sexta-feira, 21 de outubro de 2011

LAKSHMI FORTUNA, AMOR E ENCANTO

“Om Shrim Maha Lakshmiyei Swaha”
(“Om e saudações a Ela que fornece abundância”)

A Deusa Lakshmi, também conhecida como Shri, é personificada não somente como a Deusa da Fortuna, mas também como a incorporação do amor, da graça e do encanto. Ela é adorada como uma deusa que garante tanto a prosperidade quanto a liberação do ciclo da vida e da morte.
Lakshmi ergueu-se do mar de leite, o oceano cósmico primordial, segurando um lótus vermelho em sua mão. Cada membro da divina trindade - Brahma, Vishnu e Shiva (o criador, o mantenedor e o destruidor respectivamente) - queria tê-la para si. O pedido de Shiva foi recusado porque ele já havia pedido a Lua, Brahma tinha Sarasvati, então Vishnu pediu por ela e ela nasceu e renasceu como sua consorte em todas as suas dez encarnações.
Mas apesar de ter ficado com Vishnu como sua consorte, Lakshmi continuou sendo devota de Shiva. Há uma lenda interessante envolvendo sua devoção a esse deus:
Diariamente Lakshmi pegava mil flores colhidas por suas damas de companhia e as oferecia à imagem de Shiva de noite. Um dia, contando as flores enquanto ela colocava a oferenda, ela descobriu que havia menos que mil. Já era muito tarde para colher mais porque já era noite e os lótus já tinham fechado suas pétalas.
Lakshmi achou que era de mau agouro oferecer menos que mil. De repente ela se lembrou que Vishnu uma vez descreveu seus seios como lótus se abrindo. Ela decidiu oferece-los como as duas flores que estavam faltando.
A deusa cortou um de seus seios e colocou-o com as flores no altar. Antes que ela pudesse cortar o outro, Shiva, que estava extremamente emocionado com a sua devoção, apareceu na sua frente e pediu que parasse. Então ele transformou seu seio cortado em um redondo e sagrado marmelo (Aegle marmelos) e enviou-o à Terra com suas bênçãos, para florescer perto de seus templos.
Alguns textos dizem que Lakshimi é a esposa de Dharma. Ela e muitas outras deusas, todas personificações de certas qualidades auspiciosas, foram dadas em casamento a Dharma. Essa associação parece a princípio representar a união de Dharma (a conduta virtuosa) com Lakshmi (prosperidade e bem-estar). A moral da história é ensinar que agindo de acordo com Dharma é possível obter prosperidade.
Algumas tradições também associam Lakshmi com Kubera, o horrendo lorde dos Yakshas. Os Yakshas foram uma raça de criaturas sobrenaturais que viveram fora dos limites da civilização. Sua conexão com Lakshmi talvez descende do fato que eles foram notáveis por uma propensão para coletar, guardar e distribuir riquezas. A associação com Kubera aprofunda a aura de mistério e conexões com o submundo que se anexam à Lakshmi. Yakshas também são símbolos de fertilidade. As Yakshinis (Yakshas fêmeas) representadas freqüentemente em esculturas nos templos são mulheres com seios cheios e quadris largos com bocas amplas e generosas, inclinando-se sedutoramente contra árvores. A identificação de Shri, a deusa que corporifica o poder do crescimento, com os Yakshas é natural. Ela, assim como eles, envolve-se e revela-se na irreprimível fecundidade da vida, como exemplificado na lenda de Shiva e o marmelo, e também em sua associação com o lótus.
Há também uma associação bem interessante entre a deusa Lakshmi e o deus Indra. Indra é conhecido como o deus dos deuses, o primeiro dos deuses, é geralmente descrito como o deus celestial. Por isso é apropriado a Shri-Lakshmi ser associada à ele como sua esposa ou consorte. Nesses mitos ela aparece como a personificação da autoridade real, como sendo aquela cuja presença é essencial para o manuseio do poder real e à criação da prosperidade real.
Muitos mitos desse gênero descrevem Shri-Lakshmi como deixando um governante após o outro. Dizem que ela mora até com um demônio chamado Bali. Essa lenda deixa clara a união entre Lakshmi e reis vitoriosos. De acordo com essa lenda Bali derrota Indra. Lakshmi é atraída para as maneiras vitoriosas de Bali e sua coragem e se une a ele juntamente com suas virtudes auspiciosas. Associado à deusa adequada, Bali reina os três mundos (terra, céus e submundos) com virtude, e sob seu reinado há prosperidade em todos os lugares. Somente quando os deuses destronados conseguem enganar Bali para rende-lo é que Sarasvati o deixa, deixando-o apagado e impotente. Junto com Lakshmi, também suas qualidades o abandonam: boa conduta, comportamento virtuoso, verdade, atividade e força.
A associação de Lakshmi com tantas divindades masculinas e com a notória velocidade da boa sorte deu a ela a reputação de ser inconstante e leviana. Há um outro texto que diz que ela é tão volúvel que até mesmo em uma figura ela se move e que se ela continua com Vishnu é somente porque está atraída por suas muitas formas (avatares)! Ela também é conhecida como Chanchala, ou a incansável.
Sua inconstância convenceu seus devotos que ela pode deixá-los pelo menor motivo. Por isso eles desenvolveram diversas estratégias para prender Lakshmi, e também a prosperidade em seus estabelecimentos. Há uma seita conhecida por oferecer somente o pior tecido de malha como yastra (vestimenta) para Lakshmi; eles dizem: "É muito mais fácil para a Deusa Lakshmi abandonar nossos lares vestida em amplas faixas de tecido do que escassamente vestida no mínimo tecido que nós oferecemos a ela como vestimenta!".
No sentido mitológico, sua instabilidade e natureza aventureira lentamente começam a mudar já que ela é totalmente identificada com Vishnu, e finalmente se torna calma. Dessa maneira ela se transforma na esposa fixa, obediente e leal que reza para reunir-se ao marido em todas suas próximas vidas. As imagens mostram-na sentada no chão perto de onde seu lorde se reclina em um trono, inclinando-se a ele; um modelo de decoro social.
Fisicamente a Deusa Lakshmi é descrida como uma mulher formosa, com quatro braços, sentada em um lótus, vestida com roupas finas e jóias preciosas. Ela possui um semblante gentil, está no máximo de sua juventude e mesmo assim tem uma aparência maternal.
A característica mais chamativa em Lakshmi é sua associação persistente com o lótus. O significado do lótus em relação à Shri Lakshmi se refere à pureza e ao poder espiritual. Com as raízes na lama e desabrochando acima da água, completamente livre da lama, o lótus representa a autoridade e perfeição espiritual. Além disso, o ato de sentar-se no lótus é um motivo comum nas iconografias Budista e Hindu. Os deuses e deusas, os Buddhas e Bodhisattvas, geralmente sentam-se ou estão de pé sobre um lótus, o que sugere sua autoridade espiritual. Estar sentado sobre ou estar de alguma outra maneira associado ao lótus sugere que o ser em questão: Deus, Buddha, ou ser humano - transcendeu as limitações do mundo finito (a lama da existência) e bóia livremente numa esfera de pureza e espiritualidade. Shri-Lakshmi assim sugere mais que os poderes fertilizantes do solo úmido e que os misteriosos poderes do crescimento. Ela sugere a perfeição e um estado de refinamento que transcende o mundo material. Ela é associada não somente com a autoridade real mas também com autoridade espiritual, e combina os poderes reais e sacerdotais em sua presença. O lótus, e a deusa Lakshmi por associação, representa o desabrochar completo da vida orgânica.
Mas a deusa Lakshmi não pode ser descrita completamente sem que se mencione seu tradicional veículo, a coruja (Ulooka em Sânscrito). Dizem que por causa da sua natureza letárgica e estúpida a Deusa a leva para um passeio! Ela é a criada daqueles que sabem como controla-la; como aproveitar o máximo de seus recursos, assim como o Lorde Vishnu. Mas aqueles que a adoram cegamente são na verdade as corujas ou 'Ulookas'. A escolha é nossa: queremos ser Lorde Vishnu ou 'Ulooka' em nossa associação com Lakshmi?

