sábado, 22 de outubro de 2011

KALI A FORÇA FEMININA




A Índia sempre me fascinou e acredito que também fascina muita gente. A diversidade e riqueza cultural que lá existe são tamanhas e seus deuses são impressionantes. Nesse artigo resolvi falar de Kali, uma das faces da grande mãe que muitas vezes é mal-interpretada. Espero que gostem!


Nós sabemos que desde a pré-história a deusa mãe é adorada como fonte de vida e fertilidade. Mas na Índia, ela só passou a ser a Grande Deusa, cheia de poderes cósmicos, a partir do século V ou VI, com a composição do Devi Mahatmya (Glória da Deusa), o que fez com que a adoração do princípio feminino adquirisse novas dimensões. Nesse texto, a deusa deixa de ser apenas a fonte misteriosa da vida e passa a ser a própria terra, que tudo cria e consome.


Durante uma batalha entre as forças divinas e anti-divinas, Kali aparece pela primeira vez no Devi Mahatmya, quando emana da testa da Deusa Durga, que é a caçadora de demônios. O nome Durga significa "Além do Alcance" e ela representa a autonomia virginal e cruel da mulher guerreira.


Kali é representada como uma mulher preta com quatro braços; em uma mão ela tem uma espada, em outra a cabeça do demônio que ela caçou, com as outras duas ela encoraja seus adoradores. Seus brincos são dois cadáveres e ela veste um colar de crânios; ela veste apenas um cinto feito de mãos de homens mortos, e sua língua fica pra fora da boca. Seus olhos são vermelhos, e seu rosto e seios estão lambuzados de sangue. Ela fica em pé, com um pé apoiado na coxa e outro no peito de seu marido.


Todo mundo fala da crueldade da aparência de Kali. Mas, apesar de sua forma cruel ser cheia de símbolos assustadores, as pessoas acabam por interpreta-los de maneira errada: o fato de Kali ser negra, por exemplo, simboliza sua natureza compreensiva e abrangente, já que preto é a cor na qual todas as outras cores se fundem; o preto as absorve e dissolve. 'Assim como todas as cores desaparecem no preto, também todos os nomes e formas desaparecem em Kali' (Mahanirvana Tantra). O preto também é a completa ausência de cor, significando também a natureza de Kali como a realidade última. No sânscrito isso é chamado de nirguna (além da qualidade e forma). De qualquer maneira, a cor preta de Kali simboliza sua transcendência de todas as formas.


Um poeta devoto diz:


"É Kali, minha Divina Mãe, de compleição negra?".
Ela parece ser negra porque é vista à distância;
mas quando finalmente conhecida Ela não mais o é.
O céu parece ser azul à distância, mas olhe de perto
e descobrirás que não tem cor alguma.
A água do oceano parece azul à distância,
mas quando chegas perto e a coloca em suas mãos,
descobrirás que é incolor."
... Ramakrishna Paramhansa (1836-86)


A nudez de Kali tem um significado parecido. Muitas vezes ela é descrita como vestida de espaço ou de céu. Em sua nudez absoluta e primordial ela é livre de qualquer cobertura de ilusão. Ela é Natureza (Prakriti em sânscrito), despida de roupas. Isso simboliza que ela é completamente além do nome e da forma, completamente além dos efeitos ilusórios de maya (falsa consciência). Sua nudez representa a consciência totalmente iluminada, não atingida por maya. Kali é o fogo brilhante da verdade, que não pode ser escondido pelas roupas da ignorância. A verdade simplesmente incendeia qualquer roupa que tenta cobri-la..


Ela possui os seios cheios; sua maternidade é uma criação sem fim. Seu cabelo desalinhado forma uma cortina de ilusão, o tecido do espaço-tempo que organiza a matéria do mar caótico de espuma quântica. Sua colar de cinqüenta cabeças humanas, cada uma representando uma das cinqüenta letras do alfabeto sânscrito, simboliza o depósito de conhecimento e sabedoria. Ela veste um cinto de mãos humanas cortadas - mãos que são os principais instrumentos de trabalho e por isso significam a ação do karma. Por isso os efeitos obrigatórios desse karma terem sido superados, cortados, como o foram, por devoção a Kali. Ela abençoou o devoto libertando-o do ciclo do karma. Seus dentes brancos são um símbolo de pureza (do sânscrito Sattva), e sua longa língua, que é vermelha, representa o fato que ela consome todas as coisas e denota o ato de provar ou apreciar o que a sociedade afirma ser proibido, ela aprecia todos os sabores do mundo.


Kali contém o ciclo completo de criação e destruição, e isso é representado por seus quatro braços. Ela representa os ritmos criativos e destrutivos inerentes ao cosmos. Suas mãos direitas, fazendo os mudras de "não temas" e concedendo dádivas, representam o aspecto criativo de Kali, enquanto as mãos esquerdas, segurando uma espada ensangüentada e uma cabeça cortada, representam seu aspecto destrutivo. A espada ensangüentada e a cabeça cortada são a destruição da ignorância e o amanhecer do conhecimento. A espada é a espada do conhecimento, que corta os nós da ignorância e destrói a falsa consciência (a cabeça cortada). Kali abre os portões da liberdade com essa espada, tendo cortado os oito elos que prendem os seres humanos. Finalmente seus três olhos representam o sol, a lua, e o fogo, com os quais ela consegue observar os três modos do tempo: passado, presente e futuro. É daí que vem a origem do nome de Kali, que é a forma feminina de 'Kala', o termo sânscrito para Tempo.


Um outro aspecto simbólico, mas que dá muito o que falar, de Kali é sua proximidade com o solo de cremação:


Ó Kali, Tu és afeiçoada aos solos crematórios;
então eu transformei meu coração em um
para que tu, uma residente de solos crematórios,
possas dançar lá sem cessar.
Ó Mãe! Não possuo outro vão desejo em meu coração;
o fogo da pira funerária está queimando lá;
Ó Mãe! Preservei as cinzas dos cadáveres ao redor
para que Tu possas vir.
Ó Mãe! Mantendo Shiva, o conquistador da Morte, sob Teus pés,
Venhas, dançando ao som da música;
Prasada aguarda com seus olhos fechados
... Ramprasad (1718-75)


A moradia de Kali, o solo crematório, é um lugar onde os cinco elementos (Sânscrito: pancha mahabhuta) estão dissolvidos. Kali mora onde a dissolução acontece. Em termos de devoção e adoração, isso mostra a dissolução de acessórios, raiva, desejo, e outras emoções, sentimentos e idéias que nos mantêm prisioneiros. O coração do devoto é onde tudo queima, e é nesse coração que Kali reside. O devoto faz sua imagem em seu coração e sob suas influências queima todas limitações e ignorância nos fogos crematórios. Esse fogo que queima dentro do coração é o fogo do conhecimento, (Sânscrito: gyanagni), presente de Kali.


