio. E no entanto, direis que é impossível praticá-lo. Achais mais leve suportar conflito? Ou achais que esse amor deve partir dos outros e não de vós? Vós sois a parte mais importante do Vosso Universo. Vossos sentimentos se reflectem nos outros e voltam para vós. Se não iluminais, como quereis receber e reflexo? É regra desta vida que aquilo que fazeis aos outros vos retorne e em dobro.
Sentir, portanto, é um dos segredos de todas as religiões e místicas. A chave dos sentimentos também é, igual às demais, sentir sem esforço, sentir naturalmente, sentir como se fôsseis , e realmente sois, integrados na vida universal, no próximo, e até no que considerais vosso inimigo.
Se não sentis amor pelo próximo, sem a experiência deste sentimento, jamais haveis de sentir se o próximo tem amor por vós. Muitas vezes são os sentimentos dos outros para convosco melhores do que os vossos e, vossa experiência sendo falha, os interpretais mal. Jamais encontrareis o caminho dos segredos se não souberdes sentir.
Já tendes a vigilância para evitar este erro. Tendes a intenção de colaborar na solução dos conflitos e já sabeis que a acção é Amor.
Porém, como manifestá-lo?

Sabeis que o grande segredo é, em todas as chaves, a ausência de esforço. Aqui se trata em primeiro lugar de praticar o desapego, à medida que vigiais vossos actos, desejos, egoísmos, ireis libertando-vos das coisas que vos possuem enquanto pensais que as possuis e no entanto fazem falta ao vosso próximo. O desapego será a melhor e primeira manifestação do sentimento de amor ao próximo.
Tal chave é a libertadora da grande revolução interior e que vai mudar o mundo. Esta pode libertar-vos do peso das posses e riquezas, tornando-vos leves e felizes.
Não vos apresseis a julgar ou raciocinar. Deixai que a vossa consciência vá vigiando e compreendendo. Permiti que vossos sentimentos se manifestem. Não façais endurecer vossos corações. Antes pelo contrário – fazei vossos sentimentos caminhar para a infância. A criança é o melhor e o mais completo exemplo de atenção sem esforço, intenção sincera e sentimento puro. E suas reacções também. Foram os condicionamentos, os egoísmos e ambições que encobriram vosso verdadeiro ‘’Eu’’.

4 – AUTO-CONHECIMENTO
Toda vossa ciência Ocidental tem optado pelo lado material terrestre, pelo invólucro das coisas, sem prestar atenção ao seu interior. Mesmo ao estudar o homem, primais pelo exame superficial do vosso corpo e não compreendeis que sois o centro de tudo, e em vosso interior se guardam os segredos do Infinito e do Absoluto.
O auto-conhecimento a que me refiro não é, portanto o conhecimento do vosso corpo e da matéria de que é feito, porém, o exame profundo do vosso ‘’Eu’’.
Com as três chaves anteriores – Vigilância, Intenção e Sentimento – podeis começar o vosso exame interior. O segredo está, como já vos disse, em não fazer esforço, em observar-se.
Lamentamos que nosso mundo oriental também se degrada aos poucos aceitando o azáfama exterior como a actividade mais importante. Porém, os profundos conhecedores de si mesmos jamais serão dominados. Essa aparente invasão e conquista se destinou, por ordem do Além, para abrir as portas dos Segredos ao Ocidente.
O auto-conhecimento através da auto-vigilância é um acto intencional que nos levará ao profundo sentimento de amor para connosco mesmos, primeiro passo para poder estender esse amor aos outros e ao infinito.
Pensais que seja difícil observar-se. Pensais em concentração. Objectareis que precisais de um Guru para orientar vossa meditação.
Vou mostrar-vos o quanto é fácil, usando um sistema que veio do oriente e cujo ‘’roubo’’ os Yogues vos perdoam pela utilidade que vos possa trazer – a psicanálise, o sofá do psiquiatra.

Tendes um problema, uma neurose, um recalque, ou outro desajustamento qualquer? Deitai-vos no divã. Soltai vossa taramela interior. Caminhai de facto em facto até que toqueis no facto que, jogado ao vosso mundo interior oculta, fora do vosso controle, recalcado e esquecido, causou-vos os malefícios de que vos queixais. Tão logo encontreis a causa e a aceitais, sem crítica, sem condenação e também sem aprovar, eis que o problema todo se esfuma como que por encanto. Isto os psiquiatras sabem fazer. Vós podeis fazer, sempre que tiverdes problemas, frustrações, conflitos, essa vigilância e eles sumirão. O psiquiatra, no entanto, não entende a causa de tal milagre. Explico-os: vosso ‘’Eu’’ é um conjunto de véus ou vestes que são vossos preconceitos, recalques, hábitos, costumes, condicionamentos, egoísmos, ambições ou desejos. Toda vez que conseguirdes identificar um desses véus, ele cai por terra e conseguireis ver mais para dentro de vós mesmos.
Com o psiquiatra chegareis apenas ao ponto em que permaneceis nos condicionamentos de vosso ambiente, ou seja, com os véus que todos vossos vizinhos também possuem. Se trabalhardes por conta própria e examinardes um a um os véus dos desejos, ambições, condicionamentos, preconceitos, Sem Esforço, ireis jogando-os fora um a um até que estejais só Vós frente a Vós mesmos.
Pensais que esse facto seria aterrador?

Muitos no ocidente assim disseram e eu o tenho ouvido amiúde. Garanto-vos que isso se deve à falta de compreensão. Se compreendêsseis o objectivo do auto-conhecimento sem ‘’egolatria’’; se percebêsseis esse auto-libertar-vos sem egoísmo, sem a busca do poder absoluto ‘’Eu’’; se assim vos libertardes dos véus, atingireis em breve as três chaves que se seguem.
Enquanto seguirdes as ditas Sociedades Secretas em busca de perpetuação do vosso ‘’Eu’’ , em busca do poder e da riqueza, enquanto aceitardes as chaves secretas para o vosso benefício, faltar-vos-á um véu a eliminar, o véu do egoísmo. Com ele não chegareis à intuição, ao amor universal nem à Verdade.
Enquanto seguirdes as religiões em busca da salvação pessoal, egoísta, como passagem para o Além, tereis que nascer e renascer muitas vezes para poder libertar um dia do último véu o ‘’Eu’’ profundo que se anulará na Integração Universal.
Enquanto lerdes este livro em busca de solução externa, dada pelo guru, de nada vos há-de servir.
Lembrai-vos bem: o auto-conhecimento é sem esforço e só pode ser feito por vós mesmos. O auto-conhecimento liberta. Na medida em que vos conhecerdes, ficareis mais leves, pois livres dos véus.