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DEVI A RELUZENTE


Dêví/Deusa

 
Quando os deuses celestiais caíram exauridos após a batalha com os demônios o rei Mahishasura com sua natureza bondosa aproveitou a oportunidade para reunir um grande exercito e se autodeclarar o senhor dos céus, o governante do universo.

Essa blasfêmia chegou aos ouvidos de Vishnu que muito zangado emitiu uma forte luz de sua testa, Shiva também se zangou e ao descender de seu estado sublime de meditação emitiu um forte raio de luz ofuscante na mesma direção do raio de Vishnu. Brahma, Indra e outros deuses poderosos fizeram o mesmo emitindo raios de luz e todos esses raios se juntaram em um mesmo ponto e aos poucos a concentração abrasante das luzes assumiu a forma de uma mulher. A luz de Shiva formou o seu rosto, de Yama seu cabelo, de Vishnu seus braços, de Chandra seus seios, de Indra sua cintura, de Varuna suas coxas, da Terra seus quadris, de Brahma seus pés, de Agni, o deus do fogo, os Seus três olhos. Assim todos os deuses contribuíram com seus poderes para manifestar a auspiciosa Devi, a grande deusa Mãe. (o nome Devi deriva-se da raiz sânscrita divi que significa brilhar, assim Devi significa a reluzente).

Os imortais fizerem suas preces e a adoraram com louvores, ornamentos e armas. Shiva lhe deu um tridente, com o seu próprio. Vishnu um disco poderoso. Indra um raio. Surya, o deus do sol, lhe concedeu raios em todos os poros de sua pele e Varuna o deus do oceano, lhe presenteou com brincos, braceletes, e uma coroa de jóias divina e uma guirlanda de lótus que jamais murcha. Os deuses gritaram em uníssono, que a vitória seja da Mãe. No momento que os batalhões de demônios se aproximavam rufando seus tambores, em meio aos gritos de batalha, e ao soar das conchas. Devi era de uma estatura enorme e os demônios marchavam diretamente para Ela e ao se aproximarem atacaram-na de todos os lados, com flechas, macas, espadas e lanças. Devi emitia um som ensurdecedor urrando e rindo um sorriso aterrador e desafiante. Os dez braços dEla giravam de uma forma alternada esmagando assim as armas dos demônios e os arremessando contra seus pares. De uma só vez Ela levantava dezenas de demônios e os matava com Sua espada. Outros Ela nem se dignava levantar, paralizando-os com o tremendo barulho de Seus sinos esmagando-os após com sua maça. Quando Ela lutou com o demônio Raktabhija a terrível Mãe deusa se defrontou com vários problemas. Esse demônio tinha poderes que lhe permitiam criar novos demônios a partir de seu próprio sangue. Assim quando a deusa o feria cada gota de sangue que pingava no chão imediatamente brotava outro demônio plenamente desenvolvido. Mas no final a Mãe o sobrepujou, levantando Raktabhija e evitando que as gotas de sangue caíssem no chão, bebendo seu sangue. Esmagou-o entre seus dentes e o engoliu. Houve outro demônio que tentou sobrepujar a deusa com seus poderes mágicos. Sempre que estava ameaçado ele mudava sua forma e sua cor, porem quem pode escapar da grande Mãe? Pego pelo laço dEla cuspindo sangue o demônio foi capturado pela Devi e como uma criança que puxa um trem de brinquedo Ela o arrastou pelo campo de batalha onde já havia muitos e muitos demônios partidos ao meio pela afiada lâmina de sua espada. Agarrando alguns elefantes com uma mão, Devi jogava-os para dentro de sua boca juntamente com os demônios condutores. E assim Ela furiosamente os esmagava com seus dentes. Ela agarrou um dos demônios pelo cabelo e outro pelo pescoço, o primeiro era esmagado pelo peso de Seu pé e o outro com o Seu corpo. A presença devastadora da Mãe preenchia até mesmo as alturas do céu. Nuvens negras cobriam o local enquanto relâmpagos atemorizantes iluminavam as formas horripilantes em terra. Lá se via milhares de demônios, sem braços, sem pernas, dilacerados e cortados ao meio.