A imagem de Shiva deitado sob os pés de Kali representa-o como o potencial passivo da criação e Kali como sua Shakti. Shakti é o princípio criativo feminino Universal e a força energizante atrás de todas as divindades masculinas incluindo Shiva. Shakti é conhecida pelo nome de Devi, da raiz 'div', que significa brilhar. Ela é a Brilhante, que possui nomes diferentes em lugares diferentes e com diferentes aparências, como o símbolo dos poderes doadores-de-vida do Universo. Sem o i, Shiva é Shva, o que em sânscrito significa cadáver. Isso sugere que sem sua Shakti, Shiva é impotente ou inerte.


Kali nos mostra como o mundo é apenas um jogo dos deuses. Ela traz em sua aparência selvagem a criatividade espontânea do reflexo divino. À medida que Kali é identificada com o mundo dos fenômenos, ela apresenta a corporificação do mundo que forma a base de sua natureza efêmera e imprevisível. Em sua dança louca, cabelo desgrenhado, e berro sinistro faz-se a alusão de um mundo vacilante, fora de controle. O mundo é criado e destruído na dança selvagem de Kali, e a verdade da redenção está na nossa percepção de que também somos convidados a fazer parte dessa dança, para permitir a batida frenética da dança de vida e morte da Mãe.


Ó Kali, minha Mãe cheia de Êxtase! Sedutora do
onipotente Shiva
Em Tua alegria delirante Tu danças, batendo
Tuas mãos juntas!
Tua és o Motor de tudo o que se move, e nós
somos nada senão Teus brinquedos
...Ramakrishna Paramhans


Kali e seu cortejo dançam aos ritmos ditados por Shiva (Senhor da destruição) e seus seguidores zoocéfalos que vivem no Himalaia. Associados com o caos e destruição incontrolável, os seguidores de Kali exibem espadas e carregam acima de suas cabeças cálices de caveiras de onde bebem o sangue que os intoxica. Kali, como Shiva, possui um terceiro olho, mas em todos os outros aspectos os dois são diferentes. Os membros negros e definhados de Kali, seus movimentos angulares e caretas cruéis carregam uma intensidade selvagem. Seu cabelo solto, colar de crânios e capa de tigre chicoteiam em torno de seu corpo à medida que ela bate os pés e as palmas ao ritmo da dança.


Muitas histórias descrevem a dança de Kali e Shiva como a que "ameaça destruir o mundo" por causa de seu poder feroz. A imagem de Kali dançando com Shiva segue o mito do demônio Daruka. Quando Shiva pede que sua mulher Parvati destrua esse demônio, ela entra no corpo de Shiva e se transforma com o veneno que é armazenado em sua garganta. Ela emerge de Shiva como Kali, de aparência feroz, e com a ajuda de seu cortejo bebedor de sangue ataca e derrota o inimigo. Kali, no entanto, ficou tão intoxicada com o entusiasmo pelo sangue da batalha que sua fúria e apetite selvagem ameaçaram destruir o mundo todo. Ela continuou sua violência até Shiva manifestar-se como uma criança e cair chorando no meio do campo de cadáveres. Kali, enganada pelo poder de ilusão de Shiva, tornou-se calma à medida que amamentava o bebê. Quando a noite chegou, Shiva fez a dança da criação (tandava) para agradar a deusa. Deliciada com a dança, Kali e seu cortejo juntaram-se a ela.


Essa imagem impressionante e intensa revela perfeitamente a natureza de Kali como a Divina Mãe. Ramaprasad expressa esse sentimento da seguinte forma:


Veja minha Mãe brincando com Shiva,
perdida num êxtase de prazer!
Bêbada com um gole do vinho celestial,
Ela oscila, e mesmo assim não cai.
Ereta Ela permanece no peito de Shiva,
e a terra Treme sob Seu passo;
Ela e Seu Amo estão loucos em frenesi.
Afastando todo medo e vergonha.
... Ramaprasad (1718-75)


Até hoje os devotos de Kali são atraídos para ela por causa de suas qualidades humanas e maternais. Nas relações humanas, o amor entre mãe e filho é geralmente considerado o mais puro e mais forte. Da mesma maneira, o amor entre a Deusa Mãe e sua criança humana é considerado a relação mais próxima e carinhosa com a divindade. Conseqüentemente, os devotos de Kali formam com ela um laço de intimidade e amor. Mas o devoto nunca esquece os aspectos demoníacos e assustadores de Kali. Ele não distorce a natureza de Kali e a verdade que ela revela; ele não se recusa a meditar em seus traços apavorantes. Ele os cita repetidamente em suas canções mas nunca é repelido por eles. Kali pode ser assustadora, louca, a mestra descuidada de um mundo fora de controle, mas ela é, apesar de tudo, a Mãe de tudo. Como tal, ela deve ser aceita por suas crianças - aceita com admiração e pavor, mas mesmo assim aceita. O poeta, num tom íntimo e iluminado, trata a Mãe da seguinte forma:


Ó Kali! Por que Tu perambulas nua?
Tu não tens vergonha, Mãe!
Vestes e ornamentos Tu não tens nenhum;
no entanto Tu te gabas em ser a filha do Rei.
Ó Mãe! É um mérito de Tua família que Tu
Coloques teus pés em Teu marido?
Tu estás nua; Teu marido está nu; ambos vagam pelos solos de cremação.
Ó Mãe! Estamos todos com vergonha de você; coloque tua veste.
Tu jogaste fora Teu colar de jóias, Mãe,
E vestes um colar de cabeças humanas.
Prasada diz: "Mãe! Tua beleza cruel assustou
Teu consorte nu.
... Ramaprasad


A alma que venera sempre se torna uma criança: a alma que se torna uma criança encontra Deus mais freqüentemente como mãe. Numa meditação antes do Sagrado Sacramento, alguma caneta escreveu essa excelente declaração: "Minha criança, você não precisa saber muito para agradar-Me. Apenas Me ame querido. Fale comigo, como você falaria com sua mãe, se ela o tivesse em seus braços."