5 – INTUIÇÃO
Quando vossos véus forem caindo, quando vosso auto-conhecimento for caminhando decididamente, no rumo certo, vosso ‘’Eu’’, mais livre dos terríveis pesos dos egoísmos e dos condicionamentos, dos hábitos e dos preconceitos, vos acontecerá um fenómeno ainda estranho ao ocidental e que alguns já vislumbram, que é o conhecimento directo das coisas.
Abstractamente dizeis que conhecer é identificar-se com o objecto do conhecimento.
Como podeis alcançar essa identificação se estais envoltos em brumas? Com o auto-conhecimento saireis das brumas e talvez vos assuste a luz. Por isso vos dou mais esta chave como precaução. Pois começareis a ver as coisas todas do vosso mundo em vertigens de atingimento directo. Pensareis ter atingido poderes secretos e vos lançareis ao seu uso. Não vos iludais como tantos que palmilharam esse caminho. Caireis como eles no vazio do vosso próprio egoísmo. Acreditareis que eram demónios ou espíritos que iludiram e depois vos abandonaram?
Previno-vos que o fenómeno é natural – quem tinha dez véus sobre os olhos e tirou nove, vê melhor do que os que continuam com seis ou quatro.

No ocidente estudam este facto com nomes como telepatia, telecinese, premonição, vidência, profecia, em ciência com o nome de Parapsicologia. Falam em ‘’dom’’, ‘’poderes’’, etc.. Facilmente a literatura vende ‘’terceira visão’’, falsos profetas e mais frustrações.
Vós compreendereis que qualquer um pode chegar lá. Qualquer um que se desprenda dos véus atingirá em sucessivos graus e por tempos cada vez superiores o conhecimento directo ou intuição. E sempre será obtido esse estado sem esforço. Basta deixar que ele ocorra sem procurá-lo. Irá sua mente ao além, ao futuro, ao passado, ao oculto, ao distante, às outras mentes, às coisas. É o começo do verdadeiro. Conhecimento.
Na medida em que souberdes usar as chaves que já tendes, assim chegareis ao conhecimento directo. No auto-conhecimento vos libertais de tudo que vos oprime. Podeis assim usar a intuição. Porém, o fenómeno intuitivo chega bem antes de concluir a libertação e anulação do ‘’Eu’’. Esta chave deve ser bem usada, para concluir o auto-conhecimento pela identificação com as demais coisas, inclusos nelas todos vossos semelhantes.
Esta é a chave de ouro para aferir o vosso grau de libertação e permitir o uso da sexta chave. Só quando todos os véus caírem é que vereis as coisas com perfeição. Se vossa intuição avança e depois cai, perguntai a vós mesmos a causa. Tudo que vos sucede tem como causa algo dentro de vós mesmos: criastes ou recriastes mais um véu? É evidente que vos há-de perturbar.

6 – A INTEGRAÇÃO UNIVERSAL
Estando vigilantes com a intenção de alcançar o verdadeiro amor, atingistes o auto-conhecimento e libertastes a intuição para completar-vos pela anulação do vosso ‘’Eu’’ em um acto de Amor Universal.
Neste último estado, cujo segredo continua sendo o mesmo (Sem Esforço), vós vos identificais com vossos semelhantes, com os objectos do conhecimento, com o Absoluto, num êxtase de Amor Universal.
Muitas vezes o yogue tem feito segredo deste estado, fazendo crer que só alguns privilegiados, à custa de esforços incríveis, cultivando posturas físicas e concentrações mentais inauditas, só alguns, podem atingir tal estado. Outros têm dito que tal estado só se alcança após a morte. O motivo é que houve proibição do Além. Quem soubesse, era ‘’iniciado’’ e devia guardar segredo, pois os demais não estavam para atingi-lo.
Essa proibição terminou.
Eu vos asseguro; nem é perigoso, nem se morre fisicamente para atingir o amor universal, o êxtase da integração.
Está chegado o tempo em que todos vós podereis alcançar esse estado. Está chegando o tempo em que será necessário que chegueis a ele para libertar vosso mundo dos eternos conflitos.
Já sabeis o caminho, pois tendes as cinco chaves para passar as portas que levam a esse estado. Ao atingir a intuição, aos poucos chegareis ao ponto em que podeis perceber o ‘’longe’’, o ‘’passado’’, o ‘’futuro’’, o Absoluto’’, vossos semelhantes, como sendo vós mesmos, pois estais integrando-vos aos poucos num Eu Universal. Compreendereis por vós mesmos que o amor ao próximo é amor a vós mesmos.
E após o atingimento desse estado, podeis voltar ao vosso pequeno mundo, aos vossos afazeres, ao vosso dia-a-dia. Porém voltai integrados e dispostos à parte prática, pois em caso contrário, perdereis tudo que alcançastes, as chaves enferrujarão e retornareis passo a passo ao marco zero.
Sei que se de verdade chegareis a este ponto, não desejareis perder o terreno conquistado, pois atingindo uma só vez a Integração, já estais com o primeiro passo para a Transmutação que é a última chave.
Se já lestes os mestres yogues, talvez tenhais visto belas descrições literárias desse êxtase: cada um que o alcança, deseja que permaneça e por isso mesmo o perde e fica frustado. Vós já estais esclarecidos para o fenómeno. O segredo é sempre alcançar os estados mentais espontaneamente, ou seja, sem esforço, começando sempre pela respiração profunda e pelo relaxamento total.
Vós atingireis o estado de união com todas as coisas, identificação com a Natureza, com o Absoluto. Mesmo por instantes, como na Intuição, não vos preocupeis ou esforceis em voltar a eles, não sejais egoístas, não volteis a cultivar os véus que já derrubastes.
Alcançando o ponto inicial, o Amor Universal, estais no dever de propagá-lo. Ao fazê-lo, eliminai de vossas intenções o desejo de reconhecimento e até mesmo a expectativa de que vossos conselhos sejam seguidos. Ensinai a Revolução Interior e deixai que cada um a alcance: o excesso de zelo também é egoísmo.