Quando Mahishasura, o rei dos demônios, viu que seu exército havia sido devastado pelos golpes da assombrosa Deusa Mãe, ele foi tomado por uma fúria devastadora. Seu corpo se expandiu assumindo a forma de um búfalo gigantesco e aterrador. Ele estava envenenado com sua própria força e valor e por isso rugia de maneira desafiadora e assim investiu contra Devi.

A Deusa gritou, ó touro você pode berrar agora, mas quando Eu o destruir, em breve, serão os deuses que irão bradar em vez de você. A terra começou a tremer com as batidas dos pés da Deusa. Mahishasura lutava com todas suas forcas e poder, mas não conseguia sobrepujar Devi. Por isso ao final ele apelou ao senso de justiça dEla dizendo que não era justo ele estar lutando com alguém tão mais poderosa. Ele alegava que Ela foi ajudada por inúmeras deusas como Durga, Kali, Chamunda, Ambhika e outros enquanto ele, Mahishasura estava só na batalha. Ela disse, eu estou sozinha, você esta vendo alguém ao meu lado? Você não percebe, ó vilão que essas deusas são apenas diferentes aspectos do meu poder e que depois retornarão a Mim. Aqui estou apenas eu mesma. Não recue, defenda-se.

E assim a selvagem batalha continuou e o demônio gigante atacou a deusa Mãe com chuvas de flechas. Ele girava discos, e brandia a maça e o bastão. Mas tudo era em vão. Ele foi morto com a lança da Devi. Assim liberando aquela alma de seu corpo e mente de natureza maligna.

As nuvens de poeira carregavam o forte odor de carne putrefata e pele chamuscadas para o horizonte que se mostrava com um forte tom vermelho sangue. Os demônios estavam mortos e o sangue deles se acumulava em poças em volta das carcaças dos elefantes e dos cavalos. Ainda insistiam em lutar contra Devi apenas alguns demônios sem cabeça. A batalha havia terminado bem como os estridentes gritos, agora se ouviam apenas os uivos dos chacais e das hienas. Nada mais havia para se matar, porém a Mãe em sua forma de Kali totalmente intoxicada pelo sangue que bebera continuava a carnificina esmagando e dilacerando os corpos já mortos dos demônios. Assim a celebração que já havia começado entre os deuses ao ver a cólera da Mãe, rapidamente foi se transformando em medo. Quem poderia parar a sua fúria? Apenas o grande Deus Shiva poderia executar tal tarefa. Untado de cinzas, o terceiro deus da trindade hindu, partiu para o campo de batalha e ali se deitou imóvel entre os cadáveres enquanto ao longe os deuses o observavam. Devi em sua fúria intoxicada andava em ziguezague entre os corpos e de repente ela se viu pisando em um belo corpo masculino nu e untado com cinzas brancas. Cheia de admiração Ela ficou paralisada por um instante olhando diretamente para os olhos dEle, Seu marido Shiva. Quando Ela percebeu que tocava o corpo de seu marido divino com seus pés, um ato de desrespeito impensável para uma mulher hindu, Kali estirou Sua língua envergonhada e isso pôs fim a destruição que Ela executava.

A antiga lenda de Devi, a grande deusa Mãe, tem passado de geração a geração entre os hindus que é proveniente de um livro sagrado dos shaktas tantras chamado Chandi. Embora essa narração sanguinária e sentimental seja alegórica, devemos considerar qual seu significado intrínseco para a sociedade hindu de hoje. Do ponto de vista religioso e social essa lenda reafirma o poder protetor do arquétipo da Mãe que é parte integral da vida familiar hindu. No ocidente, a mulher de família é observada primordialmente no seu papel de esposa, enquanto na Índia a mulher sempre é vista como Mãe. Mesmo a mulher solteira, sem filhos geralmente é chamada de mataji (Mãe). Isso é um gesto de respeito porque os hindus consideram a posição da Mãe como sendo suprema.

Na Índia, especialmente na Bengala, adora-se a grande Mãe com cerimônias de grande esplendor. Uma vez por ano durante o festival de outono chamado Durga puja é reencenada a história da estupenda protetora e assim juntam-se lado a lado intelectuais e analfabetos para adorar a Mãe nos templos, nos lares e nos pandals que se montam nas ruas. A grande Mãe abençoa esses esforços na forma da certeza de que todo ano o bem sempre Irá sobrepujar o mal.

Do ponto de vista filosófico, essa lenda é uma representação alegórica da guerra constante que acontece dentro de todos nós, ou seja, a batalha entre a nossa natureza divina contra a demoníaca. Na lenda da deusa Mãe cada uma de nossas paixões e vícios tem o seu demônio representativo, por exemplo, Sumbha é o demônio que corporifica a luxúria, Nisumbha a ambição e Mahisasura a ira.