Nos só ganhamos a dádiva de Kali quando aceitamos ou confrontamos as realidades que ela envia pra nós. Kali, de diversas formas, ensina-nos que dor, mágoa, decadência, morte e destruição não devem ser superadas ou conquistadas com a negação ou tentando explica-las. Dor e mágoa são tecidos na textura da vida humana tão intrinsicamente que nega-los é extremamente vão. Para que nós consigamos realizar a completude de seu ser, para que exploremos nosso potencial como seres humanos, devemos finalmente aceitar essa dimensão da existência. A dádiva de Kali é a liberdade, a liberdade da criança de aproveitar o momento, e só é conquistada após o confronto ou aceitação da morte. Se ignoramos a morte, fingimos que somos fisicamente imortais, fingimos que o ego é o centro das coisas, provocamos em Kali uma risada de deboche. Se confrontamos ou aceitamos a morte, ao contrário, compreendemos um modo de vida que pode encantar-nos e divertiremo-nos com o jogo dos deuses. Aceitando a mortalidade estaremos prontos para ir, cantar, dançar e gritar. Kali é a mãe de seus devotos não porque os protege da maneira que as coisas realmente são, mas porque ela revela a eles sua mortalidade e com isso liberta-os para agir com plenitude e livres, liberta-os da inacreditável teia de ligação que são a pretensão, praticidade e racionalidade adulta.

http://aguapotavel.blogspot.com/

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

SHIVA O DANÇARINO


Em uma floresta no sul da Índia habitava uma grande população de sábios hereges. Então Shiva resolveu passar por lá, afim de contrariá-los, e com ele foi Vishnu, disfarçado como uma linda mulher. O que aconteceu primeiro foi uma imensa confusão; os sábios começaram a brigar entre si. Mas logo se uniram para destruir Shiva, através de encantamentos... Humpf, mal sabiam o que estavam fazendo. Então fizeram um fogo sacrificial, e dele criaram um tigre ferocíssimo, que partiu para cima do Iogue. Mas sorrindo gentilmente, Shiva o dominou e, com a unha de seu dedo mindinho, arrancou sua pele e a amarrou na cintura, como se fosse um pedaço de seda. Com aquela cara-de-tacho, os sábios renovaram suas oferendas e produziram uma serpente monstruosa. Shiva olhou para aquilo e, com a maior tranqüilidade do mundo, dominou-a, colocando-a em seu pescoço como se vestisse uma guirlanda. Então ele começou a dançar. Numa última e desesperada tentativa, os sábios enviaram sobre ele um último monstro, na forma de um anão maligno. O deus pressionou-o sob a ponta de seu pé, e quebrou as costas da criatura, que se retorceu no solo. E então, com seu último inimigo prostrado, Shiva parou de dançar.
Essa é a representação de Shiva como Nataraja, o rei dos dançarinos. Mas para entender o conceito do Nataraja, é preciso compreender a dança em si. Assim como a Ioga, a dança nos leva ao transe, ao êxtase, à vivência do divino, à compreensão da própria natureza e à ligação com a essência divina. Por isso, na Índia, a dança conviveu lado a lado com as severas práticas ascéticas e meditação (jejuns, exercícios respiratórios, introversão absoluta). O que explica o fato de Shiva, que é o Grande Iogue dos deuses, ser também o senhor da dança.

A dança é um ato criador. A dança de guerra converte os homens em guerreiros, despertando suas virtudes bélicas. A dança da caçada antecipa o êxito da caça, transformando os participantes em infalíveis caçadores. Para despertar os poderes da fecundidade, os dançarinos imitam os deuses da vegetação, da sexualidade e da chuva. Dessa forma, ela tem uma função cosmogônica, ou seja, desperta as energias que estão adormecidas dentro de nós para que dêem forma ao universo. Shiva é o Dançarino cósmico, incorpora em si mesmo a energia eterna que torna manifesta. As forças que reúne e projeta são os poderes da evolução, preservação e dissolução do universo. A natureza e todas as criaturas são o efeito dessa dança eterna.

A iconografia da imagem do Nataraja é repleta de significados. Sua mão direita superior leva um pequeno tambor, tipo uma ampulheta, que serve para a marcação do ritmo de sua dança. Ele é o som, veículo da fala e portador da revelação, tradição, encantamento, magia e verdade divina. Na Índia, o som é associado ao éter, o primeiro dos cinco elementos. Dele emanaram ar, fogo, água e terra. Por isso, som e éter significam o verdadeiro momento da criação. Há também uma lenda que diz que quando Shiva concedeu a sabedoria ao ignorante Panini (hoje reconhecido como um grande conhecedor da gramática sânscrita), o som do tambor encapsulava a totalidade da gramática sânscrita. Tanto que o primeiro verso da gramática de Panini é chamado de Shiva Sutra. O tambor-ampulheta também representa os princípios vitais do masculino e do feminino. Dois triângulos penetram a si mesmos para formar um hexágono e, quando se partem, o universo também se dissolve.

No lado oposto, a mão esquerda superior (cujos dedos formam uma meia-lua), mostra na palma uma língua de fogo. Nós sabemos que o fogo é o elemento da destruição do mundo. De acordo com a mitologia hindu, no término do Kali yuga (era na qual vivemos), o fogo aniquilará o corpo da criação, sendo ele próprio apagado pelo oceano do vazio. Dessa maneira as mãos se equilibram, som/fogo, criação/destruição, dando o balanço da dança.

A segunda mão direita faz o gesto abhaya-mudra - “não temas”, que confere proteção e paz. O dançarino é como um pai que nos embala.