7 – A TRANSMUTAÇÃO
Eis-nos finalmente frente a frente com a última chave do Além.
Esta é a chave sem retorno.
Os iluminados se libertam. Podem alcançá-la em vida, como Buda. Porém, o normal de nosso mundo é alcançá-la com a morte quem já tenha chegado ao Amor Universal.
Direi que esta chave se chama ‘’Verdade’’. Vede bem – Verdade com letra maiúscula não uma verdade qualquer, minha verdade, tua verdade. É única e infinita. É absoluta. Faz parte da Integração Universal, embora a ultrapasse. Quem atingiu a Integração está pronto para ela.

O segredo é novamente ‘’Sem Esforço’’. Porém, para ela funcionar são necessárias as seis anteriores usadas com perfeição: há-de estar presente a vigilância completa, a intenção da transmutação, o amor até aos inimigos, o auto-conhecimento até a anulação do ‘’Eu’’. (Vede bem – até o desejo do céu terá que ser anulado), a intuição como forma de Integração e a Integração Universal sem restrições.

Aí se dará a Transmutação da pessoa em um ser iluminado e portanto liberto. Pouco importa daí por diante a vida ou a morte, o conhecimento, o mundo ou o corpo. Vós já tereis atingido a Verdade.

Repito mais uma vez: cada chave será usada sem esforço. Porém, somente vós as podeis usar. Nenhum mestre as abrirá por vós. Nenhum livro contém a Verdade enquanto vós não a experimentardes. Este é um livro e portanto sem qualquer sentido enquanto vós apenas o estais lendo ou lhe repetis os dizeres. De nada vos adiantará repetir mil vezes o que aqui fica dito. Sempre será uma verdade qualquer.
Nenhum sentido possuirão as palavras que eu vos disse, se não experimentardes por vós mesmos o seu significado.

Só atingireis a Revolução Interior por vossa vontade. Ninguém a atingirá por vós. E não necessitais perseguí-la. Tereis que querê-la e deixar que ela vos atinja. O segredo é sempre: ‘’Sem Esforço’’. Isto quer dizer que a Transmutação está dentro de vós e vós só tendes que permitir que ela ocorra, abrindo sucessivamente as portas do Além. As chaves estão em vossas mãos e vossas mãos vacilam.
Achareis mais fácil continuar nos conflitos?
Pensareis que basta imaginar a transmutação?
Pensais que basta a intenção?
Pensais que podeis escolher a chave que desejais e jogareis fora as demais?
Reconheceis que estas são as chaves, porém esperais que os outros as usem antes?
Achais nebulosa e distante a Verdade ou Transmutação?

Em conclusão, lembro-vos: a Verdade é o prémio ao Amor Universal; só quem lá chegar pode gozá-la e saber como é. O êxtase da sexta chave é tão pequeno em relação à Transmutação, quanto é pequena a duração da nossa vida em relação ao Infinito. Quando o sábio chega lá, dirá: Eu sou a Verdade. E ele é de facto a Verdade.

H’Sui Ramacheng em “A Mensagem Eterna dos Mestres”


http://grandeordemdosfilhosdaluz.ning.com/?xg_source=msg_mes_network
http://portograal.no.comunidades.net/index.php?pagina=1684898784



terça-feira, 8 de maio de 2012

GATOS NA MAGIA DOS PRESSÁGIOS




Gatos e Presságios


· Gatos podem predizer o tempo: Quando vai ventar eles unham os tapetes e cortinas; é muito provável que chova se um gato limpa muito suas orelhas.
· Na mitologia, acreditava-se que o gato possuia grande influência sobre o tempo. Bruxas cavalgavam sobre as tempestades sob a forma de uma gato. Os cães eram o símbolo do vento, os gatos de chuva torrencial. Talvez venha daí a expressão "chover cães e gatos" .
· Algumas pessoas acreditam que se o gato lava seu rosto e patas na sala de visitas, é porque alguém irá chegar.
· Se o gato olha continuamente pela janela, é porque vai chover.
· Alguns gatos pressentem terremotos.
· Os marinheiros utilizavam gatos para predizer como seriam suas viagens. Se o gato miasse alto, a viagem seria difícil. Um gato brincalhão, significava que a viagem seria tranquila e com bons ventos.
· Algumas pessoas acreditam que os gatos possam ver as nossas auras.
· Antigamente, na América, se um gato sentasse de costas para o fogo, os donos sabiam que viria uma onda de frio.
· Gato dormindo com as quatro patas escondidas debaixo do corpo, significa que um mal tempo está pra chegar.
· Algumas pessoas acreditam que os gatos podem ver o espectro da morte.
· Se você achar um pêlo branco num gato preto, terá boa sorte.
· Gatos tricolores podem ver o futuro e trazer o dom de sorte para uma criança.
· Os marinheiros acreditavam que, se um gato se lambe no sentido contrário ao pêlo, uma chuva de granizo estava a caminho. Se o gato espirrasse, choveria e se o gato pulasse, logo ventaria.
· No Antigo Egito, gatos sagrados eram mantidos em templos e constantemente observados por sacerdotes. Seus movimentos eram interpretados para saber o futuro.
· Antigamente na Pennsylvania, colocava-se um gato num berço vazio de um casal recém-casado, para garantir que teriam muitos filhos.
· Na Escandinávia, os gatos são símbolo de fertilidade.
· Era uma crença popular, no passado, que gatos poderiam começar tempestades, através da mágica de suas caudas. Por isso os marinheiros faziam o possível para que os gatos dos navios estivessem sempre bem alimentados e felizes.
· O Hindu acredita que o gato é o símbolo de nascimento de uma criança.




Maltratar um Gato


· Se você chutar um gato, terá reumatismo naquela perna.
· Se você for fazendeiro e matar um gato, seu gado morrerá misteriosamente.
· Se você afogar um gato, morrerá afogado também.
· Marinheiros acreditavam que era a garantia de terríveis tempestades e má sorte, caso se atirasse um gato ao mar.
· Acabar com, mesmo que apenas uma, das nove vidas de um gato, é ser perseguido por esse gato para o resto da vida.