Um famoso erudito indiano Sashi Bushan Das Gupta escreveu um artigo intitulado "Evolução da Adoração a Mãe na Índia". Ele disse: "Sempre que nossas paixões se vêem em perigo de serem erradicas ou anuladas, elas mudam de forma e cor e tentam escapar disfarçadas. Isso está bem ilustrado na história de alguns dos demônios que mudam de forma quando se defrontam com Shakti, poder divino. O fato é que essas nossas paixões e instintos têm raízes tão profundas em nós que na maioria das vezes parecem ser indestrutíveis, ou seja, ao pensarmos que acabamos com um de imediato vem outro substituir. Vemos isso bem ilustrado na luta da deusa com o demônio Raktabija que para cada gota de sangue caída ao chão brotava um outro demônio revigorado e feroz. É o despertar da Mãe dentro de nós ou seja termos plena consciência do poder divino trabalhando em nós que torna o homem forte e dotado do imenso poder de Deus. (Grandes mulheres da Índia pg. 80, por Svami Madhavananda e Ramesi Chandra)"

Alguns hindus falam da grande Mãe com a veemência de um filho que ameaça outra criança ao disputarem um brinquedo: "A minha Mãe vai te castigar se você não der isso para mim." Essa forte crença na Deusa que cuida das necessidades terrenas e espirituais parece ser infantil para os que vivem no mundo dos adultos dominados pela razão. Porém, se perscrutarmos com cuidado as camadas construídas pelos valores ditados pela sociedade, a maioria de nós concordará que em algum lugar no fundo de nossa alma existe uma vereda reconfortante reservada para nossa Mãe terrena bem como para nossa Mãe arquétipo. Muitos povos na história da humanidade depositaram sua crença no poder da Mãe deusa como sendo a força diretriz do universo. Svami Vivekananda ficou famoso no ocidente ao ensinar a forma mais elevada do Vedanta aham brahmasmi (Eu sou Brahmam, Eu sou Deus) é um exemplo. Não preste reverência a nenhum outro Deus exceto ao Eu que está dentro de você. Porém mesmo Svami Vivekananda em seu extremo racionalismo teve que reconhecer a Mãe Kali. Ele falou para alguns devotos de seu circulo intimo sobre sua paixão intima pela Mãe divina. O que se segue é uma transcrição de uma palestra que Svami Vivekananda proferiu para um pequeno grupo em um chalé no Thousand Island Park: "A Mãe é a primeira manifestação de poder e se considera como o ideal superior ao pai. O nome da Mãe traz a idéia de shakti, energia divina e onipotência. Para o recém nascido sua Mãe tem todo o poder e é capaz de fazer qualquer coisa. A Mãe divina é o kundalini que está adormecido dentro de nós, se não a adoramos jamais iremos nos conhecer. Os atributos da Mãe divina é misericórdia plena, poder total, e onipresença. Ela é a soma total da energia no universo. Toda e qualquer manifestação de poder no universo provém da Mãe. Ela é vida, inteligência, amor. Ela está no universo ainda que separada dele. Ela é uma pessoa que pode ser vista e conhecida. Da mesma forma que Shri Ramakrishna a viu e a conheceu. Estabelecidos na idéia dessa Mãe, qualquer coisa nos é possível. Ela responde imediatamente a nossas preces. Ela pode se mostrar a nós em qualquer forma a qualquer momento. A Mãe divina pode ter forma, rupa, e nome, (nama), ou ainda ter nome sem a forma. E a medida que nós a adoramos em seus diferentes aspectos podemos nos elevar de ser puro, ou seja sem nome nem forma... Um pedaço da Mãe, uma gota foi Krishna, outra foi Buda, outra foi Cristo. Adoração mesmo de uma centelha da Mãe no nosso lar terreno levanos a grandeza. Adore a Ela se você deseja amor e sabedoria. (Spirit Talks por Svami Vivekananda, pg. 48-49)"

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O SIGNIFICADO DO EKADAS I

A palavra sânscrita, "ekadasi", significa: "o décimo primeiro". Ela se refere ao décimo primeiro dia depois da lua cheia, e ao décimo primeiro dia após a lua nova. Há dois dias de lua plena no mês, um é a cheia, e o outro é a nova. Portanto, o Ekadasi ocorre duas vezes ao mês, exatamente nestes dias. A característica especial do Ekadasi, e o mais comum entre as pessoas, é o jejum de grãos. Isso é como é usualmente entendido. "Nós não comemos no Ekadasi", é o que as pessoas pensam que nós fazemos nestes dias. Na India, há uma rotina de abstinência de grãos, se não observar um completo jejum neste dia de Ekadasi. O particular significado desta observação não é meramente um jejum físico, mas psicológico e de pensamento, também; é algo muito essencial; são outros aspectos profundos do Ekadasi que estão envolvidos. De fato, o jejum é apenas uma expressão prática, e um símbolo, de alguma coisa mais, que nós resolvemos fazer, o qual possui um significado especial para nós. Por isso, aqueles que conhecem Astronomia, e que dizem que há uma influência do sistema planetário sobre nós, o mundo estelar, etc, sabem perfeitamente que nosso Planeta é parte do sistema Solar. Isso quer dizer que há um organismo ou organização o qual está metodicamente arranjado. Uma vez que nós sabemos que fazemos parte do movimento do sistema planetário, nós entendemos, através disso, que nós somos partes inseparáveis do sistema solar como um todo. Nossos corpos não estão separados da superfície da Terra, tal qual uma carroça que não tem nenhuma ligação orgânica com a estrada. Nosso corpo pertence ao Sistema Solar, uma gigante família da qual o Sol é a cabeça, e os planetas seus membros. O Sol guia as atividades desta família; e nós, sendo conteúdo deste sistema, não podemos ficar fora da influência do Sol. Nosso corpo está envolvido nestas leis que operam no Sistema Solar. Isso é uma descoberta da Astrologia. A Astronomia estuda os movimentos dos planetas, e estrelas, e a Astrologia os efeitos que isso produz no conteúdo do sistema. A observação do Ekadasi com um fenômeno astrológico, é feito devido a esta relação que nós temos com alguns planetas no Sistema. Nossa personalidade é inteiramente influenciada pelos movimentos dos planetas. De fato, não devemos pensar apenas que os planetas estão por sobre a nossa cabeça. Eles estão em todo o lugar. Há um movimento relativo dos planetas, entre os quais a Terra faz parte. O movimento de uma coisa relacionada a outra é chamado de movimento relativo. Não há um planeta o qual seja estático. Mesmo o Sol não está, no final das contas, estático. Todo o Sistema Solar está em movimento, e correndo em direção a uma gigantesca estrela, a qual é oitenta milhões de vezes maior e mais brilhante do que o nosso Sol, e cujas luzes não chegam até nós, como nos dizem os astrônomos. Nós compreendemos que há um movimento relativo entre os planetas e que nós somos influenciados relativamente pelos planetas. Cada planeta comando o nosso sistema, e nós não podemos nos livras desta influência do planeta da qual fazemos parte. O empuxo da gravitação possui influência sobre nosso corpo.