A outra mão esquerda aponta para baixo, para o pé esquerdo erguido. Este é o pé que significa a liberação, onde encontramos refúgio e salvação. Para que alcancemos a união com o Absoluto, ele precisa ser venerado. O que mais me impressiona, e que eu particularmente acho interessantíssimo é que a mão que aponta para o pé tem uma pose que imita a tromba de um elefante. Esse gesto é conhecido como gaja-hasta-mudra, e nos lembra o filho de Shiva, Ganesha, o “Removedor de Obstáculos”.

O deus dança sobre o corpo prostrado do anão-demônio, de nome Apasmara Purusa. Purusa significa Homem e apasmara quer dizer Esquecimento ou Imprudência, por isso o anão simboliza a cegueira da vida, a ignorância humana. Toda a energia criativa só é possível quando o peso da inércia é superado e reprimido. O Dançarino nos fala para deixar de lado a complacência e reunirmos nossos atos.

O palco onde o deus dança é um anel de fogo e luz (prabha-mandala) que o circunda. Ele significa os processos vitais do universo e de suas criaturas. É também a energia da sabedoria, a luz transcendental do conhecimento da verdade, cuja dança emana da personificação do todo. A imagem repousa num pedestal de lótus, que aloca o universo no coração e consciência de cada um de nós. É provável que a origem do anel flamejante se refira ao aspecto destrutivo de Shiva-Rudra; mas a destruição, em Shiva, é idêntica à liberação.

O dançarino personifica e manifesta a energia eterna em suas cinco atividades (pañca-kriya). A primeira é a Criação (sristi), o derramar ou expandir. Depois a Preservação (sthiti), a duração. Em terceiro vem a Destruição (samhara), o retorno ou reabsorção, seguido por Encobrimento (tiro-bhava), o velar do verdadeiro ser por trás das vestes e máscaras das aparências, da indiferença, da manifestação de Maya. Por último a graça (anugraha) - a aceitação do devoto, o reconhecimento do iogue, a concessão da paz através de uma manifestação reveladora. Essa revelação é não apenas simultânea, como também seqüencial. Todas as cinco atividades são manifestadas em seqüência, simultaneamente à pulsação de cada momento, através das transformações temporais.

O movimento incessante e ondulante dos membros de Shiva Nataraja faz um contraste com a estabilidade da cabeça e a imobilidade do semblante de máscara. Shiva é Kala, “O Negro”, “O Tempo”; mas é também Maha Kala, “O Grande Tempo”, “A Eternidade”. Seus gestos precipitam a ilusão cósmica, seus braços e pernas velozes, o ondular do torso produzem a contínua criação-destruição do universo, a morte contrabalançando de modo preciso o nascimento, a aniquilação como fim de cada criação. A coreografia é o redemoinho do tempo. O ritmo cíclico é marcado pelas batidas dos pés do Mestre. Mas a face mantém-se calma e soberana. Há uma tensão entre a dança e a serenidade de seu semblante: é a tensão entre a eternidade e o tempo. Nós temos a tendência de nos apegarmos à dualidade, com ansiedade e prazer. Mas a dualidade na verdade não existe. A ignorância, a paixão, o egoísmo, desintegram a experiência da essência suprema, na ilusão de um mundo de existências individuais. Este mundo, entretanto, EXISTE, apesar de toda sua fluidez, e jamais terá fim.

O cabelo do Shiva é um capítulo à parte. Eles são longos e revoltos, metade soltos e a outra parte encontra-se presa, como se fosse uma pirâmide. Uma energia vital sobrenatural, correspondente ao poder da magia, reside nesses cabelos enredados que a tesoura jamais tocou. Eles se expandem, formando duas asas à esquerda e direita, uma aura em suas ondas mágicas, a exuberância da vida sensorial.

Sabemos que grande parte do charme feminino está na fragrância, no brilho de uma linda cabeleira. É o apelo sensual do Eterno Feminino, poder criador. Por isso, quem quer renunciar às forças geradoras do reino animal, indo contra os princípios procriadores da vida, do sexo, da terra e da natureza, para ingressar na via espiritual do ascetismo absoluto deve raspar os cabelos. Isso é uma representação de um ancião, cujos cabelos já caíram, e que já não é mais parte da cadeia de geração.

Já o Shiva é duas coisas opostas: o asceta arquetípico e o dançarino arquetípico. Por um lado ele é a serenidade total, a calma absorvida em si, absorto no vazio do Absoluto, onde todas as distinções se fundem e dissolvem, todas as tensões estão em repouso. Mas por outro lado ele é a atividade total, a energia da vida, frenética e lúdica.

O dançarino representa não apenas um evento qualquer de uma deidade local, mas uma visão universal onde as forças da natureza e as aspirações e limitações do homem confrontam-se e são unidas. Se alguém tivesse que escolher um único ícone para representar o extraordinariamente rico e complexo patrimônio cultural da Inda, o Shiva Nataraja poderia ser o candidato mais indicado.


http://aguapotavel.blogspot.com/

ORIENTAÇÕES PARA O JEJUM DE EKADASI


.
O Ekadasi é o décimo primeiro dia lunar (Tithi) das quinzenas brilhante (shukla paksha) ou escura (krishna paksha) de cada mês lunar do Calendário Védico (também chamado Panchang). Nestes dias se observa jejum de feijões e cereais.

Esse jejum pode ser praticado de diversos modos e com variados propósitos, mas a essência é comer com simplicidade, de modo que se possa gastar tanto tempo quanto possível em atividades espirituais. Apenas para efeito didáticos, toda essa variedade de formas foi dividida em 4 níveis crescentes, de acordo com a consciência, facilidades e controle dos sentidos do praticante. Também é possível fazer combinações das orientações encontradas nos diversos níveis, adaptando-as ao tempo, lugar e circunstâncias específicos do praticante.

Assim, é importante enfatizar que não é propósito deste documento determinar regras e obrigações. Apenas apresenta uma linha de avanço geral, mais comum, para aqueles interessados em como fazer o jejum de Ekadasi na prática. Informações específicas quanto à origem e propósito do Ekadasi, bem como histórias, exemplos e resultados de se seguir esse jejum, podem ser encontradas na literatura vaishnava.



Ekadasi Nível 1 – Iniciante (curiosos, simpatizantes, devotos iniciantes)


Quem deseja avançar na vida espiritual (e mesmo na material), ou simplesmente deseja experimentar o jejum para fins de saúde ou melhora da qualidade de vida, pode começar com as orientações abaixo.