Gatos e Sorte


· Crianças inglesas acreditavam que ver um gato branco a caminho da escola era sinal de problemas. Para evitá-los, elas tinham que cuspir ou dar meia volta, fazendo o sinal da cruz.
· Chaeles !, Rei da Inglaterra, possuia um gato preto que acreditava lhe trazer boa sorte. Ele tinha tanto medo de perder o gato, que mantinha-o sobre vigilância dia e noite. Um dia depois da morte do gato, ele foi preso.
· Um gato espirrando é bom presságio para quem ouvir.
· No folclore americano, sonhar com gato branco traz boa sorte.
· Na França, se acreditava que achando um pêlo branco num gato preto, a pessoa teria boa sorte para o resto da vida.
· Em Yorkshire, England, enquanto dá boa sorte possuir um gato preto, é extremamente de má sorte cruzar com um acidentalmente.
· No século 16, quem visitasse um lar inglês tinha sempre que beijar o gato da família, para trazer sorte.
· Mulheres de pescadores, mantinham um gato preto em casa para preveinir contra desastres no mar.



Encontros com Gatos


· Se um gato correr à frente de um marinheiro, no cais, acreditava-se que traria boa sorte. Se o gato cruzasse seu caminho, traria má sorte.
· Gatos eram mantidos nos navios para trazer boa sorte.
· Dá azar ver um gato branco à noite.
· Na Irlanda, se um gato preto, cruzasse o caminho de alguém, em noite de luar, era previsão de morte numa epidemia.
· Na França, há uma superstição de que cruzar um rio carregando um gato dá má sorte.
· Na Normandia, ver um gato tricolor predizia morte por acidente

Gatos e pessoas doentes ou morrendo


· Uma antiga simpatia para curar terçol, era esfregar o rabo de um gato preto nele.
· Na Transylvania, se um gato pulasse sobre um morto ele se torna ria um vampiro.
· No início do Cristianismo, se um gato sentasse sobre uma sepultura, era porque a alma do morto estava no inferno.
. Ver dois gatos brigando próximo a uma pessoa morrendo, ou na sua sepultura, logo após o enterro, significava que o demônio e os anjos lutavam por sua alma.
· No século 16, se um gato preto deitasse na cama de uma pessoa doente ele morreria. Também se acreditava que um gato não permanecia na mesma casa em que alguém estivesse para morrer. Se a gato de uma família se recusasse a ficar na casa, era um mau presságio.
· Os Escocêses acreditavam que se um gato entrasse no cômodo onde estivesse um morto, a próxima pessoa que tocasse o gato ficaria cega.
· Se a procissão de um funeral encontrasse um gato preto pelo caminho, era sinal de que outro membro da família do morto também morreria.
· A lenda de que os gatos têm 9 vidas, possivelmente surgiu devido ao número 9 significar 3 vezes a Trindade, o que significa sorte.
· Um provérbio Inglês diz: "Um gato possui 9 vidas. Com 3 ele brinca, 3 ele perde e com 3 ele fica."



Gatos e Vida Após a Morte


· No Japão existe uma lenda de uqe os gatos se tornam grandes espíritos quando morrem. No Budismo, o corpo de um gato é o local temporário de descanso da alma de pessoas espiritualmente elevadas.
· Algumas pessoas acreditam que os gatos possam fazer viagens astrais. Também acreditam que se um gato adotar você, ele ficará ao seu lado mesmo após a morte.



Gatos e Bruxas


· Uma lenda Escandinava dizia que uma deusa do amor e fertilidade, chamada Freya, tinha sua carruagem puxada por 2 gatos pretos. Depopis de servir Freya por 7 anos, os gatos se tornavam feiticeiras.
· Antigamente, dizia-se que bruxas se transformavam em gatos à noite.
· Folklore has it that if a witch becomes human, her black cat will no longer reside in her house.
· Na Idade Média os gatos foram associados ao demônio. Por serem noturnos e vagarem pela noite, acreditava-se que fossem sobrenaturais e servidores de bruxas, ou mesmo, as próprias bruxas. Em parte pelo movimento insinuante e pelos olhos que brilhavam no escuro, eles se tornaram a personificação do mal, da escuridão, do mistério, possuidores de poderes apavorantes. Qualquer coisa que de ruim que acontecesse, sempre era culpa de um gato.



Miscelânea


· Em tempos passados, a punição por um crime algumas vezes incluía a amputação da língua. A língua do condenado era dada aos animais do rei. Como se pode ver, existe uma verdade histórica na frase "O gato comeu sua lingua?"
· Gatos domésticos não são mencionados na Bíblia.
· De acordo com a lenda, os gatos foram criados quando a Arca de Noé ficou infestada de ratos. Noé ordenou que os leões espirrassem, e do espirro do leão se formou o gato.

 
http://rainhadasfeiticeiras.blogspot.com

domingo, 1 de janeiro de 2012

A NATUREZA DA EXPERIÊNCIA MÍSTICA



Julie Redstone



29 de Dezembro de 2011.



Como uma ampulheta que permite que a areia se mova em duas direções, dependendo de qual bulbo está acima e qual está abaixo, assim também Deus pretende que a alma humana tenha a possibilidade de se mover em duas direções – em direção à unidade com Tudo O Que É, fundida em um universo infinito de Luz, e em direção à existência individual, como um ser distinto, um ponto dentro deste infinito universo.

Como a areia que flui de um bulbo da ampulheta para o outro, assim também, a consciência é capaz de fluir para um espaço além dos limites da percepção comum – além dos limites, nomes, definições e distinções, em um reservatório de luz, no qual há somente o Um – e deste para outro espaço, quando as condições o justifiquem, onde nos tornamos únicos, uma única gota da luz infinita.



Porque ambas as potencialidades existam na consciência humana, o que chamamos de “experiência mística” é, em todas as suas muitas variações, tanto uma profunda experiência da Unidade, mas também simplesmente uma parte do que significa ser humano. Pois é parte da perfectibilidade (a capacidade que o homem possui de aperfeiçoar-se) da consciência humana de se conhecer como Um com tudo o que a rodeia, enquanto ao mesmo tempo, ser capaz de existir como um ser a fim de agir, criar, viver, respirar e trazer esta consciência à forma.