A lua é, supostamente, influenciadora da mente. A mente é, também, feita de substâncias materiais. A mente não é espiritual, mas material. Como é a matéria da mente? Isso pode ser perfeitamente conhecido se soubermos o como ela atua; em Homeopatia, por exemplo, o medicamento é manufaturado. Na Alopatia, nós damos medicamentos na sua base bruta, e na Homeopatia são chamados de tintura e dinamização. Na Homeopatia, uma gota da tintura mãe é misturada com cem gotas do espírito retificado, e agitado com força. A mistura é uma potência do remédio. Uma gota que é misturada em cem de substância neutra é misturada novamente. Esta é a segunda potência ou dinamização do remédio. Do mesmo modo, nós temos enormes potências. Então, você pode imaginar o que acontece com o remédio quando ele alcança elevada potência. Não há praticamente nenhum rastro da substância da tintura original, somente energia. Diz-se, então, que não há a substância, mas a vibração da substância, uma vibração da base material original. Há uma sutil vibração aromática, aromática naquele sentido de residium do medicamento original; e que a Alopatia pretende com uma substância irá remover o que a Homeopatia pretende. Todavia, esta "potencialização" é material, no sentido que ela é formada por matéria. Assim é a mente. Ela é uma parte sutil da substância material do nosso alimento. A sutil essência do alimento, não apenas o que é tomado diretamente pela boca, mas através dos sentidos, contribui para a mente ou com as coisas da mente. A mente é um sentido sutil, como um espelho o qual é feito apenas de material da terra, o pensamento brilha. Apenas uma superfície polida como um espelho é capaz de refletir a luz. A mente é um sentido material, mas o pensamento não é material. Ela é muito, mais muito sutil, e é feita de tudo o que nós tomamos ou bebemos. Assim, matéria influencia a matéria. Os planetas são tais quais corpos materiais, e assim eles influenciam a mente. A mente é a principal influência da lua. O Ekadasi é particularmente relevante a esta relação entre a lua e a mente. Você encontrará que, quando você mergulhar profundamente nos estudos de Astronomia, você não terá nada em seu corpo a não ser as influências planetárias! Nossos corpos são compostos e forças planetárias, e não há ninguém independente destas forças. Se cada planeta reivindicar a sua parte nosso corpo irá desintegrar-se. A lua influencia a mente, no seu movimento relativo orbital, bem como com referências a outros planetas e nós.


Outro importante aspecto é o local onde a mente é também dupla. Talvez você esteja vivendo em muitas casas, das quais, uma ou duas são suas próprias. Svasthana significa "um" local próprio. A mente possui muitas moradas ou centros de energia chamados de Chakras, os quais dois são seus conhecidos. O local da mente está personificado em nós em: 1. exatamente no corpo astral, na região correspondente entre as duas sobrancelhas, no estado desperto, e 2. no coração, durante o estado de sono. Se ela está no cérebro, estará ativa, e você, então, não estará dormindo. Se a mente estiver localizada na região intermediária, entre o centro na testa e o centro do coração, você estará no estado de sonho. Então, há um duplo centro da mente, o Ajña-chakra, ou o centro localizado entre as duas sobrancelhas, e o Anahata-chakra, ou o centro do coração. Em ambos estes centros, a mente sente-se em casa, porque ela está próxima de si mesma. Nos si mesma em cada. Na duas luas plenas (cheia e nova), no seu movimento, ela encontra-se no Ajña e no Anahata-chakras, no décimo primeiro dia. Visto que estes dois chakras são a sua morada, a mente fica na sua casa, e isso, fica concentrada e controlada facilmente. Esta é a experiência que nos foi dada pelos nossos mestres anciãos, e esta são as vantagens do Sadhakas. Você será capaz de concentrar muito facilmente quando a mente estiver naturalmente na sua própria morada. A mente não pode concentrar-se quando você está fora de sintonia, mas quando no seu local a contemplação é fácil. Então, o dia de Ekadasi em ambas as luas plenas, é a ocasião quando a sua mente encontra o seu lugar próprio, na lua cheia no Ajña-chakra, e na lua nova no Ahanata-chakra. Os seguidores do Yoga levam vantagens nestes dois dias, e tentam praticar a meditação profunda. Os Vaishnavas tratam os dias de Ekadasi como um dia muito sagrado, e observam jejum de grãos nestes dias.


Além de tudo isso, há uma necessidade de dar ao sistema psicológico algum descanso de vez em quando. Ele beneficia-se pelo fato de se comer pouco uma vez ou outra. Existem irregularidades que podem durar quatorze dias, mas que se corrigem num dia como o do Ekadasi. Deste modo, observar o Ekadasi possui muitas vantagens, físicas, astrais e espirituais, e porque neste dia há uma conexão com o relacionamento da mente com sua morada, junto com a Lua, então seremos de forma muito transcendental beneficiados em nossa meditação e contemplação; transcendental porque não se pode saber disso de forma consciente. Mas podemos sentir isso pelo simples fato de observarmos o Ekadasi. Na Índia, tudo possui uma interpretação espiritual. Cada rio é uma Deidade. Cada montanha é um Deus. Tudo é sagrado, e dedicado ao Divino. Tudo é presidido por uma deidade em particular: Gramdevata, Grihadevata, etc. Deus está em todo o lugar. A idéia por detrás de tudo isso é que nos temos o sentimento da presença de Deus em tudo e em todos. No espaço e no tempo, em tudo há Deus. O tempo é Deus. As direções são Deus. Assim, cada objeto torna-se uma incorporação de Deus. O dia de Ekadasi na India é um dia de iluminação religiosa, o qual é profundamente significante na vida.