Alimentos que podem ser consumidos no Ekadasi:

*

Todas as frutas (frescas e secas, verdes ou maduras);
*

Todas as nozes (e óleos feitos das nozes);
*

Todos os legumes (abóbora, abobrinha, pepino, etc.);
*

Todas as verduras (repolho, couve, alface, etc.);
*

Todas as raízes (batatas, mandioca, macaxeira, rabanete, cenoura, etc.);
*

Trigo mourisco;
*

Azeitonas;
*

Coco;
*

Amendoim;
*

Óleos de girassol, oliva, amendoim e caroço de algodão;
*

Todos os açúcares (da cana, de beterraba, demerara, etc.);
*

Todos os leites e seus derivados (queijo, iogurte, coalhada, requeijão, ghee, etc.).

Temperos que podem ser usados em Ekadasi:

*

Sal;
*

Gengibre;
*

Temperos verdes (coentro verde, hortelã verde, salsinha verde, etc. - menos cebolinha verde e alho poró, por serem tamásicos);
*

Curcuma (Açafrão-da-Índia);
*

Pimenta preta.

Alimentos que não devem ser consumidos, por “quebrarem” o Ekadasi:

1 – Nenhum dos cinco tipos de cereais, conforme definidos na cultura védica, isto é, nenhuma das variedades de:

a) Arroz;

b) Trigo;

c) Cevada;

d) Grãos (feijões, grão-de-bico, ervilhas, lentilhas, milho, etc.);

e) Mostarda e gergelim.

2- Nenhum dos produtos compostos de cereais:

a) Cereais quebrados (xerém de milho, arroz quebrado, ervilha partida, etc);

b) Grão não-maduros e vagens (espiga de milho verde, milheto, vagem de feijão, feijão verde, etc).

c) Cereais em flocos (flocos de aveia, flocos de arroz, etc.).

3- Nenhum dos produtos derivados de cereais:

a) Farinhas de cereais (farinha de trigo, farinha integral, farinha de rosca, etc.);

b) Pós de cereais (pó de cevada, pó de arroz, etc);

c) Óleos de cereais (óleo de soja, óleo de milho, óleo de gergelim);

d) Amidos (amido de milho, etc.).

4- Nenhum dos alimentos que contenham cereais ou seus derivados em sua composição:

a) Comidas feitas com cereais (pão, comidas de milho, macarrão, biscoitos, bolos, tahine, doces de cereais, pipoca, arroz inflado, etc.);

b) Alimentos feitos com, ou contendo, algum tipo de derivado de cereal em sua composição (isto é, contendo amidos, temperos de grãos, óleos de cereais, etc.), tais como, por exemplo:

i) Frituras em óleos derivados de cereais;

ii) Margarinas e frituras com margarinas;

iii) Refrigerantes;

iv) Doces com amidos;

v) Sorvetes;

vi) Misturas prontas para milk-shakes, sucos dietéticos, etc.;

vii) Certos requeijões, iogurtes, sucos industrializados, etc.;

viii) Certas sopas com: grãos, macarrão, ou temperos compostos de grãos, etc.;

ix) De modo geral, os alimentos industrializados (se for consumi-los, veja a composição e ingredientes na embalagem).

Temperos NÃO usados em Ekadasi:

*

Sementes de gergelim
*

Sementes de cominho
*

Sementes de mostarda
*

Cardamomo
*

Sementes de Papoula
*

Sementes de Kalonji
*

Sementes de Ajwain



Ekadasi Nível 2 – Intermediário (devotos mais estritos)


Para os devotos que desejam ser mais estritos, especialmente levando-se em conta o controle dos sentidos e o voto de bramacarya (celibato), tanto para os solteiros quanto para os casais.Aplicam-se todas as orientações anteriores para o nível 1, complementadas pelas que seguem abaixo.

Alimentos restringidos durante Ekadasi:

*

Vegetais picantes como pimentas, pimentão, berinjelas (aumentam o apetite);
*

Todos os vegetais frondosos (por serem muito protéicos):
*

Couve-flor;
*

Brócolis;
*

Espinafre;
*

Repolhos;
*

Ervas frondosas - como a salsa, as folhas do caril, as folhas de neem, etc;
*

Saladas;
*

Vegetais Indianos:
o

Karela (melão amargo, ou melão de São Caetano);
o

Loki;
o

Parmal;
o

Toroi;
o

Kunli;
o

Drumsticks (baquetas);
o

Okra (tipo de quiabo);
o

Flor de bananeira.
*

Mel (por ser muito energético);
*

Queijos comerciais (por estarem sujeitos a adulteração com algum tipo de farinha).

Temperos NÃO usados em Ekadasi:

*

Sementes de gergelim;
*

Sementes de cominho;
*

Pimenta preta;
*

Curcuma (açafrão-da-Índia);
*

Assafétida;
*

Feno grego;
*

Sementes de mostarda;
*

Tamarindo;
*

Funcho;
*

Aipo;
*

Sementes de Papoula;
*

Sementes de Kalonji;
*

Sementes de Ajwain;
*

Cardamomo;
*

Noz-moscada;
*

Cravo-da-índia;
*

Temperos em pó em geral (por estarem sujeitos a adulteração com algum tipo de farinha).

No caso de quebra indevida do Ekadasi:

Parar imediatamente de comer o alimento “contaminado” com grãos (devido à presença de papa-purusha), e:

*

Continuar o jejum como pretendido inicialmente (melhor); ou
*

Da quebra em diante, fazer o jejum no nível mais básico - nível 1.

Obs.: Pode-se recuperar o resultado advindo de seguir corretamente esse Ekadasi que foi quebrado, por seguir estritamente o Pandava Nirjala Ekadasi seguinte.



Ekadasi Nível 3 – Avançado (devotos seriamente interessados no benefício espiritual de observar o voto de Ekadasi)


Para os devotos que estejam seriamente interessados em seguir o voto de Ekadasi, com vistas ao benefício espiritual advindo de tal prática.Aplicam-se todas as orientações anteriores para os níveis 1 e 2, acrescentando-se as que seguem abaixo.