Um dia, o que separamos algo que chamamos de “místico” e algo que chamamos de “comum”, não será mais. O místico não terá um nome, e especialmente, não um nome que o distinga do comum. Neste dia, a potencialidade humana terá evoluído o suficiente para unir a distância entre o infinito e o finito, entre o invisível e a realidade tangível da vida na forma. Portanto, o que é místico será simplesmente “o que é” e toda a vida física parecerá como uma polaridade dentro de uma mudança de consciência que se move para trás e para frente, entre pólos de consciência – ora se fundindo e perdendo os limites, ora se manifestando para se mover, falar, gesticular e agir.



No presente, entretanto, estamos ainda nos aproximando desta realidade. Estamos aprendendo a existir dentro do invisível – ocuparmos o nosso espaço dentro dele, como plenos participantes em um mundo cujas definições mudaram e dentro do qual não podemos operar com as nossas mentes, como o navegador principal. Neste mundo, estamos ainda nos acostumando a confiar em nossa intuição, e o mais importante, a confiarmos na intuição e na inteligência Divina, que nos levam através das experiências que são tanto formativas, quanto expansivas.



Um grande volume de aprendizagem está em deixar ir o velho e de vir a compreender a diferença entre nos sentirmos como parte de algo, e estarmos em frente de algo enquanto o observamos. Esta é a distinção fundamental na nova percepção – que nós não vemos mais com os olhos de um observador, mas sim que permitimos um compromisso com a realidade que é mais íntima – aquela em que perdemos o sentido da separação e ganhamos a possibilidade de experienciarmos a vida de uma forma expandida.



Quando chegamos nesta nova percepção, seja através da meditação, da sintonia ou pela luz do amor e da graça, subitamente, não somos mais testemunhas. Em vez disto, estamos dentro do outro, em harmonia com eles, e não há ninguém para observar. Há apenas experienciar. Há apenas ser.


Deste modo, a abertura da sensibilidade mística nos permite conhecer a Beleza que está no centro da Criação. Não pensamos sobre isto. Nós nos tornamos isto. Ganhamos a entrada em um mundo do sagrado e do divino, no qual a beleza é tudo o que há. Este grande dom da percepção expandida, esta nova consciência que se revela, surge repentinamente de dentro de nós porque ela sempre esteve lá. Embora no passado a sua presença interior possa ter sido descoberta por somente alguns iluminados, agora, neste momento de luz intensa, ela se tornou o caminho para uma maior Vida para muitos.


Pois, algum dia, muitos saberão que estas coisas não podem ser colocadas em palavras e compreenderão que elas são as coisas mais importantes que somos capazes de experienciar. Este momento não chegou ainda, mas está no horizonte. Estamos nos movendo para ele e ele está se movendo para nós – o início de um mundo novo e sagrado, revelado – o início de uma nova vida para os habitantes da Terra.


Fonte: http://www.lightomega.org/Earth/ANC/Nature-of-Mystical-Experience.html



Vangelis - YouTube - http://www.youtube.com/watch?v=EPM_e4d-AKA&feature=related





Tradução: Regina Drumond – reginamadrumond@yahoo.com.br

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O MÍSTICO MATERIALISTA E O ESPIRITUALISTA




Uma definição de misticismo não poderia ser ao mesmo tempo significativa e de abrangência suficiente para incluir todos os tipos de experiências materiais e espirituais. Por definição natural, misticismo é a prática, estudo e aplicação das leis que unem o ser humano à sua natureza e a Deus. Desta forma, a Mística se distingue dos estudos das religiões. Aquela, referindo-se à experiência direta e pessoal, transcendendo às necessidades de intermediários ou de uma teologia.

Contudo, pode-se considerar que o místico materialista é um estudioso também do oculto. Todo estudo não deixa de ser uma procura do que não se conhece. Toda consagração com a Terra e com a humanidade, em todo seu estusiasmo pelo progresso e realização de um mundo melhor, deixa os místicos materialistas e espiritualistas em profundo bem-estar. Devemos compreender que a atividade de um ser humano será conduzida a uma união derradeira. O místico materialista não deixa de amar e, neste amor familiar, o materialismo desempenha um papel importante, já que no seu entendimento tudo acaba aqui na Terra. Ele pratica o amor ao próximo. Ele luta pela vida, pois acredita no seu fim definitivo e, com isso, protege quem muito ele ama. Assim como os animais protegem as suas crias.

O sentido da criação não deve ser procurado nos bens transitórios do nosso mundo visível. O esforço esperado de nossa fidelidade deve se consumar além de uma total transformação de nós mesmos e de tudo o que nos envolve.

Só através do encontro com a divindade, dos estudos da matéria e do entendimento do pós-morte é que poderemos atingir um entendimento equilibrado. Na busca de entender através de todo tipo de desenvolvimento, é que os místicos devem se unir em um só objetivo. Por isso, o sentido final do progresso e da história da humanidade não pode ser reduzido a uma fórmula lógica e clara, mas apenas a uma palavra: mistério. Isso nada tem de alarmante.

Para traduzir o amor entre nós, a lógica é deficiente, porque quanto maior for o estudo, maior será a vontade de encontrar as respostas que decifrem esse mágico sentimento. Procuramos uma fórmula, uma imagem que traduza, de maneira feliz, o sentido único dessa experiência. A fórmula ou imagem merece uma meditação, pois através dela encontraremos um lugar junto ao tesouso dos grandes mistérios inspiradores em que o materialista e o espiritualista depositam sua paixão pela vida, numa relação de amor e bondade.

O esforço de cada um de nós, até dos nossos domínios, impropriamente chamados profanos, deve ocupar na nossa vida um lugar de união. Este esforço, esta colaboração trêmula de amor, que emprestamos às mãos místicas, ficarão ocupadas, nos alinhamos e nos preparando para a união final, através da fusão dos dois mundos, místico e materialista, em um só sentimento de amor.

O imenso encanto do mundo místico, definitivamente, tem o seu valor concreto no contato entre o Eu materialista e o Eu divino, que se revela a cada necessidade de ajuda não encontrada entre os místicos materialistas. Dessa forma, por mais estonteantes que sejam os progressos materiais que procuramos, buscamos mais o lado divino. Os encantos e as magias ficam sempre mais claros quando o amor vai além da vida, ultrapassando barreiras desconhecidas à procura de uma verdade não definida, porém concreta e incontrolavel, pela vontade do crescimento como um todo. O misticimo é universal, e o amor pelo ser humano só pode ser sentido em um campo ainda não decifrado, seja do coração, da alma, da mente, da matéria ou do espirito.