SWAMI KRISHNANANDA (discipulo de Swami Sivananda)

O QUE É SAMSKARA?

Wedding Ceremony
Samskaras ou sanskaras é um termo (Sânscrito, muito usado no hinduísmo que significa impressão ou sob influência de impressões remanescentes (são as tendências inerentes remanescentes de alguma propensão instintiva que influencia a pessoa).
No hinduismo esta propensão e causada pelas vidas anteriores, dentro do conceito de reencarnação .
No Budismo, samskaras são os produtos da ignorância e condicionamentos inconscientes (vijnana). Na era pré-Budista o termo pali sankhara era usado para denotar um estrutura causal complexa envolvendo o kamma e dependências emergentes.
Samskaras são impressões derivadas das experiencias passadas (previas encarnações ou na vida atual) que influenciam as respostas futuras e o comportamento. No Dicionário do Hinduísmo diz que samskaras são "As impressões deixadas no subconsciente da mente por experiencias (desta ou de vidas anteriores), que colorem toda a vida, sua natureza, respostas, estados mentais, etc." [1]

Introdução

De Acordo com Meher Baba sanskaras são "impressões" (memorias residuais) acumuladas pela evolução, e mais tarde no curso da evolução do homem se encerram na inconsciência.[2] Elas não estão relacionadas a uma entidade com forma ou substância, nem como forças, mas serão melhores entendidas em termo psicológicos. Para Meher Baba, a inconsciência não é questão de energia e matéria, é intrinsecamente substância da realidade e os sanskaras reais podem ser melhor entendidos através da "experiência."
Sanskaras, uma vez adquirido e acumulado, forma uma espécie de lentes de multi-cores através das quais a percepção de nossa experiencias emergem por meio do processo de apreciação. De fato quando nós percebemos (ou os pensamentos internos ou coisas externas) são realmente apercebidos através das lentes do passado—na forma de acumulados sakskaras (impressões deixadas pelo passado).

Os rituais do Samskara

No Hinduísmo, Samskaras são também praticas ritualísticas. Se espera de um Hindu que siga nos vários estágios da sua vida. Estes numerosos samskaras são delineados no Grihya Shastras (Grihya-sutras). Gautama Dharmasutras especifica 40-48 samskaras. Entretanto, o último Smritis, diminuiu para 16 (Shodasha Samskaras).[3]
Eles são os seguintes:
Pre-natal
  1. Garbhadharana: Concepção
  2. Pumsavana: Rito da consagração de um filho no útero
  3. Simantonnayana: Rito fazer a risca no cabelo da mulher grávida
Infância
Name-Giving Ceremony
  1. Jatakarma: cerimônia do nascimento
  2. Namakarana: cerimônia do bastimo (dar nome)
  3. Nishkarmana: Primeiros passos
  4. Annaprasana: Primeira alimentação (sólida)
  5. Chudakarana: Primeira tonsura
  6. Karnavedha: Furar os glóbulos da orelha
First Feeding Ceremony 
First Head-Shaving Ceremony
Ear-piercing Ceremony
    Adolescência
    Vedic Study Initiation

    1. Vidhyarambha: início da educação
    2. Upanayana: cerimônia do fiar (Iniciação)
    3. Vedarambha: início dos estudo dos Vedas
    4. Keshanta ou Godana: Primeira barbear
    5. Samaavartana ou Snaana: Fim da escolaridade
    Adulto

    Wedding Ceremony
    1. Vivaha: Casamento
    2. Anthyesthi: ritos póstumos

    Funeral Ceremony 
     
    Fonte: Wikipédia 

      VIVAHA CASAMENTO HINDU

      O vivaha é o mais importante dos rituais hindus. Dá-se grande importância ao casamento, pois considera-se que a vida em família é o estado natural dos seres humanos, e onde nós temos mais chance de sermos felizes e realizarmos nossas mais altas aspirações. Isso acontece porque, assim como os seres vivos dependem do ar para respirar, da mesma forma a sociedade depende das famílias para existir.

      O ritual aqui descrito corresponde à forma como os casamentos são feitos dentro do hinduísmo. No entanto, há muitos rituais de casamento na Índia, que variam de acordo com a região, a cultura e os costumes de cada uma das numerosas etnias desse grande país. Aqui mantivemos os momentos mais importantes do casamento, porém traduzindo os hinos sânscritos para o português, afim de conservar a profunda significação dessa bela cerimônia. Fizemos algumas abreviações e adaptações que, acreditamos, não mudarão o sentido do ritual.

      O casamento hindu consiste em uma série de rituais altamente simbólicos e profundos. Um grupo desses rituais visa a consagrar a união entre os noivos. Fazem parte deste grupo unir as mãos, colocar a guirlanda de flores no amado, tocar o coração, etc. Outro grupo de rituais tem como objetivo invocar felicidade, paz, prosperidade e fertilidade para o matrimônio que inicia. Finalmente, como o casamento é um dos mais importantes rituais de passagem da nossa vida, fazem-se alguns rituais simbólicos para afastar influências negativas que possam assombrar a felicidade e a paz do casal. À noiva é reservado um tratamento muito especial, já que ela ocupa o lugar central na estrutura familiar.