Orientações suplementares para quem quiser seguir Ekadasi mais estrita e seriamente:

*

Preferencialmente não comer nada no Ekadasi;
*

Se possível, também não beber nada, nem mesmo água;
*

Tentar permanecer acordado durante todo o período do Ekadasi, inclusive por toda a noite (do brahma-muhurtha antes do nascer do sol no dia do Ekadasi até o horário de quebra de jejum no dia seguinte);
*

Evitar atividades materiais para o sustento corpóreo (trabalho formal, negócios, etc.) e de gozo dos sentidos (brincadeiras, jogos, diversões, futilidades, etc.).
*

Durante o período do Ekadasi, procurar não se distrair com amenidades ou divertimentos, permanecendo o máximo de tempo possível ativamente ocupado em Consciência de Krishna (leitura, adoração, pregação, kirtana, bhajana, aratik, etc.);
*

Pelo menos uma vez por ano, no Pandava Nirjala Ekadasi, fazer o jejum completo, não tomando nem mesmo água (nir jala = nem água).

Fazendo o voto de Ekadasi:

O devoto interessado em fazer o voto formal deve, no dia do Utpanna Ekadasi (o primeiro Ekadasi do ciclo de 24), na frente das Deidades, propor qual dos tipos de jejum ele fará até o próximo Utpanna Ekadasi. Os quatro tipos principais são:

*

Observar jejum até o meio-dia, fazer uma refeição sem grãos e observar jejum até o dia seguinte, quebrando o jejum dentro do horário estabelecido;
*

O mesmo que o acima, porém observando jejum até às 16 horas;
*

Jejum completo até o dia seguinte;
*

O mesmo que o acima, mas permanecendo acordado a noite toda cantando os santos nomes (japa, bhajana, kirtana);

Existem outros tipos de jejum ainda, tais como comer apenas frutas, ou tomar só leite ou outros líquidos (sucos, água, etc.).



Ekadasi Nível 4 – Mais Completo


Corpo e mente são muito difíceis de controlar. Não é incomum propostas da mente para, de alguma forma, “compensar” o dia de austeridade e auto-controle, através da busca de satisfação desmesurada dos sentidos no dia anterior ao Ekadasi, no seguinte, ou até em ambos. Para os devotos que desejem seriamente praticar o auto-controle com vistas ao avanço espiritual, aplicam-se todas as orientações anteriores para os níveis 1, 2 e 3, acrescentando-se as que seguem abaixo.

Orientações suplementares para quem quiser seguir Ekadasi com preparação prévia e auto-controle durante e no dia seguinte.

Deve-se observar o Ekadasi apenas para a satisfação do Senhor Supremo. O significado da palavra upavasa (jejum) é viver próximo. No dia de Ekadasi deve-se se afastar de todas as espécies de atividades pecaminosas, abandonar todas as espécies de atividades domésticas (caseiras) e de gratificação dos sentidos, e permanecer próximo ao Senhor.

No dia anterior ao Ekadasi, deve-se:

*

Deixar a cama macia e dormir no chão;
*

Comer somente uma vez;
*

Beber água somente uma vez;
*

Permanecer arrumado e limpo;
*

Controlar os sentidos;
*

Não ter atividade sexual;
*

Evitar comer:
o

Em pratos de bronze;
o

Comer alimentos fortes, tais como urad-dahl (tipo de lentilha), lentilhas-vermelhas, grão-de-bico, kondo (um certo tipo de grão), arroz pré-cozido, espinafre e mel;
o

Fora de casa (na casa de outra pessoa, etc.).

No dia do Ekadasi deve-se:

*

Levantar cedo pela manhã, antes do Brahma-muhurta, e oferecer reverências ao Supremo Senhor Hari;
*

Tomar banho (de chuveiro - o mais básico, até um banho em um rio – o melhor). Uma pessoa piedosa deve assim, ao se banhar, abandonar toda sua ira e cobiça;
*

Adorar o Senhor Keshava com devoção e oferecer a ele alimentos saborosos;
*

Oferecer uma lamparina no Templo do Senhor;
*

Ouvir as glórias do Ekadasi da boca de um brahmana, e então dar a ele suficiente caridade;
*

Ouvir e falar sobre as glórias do Senhor Krishna;
*

Permanecer acordado durante a noite enquanto canta as glórias transcendentais de Krishna;
*

Jejuar, ou então, pelo menos, não comer os cinco tipos de grãos acima indicados;
*

Evitar (mesmo nas suas forma mais sutis, leves ou ingênuas):
o

Jogos de azar;
o

Espalhar rumores;
o

Procurar erros nos outros;
o

Pregar para pessoas espiritualmente desinteressadas;
o

Irar-se, mentir, enganar, roubar, etc.
o

Atividade sexual;
o

Associar-se com pessoas de baixa classe, pecaminosas ou ateístas.
*

Evitar também:
o

Praticar esportes;
o

Dormir, cochilar, soneca, etc.;
o

Mascar nozes de betel ou suas folhas;
o

Escovar os dentes.

No dia posterior ao Ekadasi deve-se:

*

Adorar o Senhor Hari com devoção, oferecendo-Lhe folhas de Tulasi;
*

Dar caridade aos brahmanas;
*

Não comer:
*

Mais de uma vez;
*

Em pratos de bronze;
*

Alimentos muito fortes, tais como urad-dahl (tipo de lentilha), lentilhas-vermelhas e mel;
*

Fora de casa (na casa de outra pessoa, etc.);
*

Alimentos de alguma forma contaminados.
*

Não praticar qualquer atividade sexual;
*

Não barbear o rosto, raspar a cabeça ou se depilar;
*

Não passar óleo no corpo de alguém ou no próprio;
*

Não mentir;
*

Não participar de trabalho ou exercício extenuante.

Citação do Nectar da Devoção (Bhakti Rasamrta Sindhu), pág. 63 - Observando o jejum no Ekadasi:

No Brahma Vaivarta Purana é dito que aquele que observa jejum no Ekadashi está liberado de todos os tipos de reações das atividades pecaminosas e avança na vida piedosa. O princípio básico é não apenas jejuar, mas incrementar o amor e a fé por Govinda, ou Krsna. A razão real para se observar o jejum no Ekadashi é minimizar as demandas do corpo e ocupar nosso tempo no serviço do Senhor por cantar ou praticar serviço similar. A melhor coisa a fazer nos dias de jejum é lembrar dos passatempos de Govinda e ouvir Seus santos nomes constantemente.