Por mais longe que nos deixemos levar nos espaços divinos abertos à mística evolução, não sairemos jamais dos estudos materiais e espirituais. Experimentaremos uma necessidade crescente de desenvolvimento próprio, sempre na procura da verdade.

O ser humano deve se despir de toda a sua riqueza para se deixar oferecer ao mundo do amor. O místico materialista pode não passar de um cientista, mas um cientista pode ultrapassar as barreiras dos conhecimentos materias e transceder seus sentimentos ao misticismo divino, mesmo sabendo que neste campo os estudos não vão passar de uma procura de si mesmo ao encontro final com Deus.

Nossos esforços pelo nosso progresso e realizações é serviço santo, na medida em franquiamos o progresso, mesmo o progresso profano, no misterioso e último horizonte da ação natural do descobrimento de um sentimento mágico, iluminado, louco, que é o amor.


Bernardino Nilton Nascimento
http://www.stum.com.br

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A VIA MÍSTICA

Palestra ministrada pelo teósofo e escritor Raul Branco, no programa Em Busca do Autoconhecimento, que passa na TV Supren.

Tema: Místicos: A Via Mística.

O palestrante expõe e descreve como é o caminho daqueles grandes seres que escolhem seguir a senda mística. Fala sobre os 5 estágios que a via mística pode conter, o impacto deles para o místico e as pessoas em sua volta. E fala como nós podemos nos inspirar espiritualmente e nos aproximar do caminho místico.


TV Supren:

http://www.tvsupren.com.br/Inicial.aspx

Sociedade Teosófica:

http://www.sociedadeteosofica.org.br/









O QUE PODEMOS APRENDER COM OS MÍSTICOS

Palestra ministrada pelo teósofo e escritor Raul Branco, no programa Em Busca do Autoconhecimento, que passa na TV Supren.

Tema: Místicos: O que podemos aprender com eles.

O palestrante faz explicações e explanações sobre os místicos, citando e referenciando diversos místicos da humanidade. O palestrante também aborda o modo místico de ser, o impacto que tal modo produz nas pessoas em geral, e por fim, faz uma classificação dos místicos em 5 estágios distintos, explicando cada um deles.

TV Supren:

http://www.tvsupren.com.br/Inicial.aspx

Sociedade Teosófica:

http://www.sociedadeteosofica.org.br/








terça-feira, 20 de setembro de 2011

POESIA E POETAS MÌSTICOS

Poesia mística

 O poema é uma expressão estética que as vezes vislumbra a existência de outra realidade. A mística entra em cheio na experiência transcendente. Desta fusão entre arte e misticismo nasce a poesia mística, que esbanja beleza, amor e verdade. H2H Latino compartilha com vocês as obras dos autores mais destacados de todos os tempos.




Segundo Camilo Valverde Mudarra, Licenciado em Filosofia e Letras e em Filologia Românica, a poesia “se move na função estética; assim também, a mística procura a transmissão da beleza do amor divino; persegue manifestar a encantadora vivência da viva união da alma com a Divindade”. Entretanto, não é certo que todo poeta que se aprecie intui essa outra realidade? “Certamente, ambos os níveis se encontram em toda composição poética”, esclarece o Lic. Valverde. “Mas na mística incidem de um modo especial no realce da expressão poética com uma fundura significativa que sempre diz algo mais”.
Este “algo mais” é a experiência transcendente. No poeta é intuição; no místico, certeza. E a ponte para expressá-la, a beleza.

“Espreite-se” com poemas

No livro “O Conhecimento Silencioso”, Carlos Castaneda relata como Don Juan, seu mestre:
Reconheceu que os poetas estavam profundamente afetados pelo vínculo com o espírito, mas que se davam conta disso de maneira intuitiva e não de maneira deliberada e pragmática como o fazem os bruxos (sábios de México, N. da r.): Explicou que os poetas, sem sabê-lo, anelam o mundo dos bruxos (místicos, sábios). Como não são bruxos, nem estão no caminho do conhecimento, a única coisa que lhes resta é o desejo:

-Vejamos se podes sentir o que te estou dizendo -disse entregando-me um livro de poemas de José Gorostiza.
O abri onde estava marcado e ele me sinalizou o poema que gostava.
-Ao ouvir o poema -disse Dom Juan quando terminei de ler-, sinto que esse homem está vendo a essência das coisas e eu vejo com ele. Não me interessa de que trata o poema. Só me interessam os sentimentos que o desejo do poeta me trazem. Sinto seu anelo e o tomo emprestado a beleza. E me maravilho ante o fato de que o poeta, como um verdadeiro guerreiro, com esbanjamento nos que a recebem, nos que a apreciam, retendo para si tão somente seu anelo. Essa sacudida, esse impacto da beleza, é a espreita.
 O conhecimento silencioso, CC, p.41


Embora se citem vários poemas na extensa obra de Carlos Castaneda, somente um, que além disso é anônimo, parece representar o mito que ele encarna:

Já me dei ao poder que a meu destino rege.
Não me agarro já de nada, para assim não ter nada que defender.
No tenho pensamentos, para assim poder ver.
Não temo já a nada, para assim poder lembrar-me de mim.


Sereno e desprendido,
me deixará a Águia passar à liberdade.


O Dom da Águia, C.C, p. 102


POETAS MÍSTICOS
O poeta místico vai um passo além do anseio ou a intuição dos poetas literários. Presente em todas as tradições espirituais, é alguém de vivências transcendentes, e se vale da poesia para que sua experiência não morra em seu mundo interior. Seus poemas nos inspiram com sua beleza, e agem como pegadas certeiras para poder entrar na experiência suprema. Desta maneira, o poeta místico nos diz: “esta é minha vivência, podem inspirar-se com ela”.


SANTA TERESA DE ÁVILA
(1515-1582)
Nada te perturbe


Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda.
A paciência,
Tudo consegue.
Quem a Deus tem,
Nada lhe falta,
Só Deus é suficiente.