      O vivaha não é um contrato, mas a sacralização de uma união baseada no amor, no carinho, na confiança e no respeito. O casamento não é visto como a simples união de dois elementos. Existe uma força que está presente no casamento, que é o terceiro elemento da união. Essa força chama-se dharma, que significa em sânscrito “aquilo que mantém unido“. O dharma é a força que sustenta a ordem natural das coisas, aquilo a que nos mantemos essencialmente fiéis.

      Os rituais


      Listamos aqui, na ordem adequada, os diferentes rituais que configuram o casamento, e que serão feitos ao longo da cerimônia pelos noivos, seus pais e o oficiante.

      I – Vagdanam, a “entrega de palavra”

      1. O início da cerimônia do casamento consiste num ritual chamado vagdanam, que significa literalmente “entrega de palavra“. Nessa parte do casamento, para consagrar o início, a mãe do noivo coloca no colo da noiva uma cesta contendo frutas e um pouco de açúcar cristal, símbolo do desejo de felicidade e prosperidade no ciclo que aqui inicia.

      2. A noiva, por sua vez, oferece um pote com iogurte e mel ao noivo, simbolizando a pureza e a doçura que eles querem para suas vidas.

      3. Neste momento, os noivos trocam guirlandas de flores, para invocar tudo o que for auspicioso e bom para a união.

      4. Na continuação, o noivo oferece um pote de arroz ou trigo em grão para o oficiante, simbolizando que, embora ele esteja entrando numa fase nova e diferente da sua existência, não esquecerá nem da caridade nem de outras ações em benefício da sociedade e dos necessitados.

      5. Depois, as mães dos noivos vão para fora da sala levando um pote com água e passam uma faca sobre ele, para proteger o casal de influências negativas.

      6. Aqui, o pai da noiva verte uma colher de água no solo, simbolizando o sacrifício que a família está fazendo para deixar a moça partir. Como condição para deixar sua filha partir, ele pede um juramento do seu novo genro: “quero que você jure que fará minha filha feliz, realizada e próspera“. O noivo, por três vezes seguidas, repete: “tenho sucesso na missão de fazer minha esposa feliz, realizada e próspera”.


      II – Vivaha, a união

      1. Aqui começa o casamento propriamente dito, com a invocação da felicidade. Os noivos ficam frente a frente, a noiva voltada para o leste. O irmão da noiva verte, com as mãos em forma de concha, alguns grãos de arroz nas mãos dela que, por sua vez, as une firmemente oferecendo os grãos ao fogo, enquanto que o noivo diz “ela está fazendo a oferenda para o fogo. Que a inteligência presente no brilho do fogo permita que ela tenha uma vida feliz e longa. Que esta relação prospere. Que esta oferenda nos una”.

      2. Nesta segunda etapa do vivaha, chamada panigrahana, o noivo segura a mão direita da noiva dizendo: “tomo tua mão em nome da felicidade. Que vivas uma vida muito longa e feliz comigo, teu marido. As forças da natureza te deram a mim e me deram a ti. Tu és a terra, eu sou o céu. Casemos e tenhamos descendência. Que tenhamos muitos filhos e que eles vivam uma vida longa. Que possamos ver cem outonos juntos”. Aqui, o noivo está responsabilizando-se pela felicidade e o bem-estar da noiva.

      3. Agora, o oficiante dá três nós, amarrando a barra do vestido da noiva à camisa do noivo, simbolizando a união sagrada.

      4. Na quarta etapa do casamento, asmarohana, o noivo pede para a noiva que suba numa pedra, colocada ao norte do altar, que simboliza a firmeza do relacionamento, cujos alicerces são a fidelidade, a confiança, o respeito e a devoção mútuos. Enquanto ela sobe ou coloca o pé direito sobre a pedra, ele diz: “sobe nesta pedra. Que sejamos firmes como ela. Que haja fidelidade, confiança, respeito e devoção entre nós”.

      5. O seguinte passo é agni pradakshina, a circunvolução do fogo sagrado. Os noivos oferecem grãos de arroz ao fogo e, na continuação, ambos dão sete voltas em torno dele, em sentido horário. Durante as três primeiras voltas, a noiva anda na frente. Nas quatro últimas, quem vai na frente é o noivo. Esse passeio ritual em torno do fogo equivale a uma jornada simbólica em torno do Sol, representando o ciclo de suas próprias vidas, que viverão juntos a partir desse momento.

      Shiva e Parvati6. Saptapadi significa “sete passos” (sapta = sete, padi = passos). É a parte mais importante do ritual. Conta a lenda que, durante o casamento de Shiva e Parvati, Shiva pediu a Parvati que, após a circunvolução ritual do fogo, ficasse do seu lado esquerdo, para consagrar o casamento. Ela recusou-se a aceitar o casamento como concluído, a menos que ele aquiescesse em lhe outorgar sete pedidos. Ele concordou e, por sua vez, pediu para ela que fizesse o mesmo e assim esse costume foi integrado no casamento. O saptapadi consiste em andar juntos por sete passos em direção ao norte. A cada passo, eles fazem seus sete pedidos, pronunciando estas palavras: “um passo pelo nosso amor, dois passos para termos bons alimentos, três passos pela nossa força, quatro passos pela nossa felicidade, cinco passos pela prosperidade, seis passos pelos filhos que teremos, sete passos pela devoção“. Essa fala pode ser dita pela noiva ou pelo noivo.

      7. Logo, o oficiante diz: “que as responsabilidades éticas sejam cumpridas, que os recém casados compartilhem suas riquezas, que compartilhem seus momentos felizes e os menos felizes também, que se mantenham distantes dos cinco inimigos (raiva, medo, avareza, apego e egoísmo), que sejam felizes em todas as estações, que sejam fiéis em pensamento e ação, que cultivem juntos as virtudes“.

      8. Após os sete passos, a esposa fica em pé do lado esquerdo do esposo. Isso simboliza que ele irá defendé-la sempre que for preciso, usando seu braço direito. Aqui conclui-se o casamento.


      III – Após o ritual da união

      1. O oficiante esparge algumas gotas de água sobre a esposa dizendo: “que as águas, pacíficas e abençoadas, te sejam favoráveis. Que possam sempre te curar“. Este é um ritual de purificação, que simboliza a aniquilação dos karmas resultantes de toda ação errada que ela possa ter cometido no passado.

      2. Neste momento, o esposo toca o coração da esposa e diz: “que teu coração possa viver no meu. Que tua mente possa viver na minha. Que possas ser feliz e desfrutar no meu mundo. Te aceito do jeito que és“.

      3. O noivo passa kunkum (pó vermelho), usando o dedo anular direito, na divisão dos cabelos da noiva, desde a testa até o alto da cabeça.

      4. Ao finalizar a cerimônia, os recém casados cumprimentam, em primeiro lugar, seus pais. Na continuação, os parentes e amigos reunidos jogam uma chuva de flores sobre os recém casados para abençoá-los.

      5. Aqui começa a celebração, a festa e o banquete.

      Durante a refeição, pode fazer-se o datar, ritual em que um pouco de sal é trocado três vezes de mãos entre os recém casados, e entre eles e seus pais. Acredita-se na Índia que aqueles que compartilham o sal não irão discutir nunca, pois passam a ser do mesmo sangue. Assim como o sal se mistura com todos os alimentos e perde sua própria identidade, mas dá aos alimentos seu sabor, da mesma forma, na troca do sal, as famílias consagram, de maneira sutil, uma união que transcende o relacionamento entre os noivos e se extende aos outros membros de ambas as famílias. Também existe uma crença que diz que, se você comer o sal da casa de alguém, você será sempre fiel às pessoas dessa casa.


      Pedro Kupfer
      http://www.ekadantayoga.com.br

      quinta-feira, 20 de outubro de 2011

      AS SETE BENÇÃOS DO CASAMENTO HINDU


      A cerimônia hindu, um rito conhecido como Samskara, tem muitos componentes e é muito bonito, especial e recheado de encantamentos, bençãos sânscritas e rituais milenares. Na Índia ele pode durar semanas ou dias, enquanto que no Ocidente ele dura apenas 2 horas.

      Um aspecto importante da cerimonia Hindu é acender um fogo sagrado, criado a partir de ghee (uma espécie de manteiga) e fios de lã, para evocar o deus Agni (Fogo), para testemunhar a cerimonia.

      O ponto alto é Saptapadi, também chamado de "Os sete passos". Tradicionalmente o sari da noiva é amarrado ao Kurta do noivo, ou um véu deve ser amarrado do ombro do noivo ao sari da noiva.

      Ele lidera, com os dedos mínimos unidos, os sete passos ao redor do fogo, enquanto o sacerdote recita 7 bençãos ou votos para um casamento forte. Enquanto andam ao redor do fogo, os noivos concordam com os votos. A cada passo, eles jogam pequenas porções de arroz no fogo, representando prosperidade em sua nova vida juntos. Essa é considerada a parte mais importante da cerimônia, e sela a união para sempre.

      As sete bençãos são as seguintes:
      1. Que esse casal seja abençoado com a abundância de recursos e conforto, e se ajudem em todos os sentidos.
      2. Que esse casal seja forte e que se complementem.
      3. Que esse casal seja abençoado com prosperidade e riquezas em todos os níveis.
      4. Que esse casal seja eternamente feliz.
      5. Que esse casal seja abençoado com uma vida em família harmoniosa.
      6. Que esse casal viva em perfeita harmonia, verdadeiros aos seus valores pessoais e às promessas em comum.
      7. Que esse casal sempre seja o melhor dos amigos.


      Uma coisa que eu aprecio muito na cerimonia hindu é que a noiva e o noivo sobem ao altar como o Deus e a Deusa na forma humana. Em muitas partes da Índia a noiva é considerada Lakshmi, Deusa da Fortuna, e o noivo é seu consorte Vishnu, o Grande Mantenedor.

      E é exatamente assim que os noivos devem se sentir ao trocar os votos: um casal divino!



      (http://hinduism.about.com/od/matrimonial1/a/7blessings.htm?nl=1)

      POEMA À KALI



      Ó Kali! Desta vez eu vou Te devorar...


      Por isso eu te interrogo, ó Kali,


      ó Kali eternamente feliz,


      encantadora do coração do poderoso Mahakala Shiva.


      Tu danças sozinha.


      E cantas sozinha, batendo palmas.


      Ó Mãe, Tu és a primeira causa,


      a Eterna, sob a forma do Vazio,


      levando a Lua em sua testa.


      Quando o universo não existia,


      onde encontrastes Teu colar de cabeças humanas decepadas?


      Apenas Tu és o poder de movimento em tudo,


      nós somos apenas instrumentos em tuas mãos.


      Nós nos movemos quando Tu nos fazes mover,


      falamos quanto Tu nos fazes falar.


      Mas o inquieto Kamalakanta gentilmente Te provoca, dizendo:


      "Mãe, ó Destruidora de tudo, segurando sua espada,


      agora devorastes tanto minha virtude quando meu vício".


      Se eu morrer repetindo: "Vitória para Kali, vitória para Kali!" [jai Kali, jai Kali],


      certamente atingirei o estado de Shiva.


      Então, para que serve ir até o rio Benares?


      As formas de minha Mãe Kali são infinitas,


      quem poderia encontrar o fim de Kali?


      Sabendo um pouco sobre Sua grandeza,


      Shiva se prosterna diante de Seus pés tingidos de vermelho.


      Poema do shakta indiano Sadhaka Kamalakanta (aprox. 1769-1821)


      http://dannyshakti.blogspot.com/

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