Quebrando um Ekadasi rapidamente:

Se você observar um jejum completo (sem mesmo beber água), você não necessita quebrá-lo com grãos. Você pode quebrá-lo com caranamrita ou fruta. Se você observar o Ekadasi comendo frutas, vegetais, etc., então ele deve ser quebrado no dia seguinte tomando grãos no horário especificado no calendário Vaisnava.

Pessoas que não devem fazer jejum estrito no Ekadasi:

*

Pessoas com problemas de fígado, coração, pulmão, estômago ou rins;
*

Pessoas insanas ou muito perturbadas (ansiosas, preocupadas, etc.);
*

Crianças, idosos e grávidas.

Todos devem, porém, observar o jejum de feijões e cereais.Aqueles que forem, por qualquer motivo, incapazes de observar o jejum de Ekadasi (nem mesmo o jejum de grãos), podem obter alguns dos resultados de observar Ekadasi simplesmente por ouvir e divulgar suas glórias (falar, cantar, etc.).



Considerações adicionais:


O sal para o Ekadasi teve ser tomado de um pacote novo ou limpo.

Soja não é considerada muito adequada para alimentação humana, por ser muito protéica. Se consumir, seja moderado.

Lentilhas (urad-dhal, masura dhal) também são tão protéicas que não são consideradas alimento para vegetarianos, e não podem ser oferecidas as deidades. Se for comer, coma no máximo uma vez por semana.

Grão-de-bico é também muito protéico. Quando consumir, bastam uns poucos grãos por dia.

Os queijos vendidos comercialmente estão sujeitos a muitos tipos de adulteração com farinhas de cereais. Se for usar queijo no Ekadasi (e não quiser correr riscos de adulterações), dê preferência a fazer seu próprio queijo fresco a partir do leite.

Alguns não recomendam tomates no Ekadasi. Alguns argumentam que não é um vegetal tradicional indiano, não sendo usado nem mesmo nos dias normais, quanto mais no Ekadasi. Outros se referem à dificuldade de cultivo, que exige muito agrotóxico, por ser uma fruta muito delicada. O tomate não é um legume, mas sim uma fruta, da mesma família das beringelas, pimentões, pimentas. Mas quanto a aumentar o apetite, não temos confirmação. Talvez seja o caso de algumas variedades.

No Ekadasi cozinha-se para as deidades como nos dias normais (Krishna não precisa fazer Ekadasi: este é um benefício para nós, entidades vivas condicionadas).

Embora os vaishnavas devam aceitar todos os tipos de alimentos oferecidos ao Senhor (e em especial a maha-prasada), no Ekadasi não se deve aceitar nem mesmo a maha-prasada (embora possa-se guardá-la para comer no dia seguinte).

No Sat-Tila Ekadasi (ocorre normalmente no mês de janeiro) pode-se consumir preparações feitas com gergelim, sendo, nesse dia, muito auspicioso dá-lo, prepará-lo ou comê-lo. O gergelim pode ser preparado de qualquer forma, puro ou como ingrediente de diversas preparações.

Ekadasi tem horário para início e finalização (quebra de jejum). Os dias, no calendário védico, iniciam-se ao nascer do Sol. Assim, pode-se considerar que o jejum, efetivamente, inicia-se no Brahma-muhurtha (antes da alvorada) no dia do Ekadasi, e termina após o nascer do sol do dia seguinte, quando deve-se tomar alguma prasada para “oficialmente” encerrar o jejum. O horário para essa quebra oficial do jejum é variável, sendo determinado por cálculos astronômicos e não devendo ser ultrapassado.

Devido às orientações ayur-védicas quanto a alimentação (que contra-indicam comer tarde de noite ou de madrugada), em geral, observa-se o jejum do pôr-do-sol do dia anterior ao Ekadasi até 48 minutos (variável) depois do nascer-do-sol do dia posterior ao Ekadasi. Especialmente o horário de quebra de jejum deve ser respeitado, sendo determinado por cálculos astronômicos e estando registrado nos calendários vaishnavas.

Mahadvadasi é observado como Ekadasi.

Srila Prabhupada sempre orientou seus seguidores a observar Ekadasi através do jejum de grãos e feijões. O jejum total nunca foi estimulado por Srila Prabhupada. Ao invés de acentuar várias austeridades severas, ele pôs maior ênfase no serviço (que às vezes é impedido pelo jejum, e, ainda mais, muitas vezes impedido por vários dias, devido a se permanecer acordado a noite toda). Por isso, Srila Prabhupada somente insistiu em 4 dias de jejum completo por ano (para certos Dias de Aparecimento) e orientou a comer de forma muito simples nos Ekadasis. O jejum total (e, opcionalmente, para cada Ekadasi) é um vrata (um voto) opcional, e é algo bom, caso inspire um sentimento mais profundo de amor por Krishna.

Não esqueça:

Nunca coma:

*

Carne
*

Peixes
*

Ovos
*

Cebolas*
*

Alhos*

*Cebolas e alhos são considerados vegetais no modo da ignorância e, portanto, não devem ser consumidos como alimento.Nunca se intoxique:

*

Bebidas alcoólicas (cachaça, cerveja, vinho, etc.) – no máximo, cerveja sem álcool, em certas circunstâncias e com moderação;
*

Café (devido à cafeína) – no máximo, café descafeinado. Também pode ser substituído por cevada em pó;
*

Certos tipos de chá (chá mate, chá preto, etc.) – prefira capim santo, erva doce, hortelã, etc.
*

Refrigerantes de Cola (também devido à cafeína) – troque por outros menos prejudiciais;
*

Chocolate escuro (devido à presença de cafeína, também é viciante) – troque por chocolate branco ou outros doces mais saudáveis;
*

Excesso de açúcar, sal, comida, etc.

Fonte:

Baseado no texto: "Ekadasi and Caturmasya Guidelines" (original disponível em: http://www.dharmakshetra.com/holy%20days/ekadas%20and%20caturmasya%20guidelines.html),

no texto “Sri Ekadasi” (original disponível em: http://www.radhakunda.com/ekadasi/index.html)


e no “Calendário Vaishnava”, edição 2001 – ISKCON São Paulo e Paramahamsa & Sons, página 13, versão on-line em:


http://www.harekrishnasp.com.br/calendario.htm.