Eleva o Pensamento ao céu sobe
Por nada te angustie Nada te perturbe
A Jesus Cristo segue de coração entregue
E venha o que vier Nada te Espante

Vês a gloria do mundo?  E gloria vã
Nada tem de estável Tudo passa
Aspira as coisas celestes que sempre duram
Fiel e rico em promessas Deus não muda

Ama-O Como merece Bondade imensa
Mas não há verdadeiro amor sem a paciência
Confiança e fé viva mantenha a alma,
Que quem crê e espera Tudo alcança

Do Inferno acossado Muito embora se veja
Burlara os seus furores Quem a Deus Tem
Advenham-lhe desamparos, Cruzes, desgraças
Sendo Deus o seu tesouro Nada lhe falta

Ide pois bens do mundo Ide, ditas vãs
Ainda que tudo perca, Só Deus Basta.


Santa Teresa de Jesus, chamada também Santa Teresa de Ávila, tem sido uma das grandes místicas da história universal e provavelmente a melhor poetisa do misticismo cristão. Fundadora das carmelitas descalças, ramificação da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo (ou carmelitas), nasceu na província hispânica de Ávila em 28 de março de 1515. Aos dezoito anos entrou no Convento. Aos quarenta e cinco fundou o convento de São José de Ávila, primeiro dos quinze Carmelos que estabelecerá na Espanha. Com São João da Cruz, introduziu a grande reforma carmelitana. Seus escritos são um modelo seguro nos caminhos da oração e da perfeição. Morreu em Alba de Tormes, ao anoitecer de 4 de outubro de 1582. Pablo VI a declarou doutora da Igreja em 27 de setembro de 1970. 

SÃO JOÃO DA CRUZ
(1542-1591)
Quadras feitas sobre um êxtase de farta contemplação.

Entrei-me aonde não soube
e quedei-me não sabendo,
toda ciência transcendendo.

Eu não sabia onde entrava,
porém, quando ali me vi,
sem saber aonde entrava,
grandes coisas entendi:
não direi o que senti,
que mo quedei não sabendo,
toda ciência transcendendo.

De paz e de piedade
era a ciência perfeita,
em profunda solidão,
entendida a via reta:
era coisa tão secreta,
a fala subvertendo,
toda ciência transcendendo.

Estava tão embebido,
tão absorto e tão alheado,
que se quedou meu sentido
de todo o sentir privado:
e o espírito dotado
de entender não entendendo,
toda ciência transcendendo.

Que ali chega verdadeiro
de si mesmo desfalece:
quanto sabia primeiro
muito baixo lhe parece:
sua ciência tanto cresce
que se queda não sabendo
toda ciência transcendendo.

Quanto mais alto se ascende,
tanto menos entendia
que negra nuvem se acende
que as trevas esclarecia:
por isso quem a sabia
queda sempre não sabendo
toda ciência transcendendo.

Este saber não sabendo
é de tão alto poder,
que os mais sábios revolvendo
jamais o podem vencer:
pois não chega o seu saber
a no' entender entendendo,
toda ciência transcendendo.

E é de tão alta excelência
este mais sumo saber
que faculdade ou ciência
não há para o compreender:
quem a si souber vencer
com um não saber sabendo,
irá sempre transcendendo.

E, se quiserdes ouvir,
consiste a suma ciência
em num subido sentir
da só divinal Essência:
obra é de sua clemência
o quedar não entendendo,
toda ciência transcendendo.

São João da Cruz nasceu na província de Ávila (Espanha) em 1542. Passados alguns anos na Ordem dos carmelitas, a partir de 1568 foi -a instâncias de santa Teresa de Ávila- o primeiro que se declarou a favor de sua reforma, por meio da qual suportou inumeráveis sofrimentos e trabalhos. Morreu em Úbeda no ano 1591, com grande fama de santidade e sabedoria, das que dão testemunho precioso seus escritos espirituais.

JALAL UD-DIN RUMI
(1207-1273)


Quem faz essas mudanças?
Disparo uma flecha à direita
Cai à esquerda.
Cavalgo atrás de um veado e me encontro
perseguido por um porco.
Conspiro para conseguir o que quero
e termino na prisão.
Cavo fossas para apanhar os outros
e me caio nelas.
Devo suspeitar
do que quero.
Toma a um que não leva suas contas
Que não quer ser rico, nem tem medo a perder
Que não tem interesse algum em sua personalidade: é livre.
Lá fora, além de idéias de bem ou mal, há um lugar
Nos vemos lá.
Quando a alma jaz sobre a erva
O mundo está demasiado cheio para falar dele
As idéias, a linguagem, inclusive a frase 'cada um'
não tem sentido.
Se pudesses liberar-te, por uma vez, de ti mesmo,
o segredo dos segredos se abririam a ti.
O rosto do desconhecido, oculto além do universo,
apareceria no espelho de tua percepção.

Em realidade, tua alma e a minha são o mesmo.
Aparecemos e desaparecemos o um com o outro.
Este e o verdadeiro significado de nossas relações.

Entre nós, já não há nem tu nem eu.
O vale é diferente, por cima de religiões e cultos.
Aqui, em silêncio, baixa a cabeça.
Funde-te na maravilha de Deus.

Aqui não há lugar para religiões nem cultos.
Há uma Alma dentro de tua Alma. Busca essa Alma.
Há uma jóia na montanha do corpo. Busca a mina desta jóia.
Oh, sufi, que estás de passagem!
Busca dentro, se puderes, e não fora.

No amor, não há alto nem baixo,
má conduta nem boa,
nem dirigente, nem seguidor, nem devoto,
só há indiferença, tolerância e entrega.

Jalal ud-Din Rumi
(1207-1273) é o maior dos poetas místicos islâmicos. Nasceu no atual Afeganistão, passou por Irã e viveu e morreu em Konia, Turquia. Era um erudito professor de teologia, esforçado em seus exercícios espirituais. Sua vida mudou quando se encontrou com a figura misteriosa e fascinante do monge errante Shams de Tabriz. Como se diz na tradição sufí, foi «um encontro entre dois oceanos». Esse mestre misterioso iniciou a Rumi na experiência mística do amor, e em sua companhia faz realidade a verdade de seu ser. Seu agradecimento foi tão grande que lhe dedicou todo um livro de 3.239 versos, o Divan de Shams de Tabriz.   


EMILY DICKINSON
(1830-1886)


Não sou ninguém. Quem é você?
Não sou Ninguém! Quem é você?
Ninguém — Também?
Então somos um par?
Não conte! Podem espalhar!
Que triste — ser — Alguém!
Que pública — a Fama —
Dizer seu nome — como a Rã —
Para as palmas da Lama!


Colóquio
Morri pela beleza, mas apenas
No túmulo me havia acomodado,
Quando alguém que morreu pela verdade
Foi junto à minha tumba colocado.
"Por que morreste?" – perguntou-me logo.
"Pela beleza" – respondi-lhe então.
E ele falou: "Morri pela verdade;
Uma equivale à outra; és meu irmão".
E através das paredes conversamos,
Quais parentes que há muito não se vissem,
Até que o limo nos cobrisse os lábios,
Até que nossos nomes se extinguissem.




Emily Dickinson nasceu em Massachusetts, Estados Unidos, em 1830. Filha e neta de proeminentes figuras políticas e intelectuais,foi educada em um ambiente puritano que a tornou uma pessoa solitária e nostálgica. Durante sua vida rara vez saiu de casa e suas amizades foram escassas. Entretanto, entre as poucas pessoas que freqüentou teve especial apreço pelo Reverendo Charles Wadsworth,  quem teve um grande impacto sobre seus pensamentos e poesia. Admirou também os poetas Robert e Elizabeth Barrett  Browning, assim como a John Keats. Ainda que sua produção poética foi muito ampla, só foi editada em 1890 depois de sua morte, ocorrida em 1886 na cidade de Amherst. 




WALT WHITMAN
(1819-1892)


Canto a mim mesmo


34. Para mim, uma fibra de erva não vale menos que a
tarefa diurna das estrelas,
e igualmente perfeita é a formiga, e assim um grão de
areia e o ovo do reizete,
e a rã arbórea é na obra mestra, digna de
egrégias pessoas,
e a mora pudesse adornar os aposentos do céu,
e em minha mão a articulação mais miúda faz chacota
de todas as máquinas,
e a vaca, ruminando com inclinado cangote, é mais bela
que qualquer escultura;
e um rato é milagre capaz de assombrar a milhões de
infiéis.


45. Olha tão longe como puderes, há
espaço ilimitado lá,
conta tantas horas como puderes, há
tempo ilimitado antes e depois.
Meu encontro já foi concertado e é
seguro,
Ali estará o Senhor, esperando que eu
chegue em perfeitas condições
ali estará o grande Camarada, o amante
verdadeiro que tenho desejado.


Walt Whitman (Nova York, 31 de maio de 1819 – Nova Jersey, 26 de março de 1892), foi poeta, ensaísta, jornalista e humanista estadunidense. Seu trabalho se inscreve na transição entre o Transcendentalismo e o Realismo, incorporando ambos os movimentos a sua obra. Whitman está entre os mais influentes escritores do canon norte-americano (do que tem sido considerado seu centro) e tem sido chamado o pai do verso livre.

RABINDRANATH TAGORE
(1861-1941)
Néscio, que tentas levar-te sobre teus próprios ombros! Mendicante, que vens a pedir a tua própria porta!
Deixa todas as cargas nas mãos dAquele que pode com tudo, e nunca mira atrás nostálgico.
Teu desejo apaga ao ponto a lâmpada que toca com seu alento. Não tomes suas dádivas insalubres com mãos impuras! Recolhe só o que te oferece o amor sagrado!
Gitanjali, verso 9.

Meus desejos são infinitos, lastimosos meus clamores; mas tu me salvas sempre com tua dura negativa. E esta reta mercê transpassou de parte a parte minha vida.
Dia após dia me fazes digno dos dons grandes e simples que me deste sem eu os pedir-te, o céu e a luz, meu corpo, minha vida e meu entendimento; e me tens salvo, dia após dia, do escolho dos desejos violentos.
As vezes me retardo lânguido, as vezes me desperto e me desvivo em busca de meu fim; mas tu, cruel, te escondes de mim.
Dia após dia, a força de re usar-me, de livrar-me dos perigos do desejo débil e vago, me estás fazendo digno de ser teu de todo.
Gitanjali, verso 14

Rabindranath Tagore (1861-1941). Poeta, filósofo e pintor indiano nascido em Calcutá em 1861. Filho de um líder Brahmo Samaj, foi o menor de quatorze irmãos. Recebeu a educação básica em casa onde existiu um grande ambiente intelectual. Aos dezessete anos foi enviado à Inglaterra para completar sua educação. Entretanto, interrompeu os estudos quando assistia a University College de Londres e regressou a seu país para se matricular na escola experimental em Shantiniketan. A primeira parte de sua obra está contida em "Carta de um viageiro na Europa" 1881, "Cações do entardecer" 1882 e "O despertar da fonte" 1882. Depois de seu matrimônio em 1883, continuou sua longa carreira literária, destacando-se especialmente como poeta, com obras como "Gitanjali" 1912, "O Jardineiro" 1913, "Lua Crescente" 1913, "Punashcha" 1932, "Shes Saptak" 1935, e "Patraput" 1936. Em 1912 regressou a Londres, em 1913 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e em 1915 foi nomeado  Cavaleiro pelo Rei Jorge V. Faleceu em 7 de agosto de 1941.    

VERSOS DE LIBERDADE
Ainda que não entrem na categoria de poetas místicos, os mestres liberados ou encarnações divinas utilizam os versos para expressar sua verdadeira natureza e inspirar-nos a realizá-la. Como o que Sathya Sai Baba pronunciou aos catorze anos, quando deixou sua família para anunciar Sua missão:


Saibam que em realidade sou Sai
Desprendam-se de suas relações mundanas
Abandonem seus esforços por restringir-me
Os apegos mundanos já não me atam.


Ninguém, por maior que seja
pode abarcar-me.

A mesma transcendência aparece expressada nos versos do famoso Nirvana Shatikam Stotram de Sri Sankara, nascido no ano 788. Assim como Jesus Cristo, Sankara viveu até os 33 anos e nesse curto período se dedicou a restabelecer os Vedas, escrituras fundacionais do hinduísmo. Fundou quatro grandes ashrams nos quatro pontos cardinais da Índia para reviver a espiritualidade de sua terra e refundar a filosofia do Advaita (a não dualidade), que resumia em seu último verso:


Não tenho forma ou imagem
sou o que tudo permeia
Eu existo em todos os lugares
e ainda
estou além dos sentidos.
Não sou a salvação, nem nada que se possa conceber.


Sou Bem aventurança e Consciência Eternas
Eu sou Shiva! Eu sou Shiva! 


http://www.h2hlatino.org/articulos.php?id=194

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