Traduzido e adaptado por Gopala Dasa Adhikari (HDG), com o apoio e orientações de Paramahamsa Dasa, Jagad Bharata Dasa e Mitra Gopi Devi Dasi, e colaboração de Bhaktin Áurea.

[Ver. 4] 


http://ekadasi-devi.blogspot.com/

UM POUCO SOBRE A HISTORIA DE BOLLYWOOD


A Indústria cinematográfica de Bollywood é de longe uma das maiores de cinema do mundo em termos de bilheteria e público, isso porque a população da Índia em massa vai ao cinema.
Em média, são produzidos mais de 800 filmes e mais de mil curtas anualmente. Os produtores adoram fazer filmes simplesmente porque há milhões de milhões de entusiastas na Índia, os bilhetes do cinema lá são muito baratos comparado com o resto do mundo.
À medida que a procura e a popularidade dos filmes de Bollywood cresce na Índia e internacionalmente, as empresas aumentam a sua produção para acompanhar o ritmo da demanda do público e para ter melhores filmes com mais efeitos especiais e mais exóticos também. Hoje, tem-se a informação de que sessenta por cento (60%) dos lucros de Bollywood são devidos ao mercado extrangeiro.
Ao contrário do que parece, a índustria de cinema da Índia está atuante há bem mais tempo do que Hollywood. Foi em 1896 que surgiu o primeiro filme indiano.
Os primeiros filmes mudos, foram introduzidos pela Lumiére Brothers. Hoje a maioria dos filmes de Bollywood tem duração de 2 a 3 horas. Os temas variam de drama, romance, ação, suspense, comédia e ficção científica. O Hindi Censor Board é um grande órgão na prevenção da pornografia e nudez nos filmes de Bollywood. Ao que parece, devido a expansão do cinema, as autoridades tomaram medidas para evitar a super exposição do sexo no cinema, como aconteceu no ocidente, apesar de que a Índia em sí é extremamente erótica e rica em elementos sensuais, isso parece um pouco paradoxal, mas o fato é que lá não existe censura de idade para o cinema, ou seja, os filmes são produzidos para a família e todos vão assistir juntos.


Os indianos integram a sua cultura em todos os filmes, inúmeras cenas mostram canções folclóricas e danças que estão incorporadas no enredo das histórias. O momento da dança no filme está associado há algum acontecimento importante como por exemplo, o encontro de amantes (Devdas 2003), um amor dramático (Umrao Jam), a vitória pela luta contra a exploração (Lagaan), aqui especialmente falando sobre a colonização inglesa e as discriminações que sofreram, o que gerou muitos enredos de filmes, alguns deles famosos mundialmente como Mangal Pandey (o Motim). Não se trata somente de cinema, os indianos têm uma sensibilidade extraordinária para tratar de assuntos polêmicos com leveza e espontaneidade.

As danças dos filmes de Bollywood, especialmente os mais antigos são modeladas de acordo com os estilos clássicos da dança indiana e folclórica. Numa época em que a velocidade da internet e o comércio globalizado ainda não havia se infiltrado definitivamente na sociedade, é possível observar filmes com histórias de épicos como Mahabharata e Ramayana, além de filmes que retratam mais a questão das tradições em diferentes locais da Índia, ainda que sob a influência do sistema de castas, mas a riqueza de detalhes é sem dúvida extraordinária.

Nos filmes modernos e até mesmo nos contemporâneos, os elementos da dança estão misturados com estilos de danças ocidentais,orientais e folclóricas como: o bhangra, o banjara, o belly dance, o hip hop,etc. Isto está acontecendo porque a nova geração de jovens quer integrar-se com o resto do mundo, principalmente porque o potencial da Índia é enorme em termos de criatividade e produção artística, sem falar nas outras áreas que percebemos todos os dias nas notícias, informática, ciencia e filosofia,medicina ayurveda, etc. Eles estão vencendo os preconceitos em um sentido mais amplo, em um país onde quase 50% da população tem em média 25 anos, é de se esperar que haja uma grande revolução muito em breve na Índia.

Existem muitas academias de bollywood espalhadas pelo mundo, são indianos que migram para ensinar este estilo de dança aos interessados na cultura e na arte, outros artistas vão até a Índia para aprender e aprimorar suas técnicas. Em londres atualmente, existe mais cultura indiana como nunca houve. No Brasil, como tudo que é relacionado a cultura e arte só é valorizado de acordo com a mídia e as programações novelísticas, o bollywood despertou o interesse do brasileiro com a novela global em 2009. Este estilo de dança vem caindo no gosto de muitas pessoas que procuram ao mesmo tempo bem estar em aprender um ritmo novo e boa forma, bollywood trabalha articulações e movimentos aeróbicos juntamente com a leveza da dança, além de divertir e despertar a sensualidade dos maravilhosos ritmos indianos, tanto para homens quanto para mulheres.

Segundo o Natyashastra (tratado que explica sobre as artes na índia antiga, considerado um texto sagrado para as bailarinas de dança clássica), duas das maiores características da dança indiana são a expressividade(abhinaya) e a energia da emoção(Bhava), além da técnica e do rítmo, mas sem estes dois primeiros temperos não há dança indiana, nem mesmo o bollywood.
Em classe, estuda-se o uso de partes do corpo ainda pouco exploradas no ocidente como, movimentos dos olhos e pescoço, articulaçoes dos braços, antebraços, do peito e dos pés. Através de exercícios específicos o aluno vai descobrindo como melhorar sua performance e soltar suas emoções na dança.

Músicas de algumas coreografias: Barso Re, Aaja Nachle, Kajra re, Choli ke Peeche.

Filmes indicados: Devdas (2003) Jodhaa Akbar(2008), Lagaan, Umrao Jaam, Paheli, O motim (Mangal Pandey), 3 Idiotas, Fanaa.

Texto de Madhava Keli

Referências bibliográficas: Kamdar,Mira.Planeta Índia: A ascensão turbulenta de uma nova potência global;Rio de Janeiro:Agir,2008.


http://madhava-keli.blogspot.com

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails